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Eu fiz uma mamoplastia redutora

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Ilustração: Isabela Gabriel especialmente para esse post

PRIMEIRA PARTE ORIGINALMENTE POSTADA EM 01/03/16

Se você acompanha o GWS só por aqui ou pelas redes sociais oficiais do blog, pode estar estranhando o título desse post. Como assim, a Nuta fez uma mamoplastia redutora e ninguém ficou sabendo?? Se você me segue lá pelo stories (nutagws) está um pouco por dentro dessa novela. Mas a verdade é que nunca contei por lá, nem em lugar nenhum, detalhes sobre a minha decisão de fazer uma mamoplastia, nem sobre minha cirurgia e nem sobre o mais complicado de tudo: O pós.

Eu resolvi fazer esse texto por uma série de motivos. Mas o principal deles, como tudo aqui no GWS, é que eu tento sempre ajudar vocês de alguma forma. Então se preparem porque vai ser textão estilo novela: Sobre autoestima, decisões, medo e a importância de saber lidar com situações não planejadas.

Bom, já que é para contar a história, vamos começar do começo. Se hoje eu escrevo sobre autoestima e amor próprio não é porque eu nasci cheia de confiança. Muito pelo contrário, eu sofri muito desde de pequena por não me encaixar no padrão não só da mídia, mas do meu ciclo social e familiar.

Desde muito nova, eu aprendi a ser o patinho feio. Quando criança, eu tinha um grupo de amigas muito unidas. Estudamos todas juntas da 1ª até a 6ª série e fazíamos tudo juntas nessa fase tão grande de transição, transformações e descobertas. Uma delas, sem dúvidas, foi as descobertas envolvendo nossos corpos. Pelos crescendo, primeira menstruação, espinhas e claro, o desenvolvimento e crescimento dos peitos.

Eu lembro de, ainda muito nova, perceber que eles não estavam se formando como os das minhas amigas. Enquanto os delas, formavam um desenho igual aos que eu via na TV e nas revistas, os meus se pareciam cada vez mais com aqueles que as pessoas costumavam zoar e classificar como feios. Nessa fase, digo ali até meus 13 anos, apesar de já não achar meus peitos bonitos, isso não parecia ser muito importante pra mim. Mas tudo mudou quando eu fiz 15 anos e via com frequência os das minhas amigas, colegas, primas e claro, comecei a perceber também como os meninos valorizavam isso.

Vale lembrar aqui que eu tinha 15 anos e lá no início dos anos 2000 pouquíssimo se falava em empoderamento, aceitação e feminismo. Aliás, eu me arrisco a dizer que a minha geração foi a mais massacrada na adolescência com os padrões de beleza, já que foi o grande boom da internet, photoshop, câmera digital e todos os artefatos que facilitam o envio e recebimento de imagens. Tudo que eu queria na época era que meus seios se parecessem com os das minhas amigas e que um garoto gostasse de mim. Gostaria que naquela época eu entendesse um pouquinho mais sobre amor próprio e sobre celebrar as diferenças. Talvez assim, meus seios não teriam se tornado algo que me incomodaram ao longo de toda a minha vida.

Voltando aos meus 15 anos, eu já estava com meu corpo quase todo formado. Muito rapidamente meus peitos cresceram super caídos e flácidos. Para você ter ideia da flacidez, eu “brincava” de contorcionismo com eles e conseguia colocar um por cima do outro. Outra característica é que nunca senti dor nas mamas. Sabe essa coisa de levar bolada na queimada ou alguém esbarrar e doer? Você sente isso por conta das glândulas mamárias e fibras musculares. E eu praticamente não tinha essas fibras que são responsáveis pela sustentação.
gws-quote2Eu diria que foi ali, nos meus 15 anos que realmente comecei a me sentir mal com meus peitos que ficavam cada vez maiores e flácidos. Aos 17 anos, uma amiga me disse que eu tinha os seios iguais aos da vó dela. Essa frase, ecoou na minha cabeça durante quase todos os meus namoros da adolescência. Aliás, obviamente eu odiava mostra-los. Para amigas e claro, namorados. No início da vida adulta era assim: Tudo no escuro e de sutiã. Eu passava mais tempo incomodada com namorado colocando as mãos nos meus seios do que sentindo prazer, porque tudo que eu pensava era como ele perceberia o quanto “feio eles eram”. Queria naquela época ter a clareza de pensamento que tenho hoje. Magra, gorda, com seios flácidos, ou durinhos eu sempre serei digna e essas coisas não me definem.

