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Alguém me contou uma vez a definição de inferno: No seu último dia na Terra, a pessoa que você se tornou se encontra com a pessoa que você poderia ter se tornado.

Não sei de quem é essa frase, ela foi publicada anonimamente (o que significa que provavelmente é de uma mulher). Espero que ela te inquiete e te faça pensar assim como ela faz comigo todos os dias, e te motive a tomar decisões melhores.

Aqui tem um pouco de tudo: o que eu aprendi estudando, vendo palestras, vídeos, lendo, trabalhando, errando e acertando (dias de luta mas também dias de glória, né). Queria ter aprendido tudo isso muito mais cedo e de uma forma menos dolorosa, e por isso decidi compartilhar essas reflexões. Espero que esse texto te ajude a não fazer mais essas cagadas também.

 

organizar vida financeira

1. Comece a pensar no longo prazo hoje.

Não é mês que vem nem semana que vem, é hoje. E se for impossível sentar pra pensar com calma sobre organizar sua vida financeira hoje, reserve um tempo do seu próximo final de semana ou algum tempinho durante essa semana. Mas faça.

Sim, é difícil desenvolver pensamento de longo prazo, e isso tem até uma explicação biológica. As partes no nosso cérebro que reconhecem o ‘eu’ e a parte que reconhece ‘os outros’ são diferentes, e adivinha qual é a que “acende” quando pensamos em nós mesmos no futuro? Pois é, a parte que identifica ‘os outros’.

Ou seja, nosso cérebro tem dificuldade de entender que pensar no nosso futuro é pensar em nós mesmos, porque ele acha que estamos pensando em outra pessoa. E se é outra pessoa, por que vou me sacrificar no presente por ela?! — Muito louco, né?

Mas é um exercício que precisa ser feito.

E pensar no longo prazo não é só pensar na aposentadoria, não (“só”, como se fosse pouca coisa né?). É pensar nos seus sonhos maiores, coisas que demandam uma quantia maior de dinheiro ou que você pretende viver numa fase mais avançada da vida. Seja comprar um apartamento, seja ter filhos, dar uma volta ao mundo, tirar um ano sabático, qualquer coisa. Se você não começar a pensar em organizar sua vida financeira agora, a chance de conseguir concretizar como gostaria vai diminuindo um pouquinho a cada dia.

Informe-se sobre o quanto essas coisas custam  — ou, no caso da aposentadoria, o quanto você precisa investir pra ter a renda mensal que deseja no futuro — coloque-as no seu orçamento e arregace as mangas. (Tem dezenas de planilhas disponíveis na internet que te ajudam a calcular esse valor para a aposentadoria).

 

2. Comece a investir, não importa quanto dinheiro você tem. Comece.

Existe uma coisa maravilhosa chamada ‘juros compostos’. Eles fazem do tempo um grande aliado seu: quanto maior o período que o seu dinheiro ficar investido, mais os juros compostos vão te ajudar. (Se você ainda não entende bem como eles funcionam, tá tudo bem: esse vídeo vai te ajudar.)

Pra você ter uma ideia, investindo R$5.000 hoje a uma rentabilidade de 6% ao ano (o que ainda nem é uma boooa rentabilidade), em 15 anos você vai ter R$11.983. Imagina se, além de começar a investir logo, você ainda conseguir poupar todo mês pra acelerar esse bolão aí. (Mas dá pra começar com muito menos que isso, viu?)

Além disso, pense que a disciplina é como um músculo. Você tem que exercitá-la devagar e sempre pra fortalecê-la. Se você deixar pra começar a poupar quando “ganhar bem”, mas estiver com esse músculo atrofiado, pode ter certeza que vai ser bem difícil você, do nada, conseguir dizer não para todas as coisas que quer fazer e comprar, ainda mais ganhando bastante dinheiro. Afinal de contas, você vai estar se sentindo ryca(o), como assim você vai ter que abrir mão de coisas? Pois é. Vai se acostumando desde agora.

E mais: o que é “ganhar bem”? Estava falando sobre dinheiro com um amigo um tempo atrás e eu estava explicando pra ele a importância de ele começar a investir desde já. E ele: “Pra quê eu vou me matar pra poupar um pouco por mês agora se eu vou poder poupar muito mais, sem esforço, quando ganhar bem?” Ele ganha o dobro que eu. O dobro. E tá esperando “ganhar bem” pra começar a investir.

Pare de esperar.

