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Circuito SOMAS

Quando a Larissa Conforto marcou uma reunião com a gente querendo colocar em prática algumas ideias que estavam na cabeça dela, a gente já sabia que era coisa boa. Ela é uma dessas minas que a gente admira pra caramba, é baterista da banda Ventre e muito engajada nas causas de empoderamento feminino. Ela tinha acabado de voltar de uma experiência incrível que é o Girls Rock Camp, que participou como voluntária e o objetivo dela é conseguir trazer esse evento maravilhoso pro Rio algum dia ainda. Mas como existe uma burocracia pra isso e ela queria muito colocar alguma coisa em prática já agora pro Dia Internacional da Mulher, a gente sentou e pensou em várias coisas que podíamos fazer unindo forças com outras garotas. Daí surgiu a ideia de um circuito de eventos, onde cada grupo utilizasse seus espaços pra levar cultura, aprendizado, música, entretenimento, arte e autoestima pra outras mulheres: a SOMAS.

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Começando na quinta-feira (09/03), a inauguração do circuito acontece no estúdio Polo Norte, na Zona Norte, e contará com a apresentação da banda capixaba My Magical Glowing Lens, um bate papo com a editora e sound designer Vitória Parente, além da exibição do curta de terror “Não Olhe Agora”, que fala sobre assédio. O grupo do Espírito Santo está prestes a lançar novo álbum em maio deste ano e apresenta canções inéditas no evento. Com uma performance enérgica e psicodélica, o show da My Magical Glowing Lens é irreverente e criativo. A apresentação faz parte da turnê nacional que já passou por Nordeste, Sul e  Sudeste.  Os ingressos variam entre 15 e 20 reais.

Já na sexta-feira (10/03) é a vez do “Chá de autoestima”, com a Nuta Vasconcellos, no nosso Espaço Criativo. As vagas são limitadas, porque o espaço é pequeno! Então estamos fazendo as inscrições por email ([email protected]). Só colocar no assunto: “Inscição Chá de Autoestima” e esperar a confirmação. É de graça!!

Com uma pegada mais baladeira, o Motim abre as portas no sábado (11/03) para a festa “Entendidas e Caretas”, que contará com o set da DJ Cris Borges, além da apresentação burlesca de Patrícia Gia Nut. O evento também recebe a banda de punk Ostra Brains, e ainda exibe a exposição de Cris Urf e do coletivo Elva. A entrada custa 10 reais. Fechando a programação, no domingo (12/03), é dia de soltar a criatividade nas oficinas de zine e montagem de palco/som. Haverá também roda de conversa e baile Riot, com a discotecagem da Sosó Soso. Os ingressos custam cinco reais.

Os precinhos são amigos e as atrações são maravilhosas! Pra saber mais informações de horários e endereços, é só entrar no evento do facebook: circuito SOMAS.

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Dutch Bob: O cabelo mais cool de todos os tempos

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Outro dia, eu estava procurando fotos da Natalie Portman no filme Leon – que aqui no Brasil ganhou o nome de “O Profissional”-  para o tumblr do GWS e aí me caiu uma ficha: Vocês  já repararam que esse corte de cabelo, o mesmo que Portman usa como a personagem Mathilda no filme é quase o cabelo oficial das garotas rebeldes, modernas e cheias de atitude dos filmes e até da vida real? O corte “Dutch Bob”, que também podemos chamar de Bob com franja. No filme francês, Mathilda é uma órfã, inteligente, sagaz e esperta, que acaba se tornando aprendiz de um assassino profissional.

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Não me surpreende o fato de que esse estilo de corte, sinônimo de atitude, tenha surgido nos anos 20.  Inclusive, já falei nesse post sobre a importância dessa década na vida de nós mulheres. Os anos 20 foram importantíssimos para a construção e evolução dos nossos direitos até estéticos. Aliás, foi lá naquela década que surgiu talvez a primeira rebel girl do mundo, Louise Brooks, atriz e com certeza, uma mulher a frente do seu tempo que, claro, usava o corte Bob com franja. Naquela época, uma mulher cortar o cabelo tão curto, era sinal de independência e rebeldia.

A revolução que esse cabelo causou foi tanta, que Scott Fitzgerald, o autor de O Grande Gatsby, escreveu um conto chamado “Bernice bobs her hair” que conta a história de uma transformação da menina doce da sociedade para vamp!