O que pouca gente sabe, porque eu sempre tive vergonha de falar sobre peitos é que eu operei aos 20 anos, assim que comecei a namorar o garoto que abalava minhas estruturas. Naquela época eu acho que eu operei por todas as razões erradas. Por insegurança, por vergonha e naquela afobação de resolver logo o que me incomodava, operei em um lugar que eu não queria, com um médico que eu não sentia confiança. O resultado, claro, foi um desastre. Eu que esperava acordar no dia seguinte amando meus peitos, continuei achando eles feios e agora pra piorar, eu ainda tinha cicatrizes super visíveis na auréola.

Vou resumir essa parte da história se não esse texto não vai ter fim, mas o que importa é que algo que eu fiz para melhorar minha autoestima em relação ao meu corpo, acabou piorando. Graças a Deusa, chegou a vida adulta e eu consegui desencanar de muita coisa e já não tinha uma neurose tão grande com meus seios. Passei a entender e a respeitar meu corpo e deletei muita neura que eu carregava comigo. Mas não posso mentir: Aquilo ainda era algo bem difícil pra mim.

Em 2014, quase 10 anos depois da minha primeira cirurgia eu comecei a sentir dores horríveis nas costas e nos ombros. Papo de deitar no chão e ficar lá reta, imóvel por 10 minutos. Não existia posição confortável e ficar muito tempo em pé era ganhar ombros rasgados pela alça do sutiã tamanho 52. Então, eu fui em uma ortopedista e ela me pediu vários exames. E foi aí que eu descobri que eu tinha uma hérnia na coluna, causada pelo peso das mamas. Nesse momento, tive certeza que eu tinha que operar novamente e de uma vez por todas tentar resolver toda essa novela.

Depois de muito procurar e ir em várias consultas, eu achei um cirurgião plástico que me passou confiança e pensei: É esse! Ele então conversou comigo sobre meu caso e me mostrou que um dos maiores responsáveis pela minha dor sem fim na coluna e tamanho de sutiã, além dos seios era a gordura em excesso que eu tinha na lateral das mamas e nas costas. Por conta da falta de fibras dos peitos, a única forma dele ter sustentação, era através de prótese de silicone. Depois de muita conversa, exames e preparação física e psicológica eu marquei a cirurgia para o dia 28 de setembro de 2015.

O que eu não imaginei é que eu estava prestes a viver os 6 meses mais bizarros da minha vida. Minha cirurgia correu super bem. Deu tudo certo e eu lembro de acordar no quarto algumas horas depois, super tranquila. Foi no dia seguinte que a coisa começou a pegar. Embaixo da minha mama direita, se formou uma placa escura, longa mas não grossa. Perguntei ao meu médico o que seria e ele disse que o sangue naquela região tinha coagulado, que aquela pele iria morrer e que em alguns dias, ele teria que retirar.

Percebi que ele ficou preocupado, mas não quis me preocupar e eu, na verdade, não fiquei muito encanada. Quatro dias depois essa área que formou uma pequena casca preta começou a se desprender do resto da pele em uma velocidade absurda. A casquinha preta começou a virar um buraco, cada vez maior. O buraco chegou a uns quatro dedos de largura e altura. Sim, minha pele praticamente saiu toda parando ali, 1 centímetro de distancia do bico. Era possível ver meu peito por dentro. Meu médico acompanhou todo o processo, me atendeu altas horas da madrugada, pedia para me ver o tempo todo. A questão era a seguinte: Não tinha nada que ele podia fazer.

O diagnóstico era: Eu tinha tido um micro trombo naquela região que acabou gerando uma necrose (não, eu não fumo!) O sangue que tem que circular e irrigar a região, simplesmente não fez isso da forma correta. Consultei outro médico, hematologista, que me deu exatamente a mesma opinião. Aquilo tinha que fechar naturalmente. E foi assim que eu comecei a viver em função da minha recuperação. Eu não tenho como descrever para vocês o medo que eu sentia quando via meu peito literalmente aberto. Vazando líquido, sangue e correndo risco de uma infecção que poderia me matar. Caso o silicone fosse atingido, eu teria que correr para o hospital, tirar a prótese, fechar o peito e era isso! Ou eu poderia ficar realmente doente.