Você vai ver: Investir e coçar, é só começar. (Se quiser ajuda, vem falar com a gente)

 

3. Pague-se primeiro e viva um degrau abaixo

Não fique torcendo pra sobrar dinheiro no fim do mês. Defina o quanto você vai investir por mês e já invista esse dinheiro assim que o salário cair na conta, e acostume-se a viver com o restante.

Se você ganha R$5.000 líquidos e decide investir R$1.500 por mês, tem que se acostumar a viver com um padrão de vida de R$3.500. Não ‘curtir a vida adoidada’ e esperar pra sobrar um troco no último final de semana do mês.

Não funciona, você provavelmente já sabe disso.

 

4. Seus gastos não podem crescer na mesma proporção que a sua renda

Quem nunca pensou “Ah, agora que eu tô ganhando melhor, posso ir mais vezes no restaurante x”? Ou “Nossa, agora que eu fui promovida vou pra praia todo mês!”? Ou ainda “Agora que tô ganhando bem, vou trocar de carro/morar em um apartamento maior, etc.” Pois é, esse é um erro extremamente comum de quem não consegue organizar vida financeira: Aumentar o padrão de vida de acordo com o salário.

É normal os gastos aumentarem com o tempo, óbvio. De jeito nenhum eu estou falando pra você manter o mesmo padrão de vida dos 25 até os 40 anos. O ponto é que a proporção do crescimento de um não deve acontecer na mesma proporção do crescimento do outro.

Por quê? Porque depois você vai olhar pra trás, vai ver que tá ganhando um baita salário e mesmo assim não tá conseguindo economizar direito, e vai bater o arrependimento. “Caramba, eu podia ter investido X mil reais ao longo desses anos e não estou nem perto disso. Como eu cheguei nesse ponto? Por quê?”

Por isso. Porque você tem que aprender a poupar e investir ainda mais quando começa a ganhar melhor, e não manter o valor que está poupando pra gastar todo o excedente. Acredite, tá cheio de gente ganhando uma grana ferrada sem conseguir investir direito exatamente por causa disso. Não adianta nada ganhar mais se você vai sair gastando tudo e não vai transformar isso em patrimônio e segurança para o seu futuro.

Não cometa esse erro.

 

5. Tenha metas e objetivos claros.

Economizar dinheiro sem um objetivo é como fazer dieta porque gosta de passar fome. Planeje-se, coloque as coisas na ponta do lápis, coloque-as no orçamento, defina o que é prioridade e o que não é prioridade pra você, e poupe. Se você não se planejar e não abrir mão dos gastos não prioritários no curto prazo, a chance de você realmente conseguir atingir seus objetivos diminui muito.

E um objetivo não é só uma coisa grande, uma viagem, um carro, etc — coisas menores podem (e devem) ser pensadas como metas também, devem estar contempladas no seu orçamento. Quer comprar um sapato? Meta. Quer trocar de celular? Meta. Quer fazer um curso de final de semana? Meta.

Confia em mim: Atingir objetivos é infinitamente mais prazeroso que gastar dinheiro com besteiras não planejadas.

 

6. Enriquecer não é sobre o quanto você ganha, é sobre o quanto você gasta.

No meu primeiro estágio, em 2012, eu tinha o sonho de fazer intercâmbio. Sempre que o salário pingava na minha conta, quase metade dele ia pra minha poupança (tá bom, na época não sabia que a poupança era uma péssima opção, mas a lição aqui é sobre disciplina e metas, ok? hehe). Juntei meu dinheirinho, botei a mala nas costas e fui.

Um tempo depois, quando voltei para o Brasil, fui efetivada e comecei a ganhar melhor, mas não tinha prioridades nem metas. Me pergunta se eu poupava alguma coisa? Poupava nada.

Não se engane dizendo “quando eu ganhar melhor, aí eu vou conseguir guardar dinheiro.” Eu paguei uma viagem pra Europa ganhando um salário de estagiária, mas não podia pagar uma viagem pra Paranapiacaba com um salário 2x maior (ainda morando com meus pais). Tenho amigos hoje que ganham mais que o dobro que eu, moram com os pais e ainda não poupam — ou seja, o segredo não está no salário. (E se quiser ajuda pra desenhar metas, essa técnica vai te ajudar.)

Não tem desculpa  — vai ter que abrir mão de coisas, aprender a esperar, sair da zona de conforto? Vai. Mas vai valer a pena. Prometo.