Ao longo da história do cinema, são incontáveis as personagens alternativas que usam o corte. Um dos mais emblemáticos na minha opinião, foi sem dúvidas Uma Thurman no filme de 1994, Pulp Fiction, interpretando Mia Wallace. Personagem que acabou inspirando, na vida real, a atriz mega descolada, Krysten Ritter. São várias personagens marcantes do cinema com o corte Bob de franja. Mas o que sempre me chama a atenção, é que são sempre mulheres revolucionárias, modernas, alternativas… Curioso, né?

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Força aí a memória pra você ver: Amélie Poulain, Jordana (do filme Submarine), Leeloo (personagem de Milla Jovovich no filme, O 5º Elemento). Madeleine (do maravilhoso filme francês Masculin, Féminin) e uns dos mais recentes, o filme britânico “God Help the Girl”, com a personagem Eve, vivida pela linda Emily Browning. Isso claro, sem citar de novo, Natalie Portman e sua peruca rosa em Closer – Perto Demais.

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Qual será a magia desse corte gente!? Só cortando pra saber! Quem já teve, tem ou quer ter um Dutch Bob? Conta pra gente aí nos comentários.

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Vamos falar de: Mad Max, masculinistas e falsa simetria

Por Pollyana Assumpção:

Muito foi dito sobre o estouro que foi a estreia do novo Mad Max nos cinemas. Mad Max foi um dos filmes que mais passava nas tardes da TV durante minha infância e adolescência e toda vez que pensava no filme me vinha a cabeça a música da Tina Turner. Vai ver a pequena feminista que morava em mim já preferia lembrar da personagem feminina do filme que do Mel Gibson. Mas de qualquer forma, li inúmeros “textões” discutindo sobre as questões feministas do filme. Isso me fez ficar morrendo de curiosidade sobre o novo Mad Max e comprei minha pipoca e fui pro cinema.

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Cheguei lá e tirando o fato de que o filme é ótimo e eu adoro fogo, ação, tiro, porrada e bomba, eu não achei o filme feminista. Pra mim a coisa mais revolucionária que existe no filme é que ele ousou tratar seus protagonistas com igualdade, embora existam questões que tratem da exploração sexual de um grupo de mulheres, do empoderamento de um clã feminino e da diversidade de corpos dentro do filme, ainda assim não o vi como feminista. A história ainda colocava as mulheres em posição diferenciada dos homens. Mas esse post é para falar sobre outra coisa. Fiz essa introdução toda porque gostaria de falar sobre os masculinistas. Já ouviu falar desse grupo de rapazes? Os masculinistas foram os caras que começaram a reclamar do suposto feminismo em Mad Max e que levantaram essa bandeira tão forte que criaram um marketing sobre a questão, talvez arrastando muito mais mulheres ao cinema do que teria existido originalmente. Esses caras ficaram ofendidos pela existência de uma protagonista mulher forte, com história e objetivos e que não fosse apenas a mocinha salva pelo herói. Esses caras ficaram irritados porque a protagonista mulher cai na porrada com o protagonista homem em pé de igualdade. Esses caras pregam em grupos de internet e sites voltados para outros imbecis como eles que mulher é inferior e tem que ser maltratada mesmo pra se comportar como eles querem. Esses caras acreditam que as feministas estão destruindo os direitos dos homens. E como diria Leslie Knope na minha série feminista favorita, Parks and Recreation: men’s rights is nothing.

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Vamos falar sobre falsa simetria. Falsa simetria é aquilo que faz com que algumas coisas sejam ridículas: direitos dos homens, heterofobia, racismo reverso, magrofobia e todas essas coisas absurdas que os haters da internet gostam de falar que existe. E por que elas não existem? É muito simples, gente: grupos social e historicamente superiores que outros não sofrem pelo que são. Eles na real impõem o sofrimento alheio. Pessoas brancas nunca foram escravizadas e sofreram as consequências históricas de sua exploração que os colocou num buraco social difícil de sair até hoje. Heterossexuais não são expulsos de um lugar por mostrar afeto em público, nem são alvo de boicote porque as pessoas não gostam de propaganda de héteros no dia das namorados. Gente magra nunca teve medo de não passar numa entrevista de emprego porque os entrevistadores podem achar que são preguiçosos por causa da sua forma física. E definitivamente homens nunca foram oprimidos apenas por serem homens, nunca foram considerados inferiores que mulheres e nunca precisaram se preocupar com o tamanho das suas roupas ao andar na rua.

