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Você se cobra muito ou está só se criticando demais?

Você se cobra muito ou está só se criticando demais?

Você se considera uma pessoa que se cobra muito? É comum que a gente se sinta frustrada em diversos momentos da vida. Que a gente se sinta esgotada e perdida e achando que estamos nos cobrando demais. Mas será que o que estamos fazendo são realmente cobranças ou são autocríticas?

Será que nosso cansaço mental está refletindo nossas ações reais ou esse estresse vem das incertezas e das infinitas projeções que fazemos na nossa cabeça? Será que você está se cobrando mesmo, se motivando ou está virando uma pessoa que só reclama?

Eu acho que a gente tem que se cobrar sim. Se você quer realmente fazer alguma transformação na sua vida, você precisa se cobrar. Agora você é adulta e não tem mais ninguém pra fazer isso por você. É a tal da autorresponsabilidade.

Ainda que você terceirize sua alimentação para um nutricionista, sua educação para um mentor, seus exercícios físicos para um personal, ainda é você sozinha, que precisa levantar e ir em busca do que deseja. Ainda é você sozinha que precisa priorizar o que tem que ser feito e se colocar para fazer aquilo.

Não se cobre tanto à toa, eu diria. Não se cobre por metas inalcançáveis. Não se cobre por não conseguir o que é impossível agora.

Antes de mais nada, inclua na sua rotina, a busca pelo autoconhecimento. É ele que vai te poupar tempo e ansiedade. Saiba o que você quer, desenhe, liste, visualize. Não deixe “a vida te levar”. Aí sim, você será capaz de se cobrar em um nível mais saudável, mais realista e, portanto, positivo.

Relaxar, saber descansar é importante e fundamental, mas existem períodos em que a gente precisa se sobrecarregar sim para avançar naquilo que nos propomos. Então, quando a gente sabe o que quer, fica mais fácil direcionar nossos esforços na direção certa. Mas ainda vamos ter períodos turbulentos.

O que quero dizer é: acolha o caos também. Ele faz parte. Se cobre diariamente para cumprir suas metas, para subir um degrau, para realizar o que você mais deseja. Não se cobre para dar conta de tudo, para ser perfeita. Não se cobre para cair num looping de frustrações e acabar paralisada e inerte. E você só vai saber isso quando aprender a priorizar.

Se faça perguntas do que é importante pra você. Como você quer que a sua vida seja? Onde você quer morar? Que tipo de trabalho você quer realizar na sua vida? Pra onde quer viajar? Com que tipo de pessoas gostaria de se relacionar? Tenha em mente o que você quer ser e quais são os pequenos passos que te levarão até lá. E se cobre para cumpri-los!

A gente precisa saber parar com as autocríticas severas de que não damos conta de nada, de que não somos capazes, de paralisar diante da primeira dificuldade.

Alguém um dia colocou na sua cabeça que se você não tiver resultados rápido, visíveis a “olho nu”, então você não está fazendo certo, ou então você não é capaz. Pare já com isso! Construir algo, mudar algo, leva tempo. Valorize a constância e se abra para o longo prazo. Faça seus planejamentos com janelas grandes de tempo. Foque mais no processo, no dia a dia, nas sensações novas, em aprender, do que no resultado.

Tudo que você vê de quem conseguiu aquilo que você também deseja, é uma consequência de várias pequenas atitudes. Status profissional, dinheiro, liberdade, casamentos longos, corpo sarado, concurso público… Pra alcançar qualquer objetivo leva tempo, precisa de esforço e também de foco. As pessoas que são disciplinadas e mantém a constância daquilo que fazem, não estão se preocupando somente com o resultado final. Elas vivem o processo e o resultado é uma consequência disso.

O que eu quero dizer aqui, é que não existe um ponto de chegada. Você não pode parar porque atingiu o objetivo. A sua vida continua. Então, se você malha pra ter um “corpo perfeito”, o que vai acontecer quando você chegar no “corpo perfeito”? Você vai parar? Provavelmente não. Provavelmente, se você chegou até o que queria de maneira lenta e constante, você já sabe que precisa manter uma rotina para que isso se perpetue na sua vida. Se você escolheu atalhos e soluções “mágicas”, provavelmente em pouco tempo você voltará para a estaca zero e sentirá a frustração tomar conta de você.