Eu sentia febre, tontura, enjoo e cheguei a tomar 8 remédios por dia. Entre remédios para circulação, antibióticos, anti-inflamatórios, vitaminas… Meu médico cirurgião foi muito atencioso comigo nesse processo. Ele pedia para eu ir no consultório 3 vezes na semana, me ligava todo dia e me ajudava psicologicamente. Eu não tenho como expressar em um texto o que passei. De tanto fazer curativos, meu peito começou a ficar machucado e com alergias. Fora os comprimidos que eu tinha que tomar, ainda tinha os cremes, os sprays e até um suplemento para beber, chamado “Cubitan”. Acabei emagrecendo muito por conta da dieta especial para melhorar a circulação e qualidade da pele cicatrizada. Independente da sua cirurgia dar problema ou não, se alimentar melhor vai acelerar seu processo de cicatrização. Era engraçado ser a “prova viva” de receber os tals “comprimentos” de como eu tinha emagrecido, sabendo o porque aquilo estava acontecendo. Por isso que eu sempre digo: “Tá magra” não é elogio. Pode ser consequência de alguma doença.

A quantidade de dinheiro que gastei no pós deve dar quase para pagar outra cirurgia. Uma mamoplastia normal, você se recupera por completo cerca de 3 meses depois. A minha, levou 6 meses. Tenho uma cicatriz até pequena perto do tamanho do buraco que tinha na minha mama e meu médico já me disse que vamos melhorar ela o máximo possível em breve.

Eu estou fazendo esse post gigante porque quando eu estava no auge do desespero, eu só encontrava pela internet, textos felizes de mamoplastia redutora. Sendo que na vida real eu comecei a conhecer várias pessoas que tiveram grandes complicações. Com a popularização das cirurgias, fazer uma plástica virou uma coisa banal. Não é banal. Não é simples e pode sim, ter complicações sérias.

Eu não estou dizendo não faça. Até porque apesar de tudo, hoje recuperada de saúde apesar da questão da cicatriz, um motivo fútil analisando tudo que passei, eu amei o resultado. Amei o tamanho do meus seios, o formato, o fato de que meu médico conseguiu consertar minha auréola que foi estragada na primeira cirurgia, amo nunca mais ter sentido dor nas costas, amo até a cicatriz que me mostra que venci algo muito grave. Como eu já disse nesse post aqui e em vários outros, se amar, não significa ser imutável.

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Mas eu só não pirei porque eu estava MUITO psicologicamente pronta para o que pudesse dar certo e errado. Porque eu realmente fui operar com um médico que eu confiei e tive química. A sua cabeça tem que estar mais pronta para o procedimento que seu corpo.
Não dava para prever o que aconteceu comigo. Eu fiz todos os exames exigidos para uma cirurgia dessas e estava tudo bem. Trombose é uma coisa que acontece de repente. O que você pode fazer para minimizar as chances de acontecer algo do tipo com você é: Alguns meses antes da cirurgia, comer alimentos que ajudam a circulação. Essa lista aqui diz tudo que pode ajudar. Outra dica é, antes mesmo de procurar um cirurgião plástico, procurar um hematologista e pedir o máximo de exames possíveis e quem sabe, um remédio para circulação.
Se você estiver pensando em fazer uma cirurgia tenha em mente que sim, existem riscos e grandes, por mais que hoje em dia os médicos e a mídia tentem minimizar isso. Esteja preparada psicologicamente e fisicamente. O texto já está enorme e eu pouco falei de coisas básicas da operação como pré operatório, a cirurgia em si e minha vida agora não mais usando sutiã 52 e sim, 46/48 e sem dores nas costas! Então se vocês quiserem saber mais sobre esse tema, me digam nos comentários que eu vejo se rende mais um texto.

Por último, eu queria escrever aqui o que eu gostaria de ter lido por aí, quando eu estava assustada e com medo de não me recuperar: Se alguma coisa der errado no seu pós, confie no seu médico, mas procure outras opiniões. Se alimente bem, a alimentação é cura também. Tenha fé, calma e paciência. Viva um dia de cada vez e celebre cada melhora. Tudo vai ficar bem.

 

CONTINUAÇÃO EM 27/09/17 – NÃO ACABOU! CONTINUE POR DENTRO DA SAGA:

Eu fiquei super na dúvida se eu escrevia um novo post, ou dava continuidade nesse mesmo. No final das contas, achei melhor deixar tudo reunido aqui, com o máximo de informações possíveis juntas.

Quando eu escrevi esse texto em março de 2016, achei que de fato, toda a saga tinha terminado, mas na verdade, só tinha fechado um capítulo. Como eu disse na primeira parte do texto, depois que meu peito finalmente fechou, fiquei com uma cicatriz nem tão grande como eu imaginava que ficaria pelo tamanho do buraco que eu tinha, mas ela ficou bem grossa, bem mais escura que a minha pele e com relevo alta. Meu médico cirurgião na época, do qual eu confiava 100%, já que ele passou por todo o período da necrose comigo, me disse que seria tranquilo refazer a cicatriz para melhorar, esteticamente falando.