 

7. Não tenha medo nem vergonha de falar “Não posso fazer isso agora. Isso não é prioridade pra mim nesse momento.”

E não poder pagar por algo não significa que você não tem dinheiro. Significa que você tem outros planos para o seu dinheiro e aquilo não é prioridade pra você (pelo menos não por enquanto). Quando você não tem planos para o seu dinheiro, sai gastando com tudo o que aparece pela frente e só reza pra sobrar algo no fim do mês.

Não tem problema NENHUM em rejeitar um convite pra jantar em um restaurante e sugerir uma alternativa mais barata, tipo fazer o jantar em casa  — inclusive seus amigos muito provavelmente vão te agradecer por isso e você se surpreenderá quando ouvir algo como “Nossa, vamos! Também não tô podendo gastar”.

Quantas vezes você não acabou gastando mais do que podia só porque foi no embalo dos outros e ficou sem jeito de falar que não podia? 

Vamos parar com isso? Então tá bom. Seu bolso agradece  e seus sonhos também.

 

8. Pensamento ‘jaque’ é uma cilada, Bino. Fuja.

“Ah, já que eu já saí do planejamento esse mês, vou gastar com isso, isso e aquilo.”

“Já que eu não vou mais conseguir investir o que eu tinha planejado nesse mês, vou gastar um pouquinho a mais.”

“Já que eu saí da dieta hoje, vou deixar pra recomeçar na segunda que vem.”

Pare. Apenas pare. Não justifique 10 cagadas com a primeira. Errou? Tudo bem, faz parte, é só reajustar a rota e focar de novo. Errar é humano, insistir no erro… É burrice.

 

9. Saiba quais são suas kriptonitas e aprenda a se proteger delas.

Mais uma vez roubei uma frase da Nathalia Arcuri. Resumindo, o que isso significa: assim como o Super Homem fica mais fraco quando está perto de kriptonita, você provavelmente tem seus pontos fracos que te fazem gastar mais. Pode ser um lugar, uma situação, uma pessoa, pode ser qualquer coisa. Identifique o que são essas coisas e tenha um plano de ação pra quando elas acontecerem.

Exemplo: Eu gastava com alguma coisa SEMPRE que ia ao shopping, fosse pra almoçar, ir ao cinema, qualquer coisa. Agora me pergunta a última vez que fui ao shopping? Nem lembro mais. Passo longe.

Ou outra: Eu gastava ridiculamente quando tinha dinheiro dando sopa na minha conta corrente depois de ganhar algum dinheiro extra. Bônus, décimo terceiro, rescisão, etc  — aquela sensação “eu tô ryyyca!”, sabe? Só que não, né. Gastando tudo, cadê a riqueza? Até dói de pensar o quanto daria pra ter investido se eu não tivesse sido o quê? Trouxa.

Agora, pinga o dinheiro na conta e eu não confio em mim mesma, já tiro esse dinheiro do meu alcance, invisto e finjo que nunca nem vi.

Pense em um plano de ação pra cada kriptonita sua e seja feliz :)

 

10. Calcule quanto tempo você leva pra ganhar R$100 e você vai parar de achar que isso é pouco dinheiro.

A conta é fácil: Pegue o seu salário líquido (o que efetivamente cai na sua conta) e divida pelas horas que você trabalha por mês. (Seja sincera com você mesma, é muito provável que você faça mais que 8h por dia.) Você vai chegar no preço da sua hora.

Depois, divida R$100 por esse preço que você calculou.

Tcharam, aí está o tempo que você trabalha pra ganhar R$100. Aquele barzinho, balada, show ou aquela roupa acabaram de ficar mais caros, não? Pois é.

Antes, eu gostava de usar uns xampus diferentões, cheios de frescura, que custam R$50, R$60. Quando fiz essa conta, arregalei os olhos e falei “O QUÊ, TÁ MALUCO?” Pantene neles. (E meu cabelo continuou i-dên-ti-co).

Com manicure foi a mesma coisa: quando eu parei pra pensar em quanto tempo eu trabalhava pra pagar 4 manicures por mês (mais ou menos R$1200 por ano), virei adepta das unhas naturais na hora, rs. Hoje faço a mão no salão uma vez por mês e olhe lá, e cuido delas sozinha em casa.

O ponto aqui é você não gastar dinheiro à toa com coisas que não são prioridades pra você. Se um xampu diferentão ou a manicure forem prioridades pra você, tá tudo bem. O importante é você saber o que é e o que não é prioridade, e aí cortar as gordurinhas dos gastos que não são prioritários. 

E lembre-se: não dá pra tudo ser prioridade. 