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Na próxima vez que você estiver por aí e encontrar alguém reclamando de qualquer uma dessas coisas e cogitar concordar com ela, lembre-se do que é privilégio. Privilégio é aquilo que faz com que você esteja em uma situação mais confortável que a outra pessoa oprimida. E tudo o que masculinistas – ou mascus pros íntimos – querem, é manter de qualquer forma os seus privilégios enquanto classe opressora. Eles não querem ver o Mad Max tomando porrada da Imperatriz Furiosa, eles não querem ter uma chefe mulher ou uma colega de trabalho que tenha a mesma função e o mesmo salário que eles, porque pra eles, mulheres valem menos e deviam continuar na cozinha e os obedecendo como antes. Os masculinistas levam o machismo as últimas consequências apoiando, por exemplo, estupro corretivo para lésbicas, apoiando o extermínio de gays e pessoas trans. No discurso da grande maioria, a misoginia também vem de mãos dadas com o racismo e o preconceito de classes. Sejam atentas ao discurso dos homens que vocês conhecem. Os mascus se escondem onde você menos espera e às vezes por trás de uma piadinha machista que todo mundo acha normal, está tudo o que existe de mais podre no ser humano. Fiquemos atentas ao perigo e que ainda sejam feitos muitos filmes que chutem esses agressores diretamente no saco!

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Por que basear toda nossa felicidade na ideia de encontrar alguém?

Quando pensamos em histórias, na maior parte das vezes começamos com um “Era uma vez”. E essa “uma vez” frequentemente acaba em “Felizes para sempre”. Bom, primeiro, vamos pensar na ideia de “final feliz”. Será que ele só existe quando o personagem principal acaba em um relacionamento romântico?

Relacionamentos são toda a chave do sucesso e da felicidade assim como vemos no cinema? Será que temos mesmo que basear toda nossa felicidade na ideia de encontrar alguém? E as personagens que acabam solteiras nos filmes são “tristes para sempre?” Nesse ponto do texto, você já deve estar imaginando que estamos falando de filmes e de finais de filmes, mas em caso de dúvida, já digo que o post contém spoilers.

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Cena do filme / Foto: Reprodução

Mesmo Se Nada Der Certo (Begin Again)

Um filme de 2014 protagonizado por K​eira Knightley que interpreta Gretta, uma inglesa que se muda temporariamente para Nova Iorque para acompanhar o namorado (interpretado por Adam Levine), músico que conseguiu um contrato com uma gravadora. Gretta sabe que só está lá por causa do namorado e fica feliz por ele ter conseguido uma grande chance e por ser reconhecido por seu trabalho, mas quando descobre que está sendo traída e se vê parcialmente sozinha na cidade, sua vida fica um pouco fora de perspectiva.

Gretta não fica apenas solteira no final do filme, mas decide voltar para Inglaterra. Só porque os protagonistas não terminam o filme juntos, não quer dizer que o filme seja triste e não possa tratar de relacionamentos de maneira profunda.

 

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Cena do filme / Foto: Reprodução

Namorados Para Sempre (Blue Valentine, 2010)

Podemos dizer o mesmo desse filme que transita entre o passado e o presente de um casal cheio de incertezas interpretado por Ryan Gosling e Michelle Williams. O relacionamento que começou cheio de paixão, vai se deteriorando com a rotina, com a vida adulta e as obrigações.

 

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Cena do filme / Foto: Reprodução

Annie Hall (1977) de Woody Allen

Um clássico, que também mostra uma relação que não sobrevive ao tempo e as diferenças e apesar disso, nunca deixou de ser referência em filmes sobre amor. Annie (Diane Keaton) e Alvy (Woody Allen), foram baseados bastante nos próprios atores e felizes-pra-sempre2no relacionamento que eles tiveram anos antes.

Quando vemos um filme nos envolvemos com os personagens e queremos sempre que eles terminem bem, já que por algumas horas nos envolvemos com aquelas histórias e vidas, mas nem sempre “felizes para sempre” tem que envolver um relacionamento amoroso.

Muitas vezes depois de tentarmos encontrar nossas realizações em um relacionamento, encontramos a nós mesmas e nos tornamos mais fortes, mais certas de quem somos e do que merecemos. Como bem vimos Alice Ayres (Natalie Portman) em Closer (2004).

Dizem que é “impossível ser feliz sozinho”, mas eu acredito que é impossível ser feliz se não soubermos ser felizes sozinhos. A felicidade definitivamente não está necessariamente em encontrar alguém. O autoconhecimento e o amor próprio são sempre garantia de um “feliz para sempre” sozinha ou acompanhada. Relacionamentos são toda a chave do sucesso e da felicidade assim como vemos no cinema?  

Por Natasha Ferla:

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