Não vou negar que eu fiquei com medo, eu tinha passado por um pesadelo durante 6 meses e só a ideia de operar novamente me dava arrepios. Mas claro, o aspecto da cicatriz me incomodava e ele me garantiu que ficaria super fina (assim como estava a da mama esquerda, já que o problema todo rolou com a direita!) e que era uma cirurgia com anestesia local, bem mais simples.

Então em junho de 2016, eu resolvi fazer essa cirurgia de melhora da cicatriz. E realmente, foi super tranquilo. Em 2 semanas, já estava tudo super cicatrizado, a cicatriz fininha e eu finalmente achei que minha vida estava de volta ao normal.

Em 2 meses,voltei para todas as minhas atividades, voltei pra academia, montei o Espaço Criativo GWS, viajei… e me sentia ótima.

Em dezembro de 2016, comecei a sentir umas fisgadas na mama direita (sim, aquela problemática) e já fiquei com medo. Já estávamos na cara do gol do final de ano, natal, ano novo… eu com viagem marcada pro Uruguai, não dei muita importância e achei que era alguma coisa de trauma mesmo, de tudo que aquela mama tinha sofrido. Quando voltei do Uruguai, além das pontadas, no dia que eu cheguei de viagem, minha mama estava super vermelha e quente. Na mesma hora, marquei com meu cirurgião plástico, afinal, ele sabia de tudo que tínhamos passado até ali e achei que ele era a melhor pessoa para o caso.

Ele pediu um ultrassom das mamas e me disse que parecia uma espécie de inflamação. Me receitou antibióticos, antiinflamatório, bolsa de gelo e pediu pra eu evitar exercícios e que dentro de 15 dias, iríamos avaliar novamente.

Confesso que confiava tanto nele, que nem me aprofundei na questão. Fiquei triste, óbvio, parecia um problema sem fim, mas novamente, comprei os antibióticos (você já perceberam que eu fiquei quase 1 ano tomando antibióticos, né?) e segui com o tratamento.

Terminei os remédios e confesso que não percebi melhora. Assim que parei de tomar, voltou a dar fisgadas, algumas regiões ficaram mais rígidas, voltou a vermelhidão e agora o pior de tudo: Tinha nascido uma espécie de furúnculo da lateral do meu peito. Já estávamos em fevereiro e eu tentava levar minha vida pessoal e profissional normalmente.

Fui ao meu médico cirurgião com o furúnculo e ele disse que era uma infecção. Colheu material desse furúnculo para análise bacteriana e quando saiu o resultado, mais uma vez, me recomendou uma nova leva de novos antibióticos, antiinflamatórios e bolsa de gelo. Ainda confiando nele e confiando que ele saberia como tratar, comecei um novo ciclo de antibióticos de 15 dias. Nada feito. Mesmos sintomas e agora pro meu pânico realmente se instalar, nasceu um novo furúnculo em outro lugar da mama.

Eu comecei a perder a confiança no que meu médico fazia e achei que ele não sabia tanto sobre o que estava acontecendo comigo quanto eu de início acreditei. Comecei a pesquisar sozinha sobre infecção, infecção na mama, infecção pós cirúrgica… e encontrei pouquíssima coisa. Como disse no início desse post, raramente encontramos histórias problemáticas pós cirurgia plástica na internet, mas se você frequenta consultórios e hospitais por um longo período como eu, escuta tantas, mas tantas histórias, que se pergunta por que se fala tão pouco disso.

Mas voltando a minha história, foi quando eu pesquisando, li duas informações que me fizeram ter certeza que eu precisava de outro médico:

1) Em caso de infecção em mama com prótese a bactéria raramente morre porque ela se esconde na prótese e fica protegida aonde os remédios não conseguem chegar.

2) Eu precisava de um infectologista! Esse médico é o único que realmente pode me dizer qual o melhor tipo de tratamento pra mim.

Já era abril, eu estava há 4 meses com dores, vermelhidão, placas duras no peito e furúnculos, quando eu fui novamente no meu então cirurgião plástico e coloquei essas questões pra ele. Ele me disse que não achava que a bactéria estava no silicone e que se eu quisesse, poderia procurar sim um infectologista, que ele não era contra.