 

11. Você precisa de um orçamento.

Vou repetir: Você precisa de um orçamento. Você precisa organizar sua vida financeira.

Tem uma frase que eu gosto muito, ela diz: “Anotar gastos é olhar pra trás, orçar é olhar pra frente.

Eu vivia querendo anotar e saber o quanto eu estava gastando com cada coisa, mas não adianta nada você dirigir olhando no retrovisor. O que te leva aos seus objetivos é um mapa, um guia. Anotar quanto você já gastou é olhar no retrovisor, um orçamento é o waze.

É com um orçamento que você consegue definir o quanto vai investir naquele ano, qual é o seu limite pra gastar com cada tipo de coisa, o que vai dar e o que não vai dar pra fazer naquele mês/ano  — antes de ele começar. E esse é o ponto.

Tendo tudo isso em mente é muito mais provável que você consiga fazer o que realmente está dentro dos seus planos e o que realmente dá pra fazer, garantindo que está colocando dinheiro no que realmente é prioridade pra você.

Ah! E a frequência com que você acompanha seu orçamento é tão importante quanto ter um orçamento. Não adianta nada ter uma baita de uma planilha linda, organizada, pra ela ficar abandonada e desatualizada. Se for pra fazer isso, nem gaste o seu tempo fazendo um planejamento.

Acompanhe e atualize seu planejamento semanalmente. Ele é o seu mapa, tenha carinho por ele ❤

Dica: depois que você definir o quanto tem pra gastar com suas categorias de gastos, vá acompanhando o quanto você já gastou e o quanto ainda pode gastar. Tendo esse número em mente, você tem menos chance de escorregar e fazer besteira.

Se eu sei que no último final de semana do mês, por exemplo, eu só posso gastar 50 reais em lazer pra fechar o mês dentro do orçado, eu vou ter muito mais clareza na hora de escolher quais programas eu posso ou não posso fazer, a qual tipo de restaurante/festa eu posso ir, se vou ao cinema ou fico no Netflix, etc.

 

12. Comer fora de casa é MUITO caro.

Quando saí da casa dos meus pais, fui morar em um bairro cheio de restaurantes maravilhosos, me sentia no paraíso. Pra piorar, eu não gostava da cozinha do meu apartamento, então nunca fazia comida. Tomava café da manhã, almoçava e jantava fora todos os dias. Você já deve imaginar o que aconteceu com a fatura do meu cartão.

Ah! E não tenha vergonha de levar marmita para o trabalho, vergonha você tem que ter de não conseguir poupar dinheiro, e não de se planejar, economizar e organizar sua vida financeira.

Aprenda a cozinhar  — seu bolso agradece.

(Ah, e pra quem quer comer saudável, não precisa ser caro, não. Isso é balela. Comer saudável pode ser super barato, só não vai ser super prático. O que é caro é a praticidade, e o mais barato sempre vai ser o mais trabalhoso. C’est la vie.)

 

13. Pare de pensar “Trabalhei duro a semana inteira, eu mereço comprar isso ou aquilo.”

Sim, você ralou a semana inteira, então o que você merece é atingir seus objetivos, não empobrecer comprando um monte de besteira só pelo prazer da compra. Na maior parte das vezes, o ato de comprar é muito mais prazeroso do que ter as coisas em si. (Ou vai dizer que você nunca se arrependeu de comprar nada?).

A gente acaba gastando com o que não deve mais pelo prazer de comprar do que pelo prazer de ter a coisa de fato  — e de novo é a biologia sacaneando a gente. A dopamina, hormônio liberado quando compramos, é o mesmo liberado quando fazemos sexo. Não é à toa que a gente gosta tanto de comprar, né não?

Mas segura essa empolgação aí. Aprender a esperar e a dizer pra si mesma “eu não posso gastar com isso agora” é uma das lições mais valiosas que você vai aprender na vida. Confia.

(E na maioria das vezes não vai ser um “não”. Vai ser um “ainda não”, “não agora”. Isso ajuda a gente a se acalmar, hehe.)

 

14. Comprar roupa não é esporte 

Necessário, somente o necessário, o extraordinário é demais. (sábias palavras do Balu, migo do Mogli).

De longe, o maior erro que eu cometi com meu dinheiro foi comprar roupas que eu não precisava com dinheiro que eu não tinha. Hoje, por vários motivos, vejo que não faz o menor sentido consumir naquele ritmo.