Bom, foi o que eu fiz: marquei 2 consultas com infectologistas diferentes. E os dois tiveram exatamente a mesma opinião. Em resumo, acreditavam que a bactéria entrou nos seios durante o período de necrose e ficou escondida ali, esperando o melhor momento de se manifestar ou entrou na minha segunda cirurgia, quando eu refiz a cicatriz, provavelmente porque o ambiente não estava devidamente esterilizado.

Também tinham certeza que a bactéria estava sim no silicone e que para o meu caso e minha bactéria, só saberíamos mesmo a medicação certa a ser usada, depois que abrisse e somente um infectologista poderia receitar. Sim, eu teria que fazer uma nova cirurgia, retirar o silicone (sem poder colocar novas próteses) e fazer uma cirurgia para limpar tudo lá dentro e recolher material para levar para laboratório e saber qual bactéria estava instalada para, de fato, fazer o tratamento apropriado. Seria uma cirurgia zero estética, não seria considerando nada além de saúde. Então poderiam ficar super diferentes um do outro, flácidos, tortos… Pra fechar com chave de ouro, disseram que a cirurgia era urgente e que eu deveria operar o mais rápido possível.

Com essas informações, voltei no meu médico cirurgião. Nesse momento, foi a primeira vez que ele disse que a bactéria estava sim no silicone de uma forma como se ele já tivesse me dito isso (mas ele não tinha!), mas que não via dessa forma, que não tinha urgência, que eu poderia operar quando eu quisesse e que também não via a necessidade de um acompanhamento com infectologista. Inclusive disse que eu poderia sim, colocar outros implantes na hora da cirurgia se eu quisesse.

Nesse momento, eu perdi totalmente a confiança que tive nele durante o ano de 2015 e 2016. Eu estava com uma bactéria nos seios desde dezembro de 2016, já estávamos no final de abril de 2017 e percebi que ele não tinha a menor ideia do que estava acontecendo de verdade, que como um dos infectos me falou, eu estava correndo risco de ter uma sepse, que nada mais é que uma infeção generalizada.

Foi assim que eu decidi procurar outro médico e caí na minha médica cirurgiã atual que agora é minha heroína. Logo na primeira consulta ela me falou exatamente tudo que os infectologistas anteriores tinham me falado. Sobre a prótese estar contaminada, que era urgente minha cirurgia, que não seria nada estética e que só saberíamos como tratar a infecção depois que abrisse. Já estávamos em maio e começamos a bateria dos mil exames e pedido de liberação do plano de saúde para a cirurgia.  Nem precisa falar como isso demora, né? Pra conseguir horários de exames é um parto, liberação de cirurgia temos que enviar até a calcinha e a palavra “urgente” não significa nada para o plano de saúde.

Exames feitos, liberação do plano ok, data reservada do hospital, médica cirurgiã plástica e infectologista! Tudo certo, marcado pro dia 15 de agosto de 2017. E aí começou um novo capítulo dessa história que começou em 2015… Fiz a cirurgia no dia 15, retirei as próteses, a minha médica fez a limpeza. Quando saí da cirurgia estava com 2 drenos, cheia de dor, fraca e logo comecei os antibióticos venosos via picc. Essa era a primeira notícia: Para o meu caso, os antibióticos que matariam a bactéria não existiam via oral. O que significava que eu eu teria que ficar no mínimo 15 dias no hospital recebendo antibióticos.

No dia 18 mais uma notícia: Teríamos que fazer uma nova cirurgia (uma coisa que a minha médica tinha me alertado logo na primeira consulta que poderia acontecer). Minha mama direita (claro) tinha feito coágulos e teríamos que retirá-los. Lá fui eu pro centro cirúrgico novamente… No dia 19 mais uma notícia! A picc colocada no meu braço para eu receber os antibióticos tinha me causado uma trombose.

Então eu estava no hospital me recuperando de 2 cirurgias, tomando antibióticos fortíssimos e teria que começar a tratar uma trombose… Ao total, eu fiquei 16 dias no hospital, 4 no CTI. Todo dia eu fazia mil exames, sentia muita dor, era tanta coisa na minha veia que elas começaram a sumir e cheguei a colher sangue até na perna (cara, doí MUITO!) e achar veias para acesso profundo no pescoço, conhecida entre os médicos como veia jugular.

Eu passei meu aniversário no hospital e quando finalmente saí eu estava super fraca e muito, muito assustada. Sabe quando você vê aqueles cachorros de rua que qualquer movimento seu eles já se encolhem? Eu tava assim. Eu senti tanta dor, fiz tanto exame dolorido, senti tanta coisa, meu corpo ficou tão desgastado que eu criei um pânico que nunca tive de agulha, hospital…  Estamos hoje no dia 27 de setembro de 2017. Completou 1 mês e alguns dias das minhas cirurgias. Meus últimos exames mostram que não tem mais infeção e que a trombose do braço está se desfazendo. Mas sigo em observação porque a infecção pode sim, voltar.

Correndo tudo bem a previsão para eu estar realmente 100% é somente em dezembro. Ainda tenho que fazer curativos, estou tomando remédios e vou começar um tratamento de oxigenoterapia. Agora não tenho mais prótese e mesmo sem ter sido uma cirurgia estética, meus seios não estão esquisitos. Minha médica fez o possível para deixa-los simétricos e levantadinhos. O direito está um pouco menor que o esquerdo e agora uso 44/46. Não foi uma cirurgia estética então obviamente o resultado não é esteticamente lindo como tinha ficado depois que me recuperei da necrose. Mas sinceramente? Graças aos deuses hoje sou uma mulher que consegue ver isso tudo como um detalhe. Eu sem dúvidas sou uma sobrevivente e meu corpo e minha mente aguentaram MUITA coisa. E eu sou forte demais. Bem mais do que eu imaginava.

Estou há 2 anos tentando vencer uma cirurgia mal sucedida. Por isso repito aqui: Pensem 1, 2, 3… MILHÕES de vezes antes de fazer uma cirurgia estética. Você tem que estar realmente preparada pra tudo, inclusive pra arrumar um problema quase crônico. Se certifique que você está pronta fisicamente e mentalmente pra TUDO. E digo mais: Acho válido ter um acompanhamento psicológico antes, durante e depois de qualquer cirurgia. Meu caso foi extremo, mas “probleminhas” são comuns e pequenas questões como a falta de independência durante o processo de recuperação, como sua pele e corpo reagem aos remédios e a ansiedade que temos por ter que passar um período longo de molho, dá uma perturbada na cabeça.

Dessa história eu sei que algumas cicatrizes físicas e emocionais, vou levar pra sempre. Ainda estou no processo da cura física, emocional e psicológica, mas sei que é um processo lento e as coisas acontecem ao seu tempo. Ainda não me sinto curada porque ainda estou em tratamento. Mas hoje sou grata por ter encontrado a minha médica MARAVILHOSA que recomendo de olhos fechados, por meus amigos que ficaram comigo o tempo todo e pela minha família por tanto amor e dedicação. E também porque vi como sou e estou sendo forte e todas as minhas outras questões do dia a dia, trabalho, família… ficaram minúsculas e sei que agora, vou tirar tudo de letra. Quando você está em uma situação que você realmente pode morrer, entende a magia de viver.

Obrigada todas vocês que me enviaram energia positiva. Espero daqui, retribuir esse carinho de alguma forma. Seguimos. Sempre aprendendo, agradecendo e ficando mais forte.

 

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7 marcas de cosméticos veganas e naturais para você conhecer

Que as discussões sobre sustentabilidade nunca estiveram tão presentes, não é novidade pra nós. Mas a preocupação com o impacto que causamos com os produtos que escolhemos para nos embelezar ainda é novidade para alguns. Num mercado que parece não sofrer tanto com a crise, marcas com novos conceitos de consumo de beleza vem despontando nas prateleiras e ganhando adeptos que querem unir consciência ambiental e paixão pelos cosméticos.

Cosméticos veganos, cruelty-free e orgânicos, principais termos usados pela indústria engajada ambientalmente e que ainda geram um montão de dúvidas. Você sabe o que cada um quer dizer? Veganos são aqueles que não se utilizam de nenhum componente de origem animal na formulação. Mel ou corantes oriundos de insetos? Nem pensar! Na categoria dos cosméticos com selo cruelty-free (livre de crueldade), estão aqueles que não realizam testes em animais, ainda que essa discussão seja muito polêmica. Alguns países como a China não permitem a comercialização de cosméticos que não sejam testados desta forma, com isso muitos protetores da causa animal não reconhecem marcas que comercializam seus produtos nestes locais como verdadeiramente cruelty-free, por acreditarem que em algum momento da cadeia produtiva, até as mãos do consumidor, é realizado algum teste. Um órgão chamado PETA (People for the Ethical Treatment of Animals) divulga regularmente as listas de cosméticos considerados cruelty-free. Vale a pena olhar antes de comprar um novo creme ou item de maquiagem ou ficar de olho nos selos “cruelty-free” que aparecem em muitas embalagens e sites. Já os orgânicos são produzidos exclusivamente com ingredientes naturais certificados e dentro dos princípios de sustentabilidade, pois são ecologicamente corretos e socialmente justos, se preocupando com as comunidades envolvidas e com resíduos não poluentes. Não contém nenhum tipo de componente sintético como parabenos, derivados do petróleo, sulfatos, formaldeídos e fragrâncias artificiais, ingredientes danosos pra saúde, causadores de possíveis alergias e doenças graves como câncer.