Primeiro porque não tem bolso (e nem natureza) que aguente acompanhar milhares de coleções ao longo do ano, isso é simplesmente insustentável. Além disso, percebi que quanto mais eu consumia, mais eu queria consumir. Hoje, quanto menos eu consumo, menos eu quero consumir. 

Essa ansiedade, essa compulsão, vai diminuindo conforme você se acostuma a organizar a vida financeira e a não comprar o tempo todo. No final de semana passado minha mãe chegou pra mim e disse: “Ai, Vi, você tem que ir pra Jaú comigo. Fui lá nesse fim de semana e comprei 8 pares lindíssimos por só R$600!”

Há um ano e meio eu teria topado na hora, eu diria “Não acredito, só R$600 por tudo isso?! Vamos no final de semana que vem?”. Hoje, eu penso eu duas coisas quando ouço isso. Primeiro: “Seiscentos reais? Mesmo se eu tivesse esse dinheiro “livre” agora, com certeza usaria ele em algum dos meus objetivos, investiria, etc. Não vou torrar isso de uma vez só, ainda mais com sapato. Não estou precisando de sapato.”

E depois: “Eu nem tenho onde guardar tanto sapato, eu não preciso de tudo isso. Os que eu tenho são totalmente suficientes.”

No começo do ano passado, eu vi dois documentários que mexeram demais comigo e foram o empurrão que eu precisava pra mudar meu hábito de comprar roupas/sapatos: Um deles é o “The True Cost”, e o outro é “Minimalism”. Os dois estão no Netflix – recomendo demais.

Outras duas coisas que me fizeram repensar a forma como eu consumo:

Uma delas foi ver como os homens ao meu redor consomem. Meu ex-namorado ganhava bem mais que eu, e estava sempre tranquilo com as roupas que tinha. Uma calça jeans, um tênis e uma camiseta ou uma camisa era o suficiente pra ele ir trabalhar, e eu sempre me pegava pensando por que eu jamais fui de calça jeans, camiseta e tênis pro trabalho (a gente trabalhava no mesmo lugar).

Por que eu queria me vestir sempre tão bem? Fingir que eu ganhava um salário que eu não ganhava? Parecer poderosa? Melhorar minha autoestima? Mostrar o que para os outros?! 

Meu irmão a mesma coisa. Tá sempre tranquilão, calça jeans, camiseta, moletom, tênis. Só compra roupa quando precisa. E ganha o DOBRO que eu. Essas coisas me fazem pensar sobre o quanto o estereótipo da mulher consumista faz a gente se sabotar sem perceber.

Cresci ouvindo meu pai contar sempre a bendita piadinha do “O homem veio ao mundo, a mulher veio às compras.” Mês passado, numa aula de economia, o professor soltou um: “Agora, vamos falar de oferta e demanda. Bom, de demanda as mulheres entendem, então vou usar a fulana como exemplo.” – Aquela imagem da mulher descontrolada, consumista, infantil.

Eu gosto muito de moda, não estou dizendo que a gente tem que parar de ligar pra aparência. O que me incomoda é essa pressão que nós, mulheres, temos de estarmos “bem vestidas” o tempo todo. O cara pode ser CEO da empresa, se ele vai pro escritório de calça jeans e camiseta branca, ele é cool. Ele é descolado.

Já viram aqueles textos falando sobre as roupas do dia a dia do Steve Jobs ou do Zuckerberg, por exemplo? São quase uniformes: Simples, práticos, baratos. Agora quero ver se tem uma, uma CEO nesse mundo que vai trabalhar de calça jeans, tênis e camiseta. (Se tiver, já sou fã!).

Eu decidi me inspirar nisso e parar de gastar dinheiro com roupas lindas que deixavam a minha conta bancária horrorosa. Claro, ainda vou comprar roupas, mas quando eu precisar – e quando puder pagar.

A segunda coisa foi um projeto que a gente fez. Ao longo do mês de abril, fizemos 7 dinâmicas de grupo com clientes e não-clientes nossos, e uma das perguntas da dinâmica era “Qual são seus dois maiores arrependimentos com dinheiro?”. Adivinha qual foi um dos arrependimentos que mais apareceu, de longe? Gastar com roupa.

Espero pelo menos alguma dessas lições tenha sido útil pra sua vida e que eu tenha conseguido te ajudar de alguma forma! Se quiser conversar, meu e-mail é [email protected] e deixo aqui a minha página no Medium. E se quer saber mais sobre investimentos, vai lá no @invistacomoumagarota.

Bora investir e realizar nossos sonhos, garotas!

— ♥ —

Por: Victoria Giroto

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