Com esse intuito, vamos conhecer algumas marcas bacanas e responsáveis em sua produção?

Lush: Marca delicinha de cosméticos frescos, feitos à mão, cruelty-free e sem embalagens! Só amor! A Nuta já fez um post bem completo sobre a marca aqui.

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Bioart: Pioneira no Brasil em criar eco make-ups! Linha incrível de biocosméticos e maquiagens veganas e orgânicas.

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Feito Brasil: Tive o prazer de conhecer pessoalmente o filho da fundadora da marca e conversar com ele sobre todo o processo de fabricação dos produtos, fiquei encantada! A marca é cruelty-free, vegana, feita artesanalmente, com embalagens recicláveis, pratica comércio justo e valorização do ser humano. Ainda pratica o empoderamento feminino. Sim! As mulheres lideram a marca, ocupando os principais cargos de chefia, produção e gestão.

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Dona Orgânica: Marca com linha completa de maquiagem orgânica e cruelty-free. As embalagens são uma graça!

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Alva: Marca alemã de cosméticos e maquiagem. Todos os produtos são veganos, cruelty-free e orgânicos!

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Obsessive Compulsive Cosmetics: Queridinha dos maquiadores, tem uma linha enoooorme de maquiagens veganas e cruelty-free, incluindo cores moderníssimas. Foram pioneiros na criação do Lip Tar, o famoso batom líquido. É gringa, mas vale a pena se juntar com as amigas e dividir o frete.

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Lola Cosmetics: Produtos incríveis para os cabelos, veganos e cruelty-free. Eu amo o Garota Veneno (ótimo para o retoque periódico das ruivas). As linhas para cabelos crespos e cacheados e a linha de tintas coloridas também fazem muito sucesso.

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O que não falta é opção bacana, ambientalmente e socialmente, né? Vale super a pena ter mais cuidado ao escolher aquilo que a gente consumir a partir de agora.  Bora tentar!?

— ♥ —

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O que um corte de cabelo pixie pode fazer por você

pixie hair

Eu era dessas que chegava no salão munida de várias referências – seja recorte de revista, print no celular ou pastinha no Pinterest – e com muita expectativa. Sempre esperava sair de lá me sentindo outra Mariana – e nunca funcionou. Em parte porque um processo de transformação pessoal não é simples assim. Depois que entendi isso, a única coisa que eu queria mesmo era um corte prático. Os outros, você seguiria admirando pelo Instagram. E foi nessa que eu senti meus olhos brilharem de novo – mesmo sem querer acreditar. Primeiro a gente começa juntando referência do que poderia realmente ficar bom na gente, depois sai jogando um verde com os mais chegados pra ver se colhe maduro. Pensa, pondera, decide, desiste, decide de novo, liga e marca um horário – antes que desista mais uma vez. E foi! Sem muito planejar, com referências que não casavam entre si, sem muita ideia do que eu queria, mas sabendo exatamente o que eu não queria, eu fiz o famoso pixie, conhecido por aqui também como “joãozinho”, uma forma sutil de dizer para mulheres que você está investido em um corte considerado masculino.

Tudo que eu escrevi até agora, foi pra chegar aqui. É aqui que realmente começa o sentido deste texto. É uma reflexão (ainda pequena) do impacto de um corte de cabelo quando ele foge do convencional, do que se espera de um mulher.

Primeiro, antes que você perceba como isso pode afetar você, é visível o impacto nos outros. As pessoas em geral não entendem e querem saber por quê; “afinal, é uma mudança muito drástica!”, disseram. Teve quem perguntou se era promessa e quem também agradeceu por não ser “uma dessas doenças que faz cair o cabelo”. Gente que perguntou se eu era doida, ou se estava passando por algum momento difícil. Uma hora você se acostuma e responde quase no automático que não tá doente, não era promessa, que cortou porque tinha curiosidade, que gostou bastante do resultado. É muito difícil para a maioria das pessoas, entenderem que sim: Ter um corte pixie é uma escolha feliz, saudável e resultado de muita resolução com a sua autoestima, não ao contrário.

E aí você vivencia o dia a dia. E nem tudo é foto de Instagram. Acordar parecendo uma catatua é de lei; tem dia que ele não abaixa, ou que não desamassa; e que fazer um rabo era mais fácil; tem dia que você se olha no espelho de camiseta e calça de pijama e se acha sim, a cara do seu irmão sem barba.

Mas é sim libertador. Você se testa e reflete sobre padrões, sobre cultura e empoderamento; dias que você nem acredita que cortou, mas agradece mentalmente ao seu cabeleireiro por não ter te dado tempo de pensar duas vezes. E nesses dias você consegue ver o que o tal do Joãozinho pode fazer por você.

Você passa a reparar no que antes não fazia diferença, como o formato da sua cabeça. Eu já me peguei em frente ao espelho, enquanto secava o cabelo, observando o que antes eu nunca tinha dado bola, mas agora eu conheço exatamente como é. Um corte de cabelo pode te dar a chance de se conhecer mais por dentro e por fora. Ou em como naquela partezinha ali ele vira de uma forma diferente, ele tem um redemoinho…

Sem meus quase 50 cm de cabelo para jogar para um lado e para o outro, eu tive que pensar em outra forma de me sentir feminina e sensual porque não ensinam isso pra gente. Ensinam a sermos dependentes do cabelão. Eu sempre me ancorei no cabelão (e nas suas infinitas jogadas) para completar o sorriso, para fazer charme, para me sentir mais feminina e até mais menininha, quando queria. Eu tive que começar a prestar atenção em mim. Em meio a tantas coisas no dia a dia, eu tive que me forçar a prestar atenção em mim para descobrir o que sempre esteve ali, mas eu nunca tinha dado importância. E aí você percebe mãos, gestos, novas formas de sorrir e quando usar cada uma delas. Valoriza também sua postura e a forma de andar. E sem tanto cabelo na cara, aguça mais o olhar.

A gente cresce com esse complexo de Sansão, achando que nossa força, nossa chance de ser notada pelos potenciais parceiros sexuais e amorosos e a nossa beleza estão condicionados ao fato de ter um cabelo longo, sedoso, brilhante e com leves ondas. Mas tem um mundo aí de variedades que precisa de visibilidade e de estímulo. E as mulheres não são incentivadas a refletir sobre isso. Outra coisa que o meu Joãozinho me deu foi essa vontade de parar um pouquinho e me perguntar “por que?”. Por que as pessoas estranham? Por que a gente existe tanto receio? Por que esse estereótipo besta da “maria sapatão”? A gente vai refletindo sobre uma coisinha aqui, outra ali… E quando vê, já refletiu um bocado sobre como a mulher é vista, tratada e o que se espera dela nessa sociedade.

Não é que você tem que cortar, ou tem que deixar natural, ou tem que deixar crescer… Ter, a gente não tem que nada! Mas se dar a chance, se permitir e tentar, pode levar a gente muito além do que a gente imagina.

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30% de desconto para leitoras GWS nas novas cores de batom Natura!

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Sempre comentamos nas redes sociais que uma das nossas marcas de beleza nacionais favoritas é a Natura! Além dos produtos serem de qualidade inegável, não testam em animais e adoramos a forma que eles falam de autoestima feminina.  É tão legal amor correspondido, né? Por isso, ficamos muito felizes quando a Natura procurou a gente para oferecer 30% de desconto para leitoras GWS nas novas cores de batom! Legal, né?

É a chance perfeita para experimentar a nova linha inspirada no conceito “smart makeup” com produtos multifuncionais e cores incríveis como roxo, azul, branco e preto! Com esse conceito, você pode misturar os batons entre si ou com outros batons, para conseguir novas cores. O batom preto por exemplo, escurece qualquer cor e deve ser sempre aplicado por cima. Já o branco, deve ser aplicado antes da cor que deseja clarear. Todos esses novos lançamentos, tem acabamento matte, com fórmula hiperpigmentada e com longa duração. Quer ver todas as cores, algumas possíveis misturas e embalagens? A Nuta mostrou lá no snapchat: NutaGWS ou na história do GWS no instagram: @GWS_mag!

Ficou a fim de experimentar e comprar com 30% de desconto?

Só acessar rede.natura,net e utilizar o cupom GWSMAG e ganhar seu desconto até o dia 15/09/16. E claro, depois conta pra gente quais misturas você fez!