Se cobre! Se cobre pra ser sua melhor versão, mas faça isso com clareza. Se cobre para começar. Tem dias que você vai dar 100% de você e tem dias que você só vai conseguir 30%. Mas se cobre sim, para sair do zero. Se cobre para fazer o que tem que ser feito e não para se sentir algo que você ainda precisa construir pra ser.

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Sobre perdoar minha mãe e enxergar o lado bom dela…

perdoar minha mãe

Eu tive uma relação muito conturbada com a minha mãe. A gente passou boa parte da vida se agredindo, se culpando e se magoando, mas não foi sempre assim.

Ela era uma menina muito livre, vivia em um lugar pobre, chamava atenção pela beleza e a aposta era que ela seria uma artista: tão bonita, tão extrovertida…

Seus sonhos eram grandes, mas sua realidade (e falta de alguma coisa que eu não saberia identificar – oportunidade? amor próprio? determinação?) sempre podaram a imensidão que cabia dentro dela.

perdoar minha mãe Como toda pessoa sensível demais, era dada às aventuras mundanas e aos prazeres da vida. Me teve com 18 anos, depois de já ter engravidado outras vezes (eu sou filha única, no entanto). Era uma menina, animada, que às vezes tinha muito senso de responsabilidade, mas às vezes só queria viver sua juventude.

Desde que eu me lembro as drogas estavam presente na vida dela. E com certeza esse foi o seu maior obstáculo na vida. E o que levou a nossa relação ao limite também.

Mas hoje seria o aniversário dela. 56 anos. Ela adorava festejar, comemorar e eu queria pensar e buscar dentro de mim todas as coisas boas que ela fez por mim ou que eu admirava nela.

Porque antes até dela ir embora eu já queria mudar nossa convivência. Então, agora que ela não tá aqui faz menos sentido ainda remoer tanto as coisas ruins.

Ela era extremamente carinhosa e eu tinha uma paixão cega por ela quando era pequenininha. Todas as crianças amavam ela, queriam estar perto dela e aquilo me consumia de ciúmes… Mas ela tinha carinho pra dar pra todo mundo.

Ela me ensinou e ser generosa, a ajudar os outros. Lembro quando teve o Tsunami e montaram um posto de recolher doações aqui do lado de casa. Ela me levou pra gente ficar lá ajudando a receber, separar e encaixotar tudo… foi meu primeiro trabalho voluntário e eu aprendi muito com aquilo.

Ela falava muito de caridade e era sempre a pessoa que pensava em agitar o “lanche das crianças” em qualquer oportunidade. Ela era louca por criança.

É difícil me lembrar da parte boa da adolescência quando penso nela, porque foi realmente difícil entre nós, ela era muito instável, mas nas horas melhores, ela me apoiou em ser uma Spice Girl (!) e em ter um relacionamento com outra menina.

Ou quando eu quis fazer faculdade de moda, ela mexeu todos os pauzinhos e conseguiu uma bolsa de 60% pra mim. Ela acreditava que a gente tinha que ir atrás do nosso sonho, da nossa independência e ser feliz. Ela só esqueceu de fazer isso por ela mesma.

O melhor amigo da minha mãe era um homem gay. Nos anos 80 era bem diferente, um verdadeiro tabu. Mas ela lutava pelo direito dele de existir e me ensinou sobre preconceito. Ela me defendia como uma leoa e isso foi bom e foi ruim porque quando eu era criança e outra criança brigava comigo, ela ia lá brigar com a criança pra me defender (!), mas quando um amigo mais velho dela insinuou dar em cima da filha dela adolescente, ela foi pra cima dele tão forte que o homem teve que mudar de cidade.perdoar minha mãe

Aliás, ela me ensinou educação sexual desde novinha. Uma coisa que eu não vi acontecer com outras muitas amigas da minha idade.

Eu tenho muito nítido na memória o quanto ela se esforçava e sentia prazer em me dar coisas que eu queria muito, o quanto ela era destemida e me levava pra todos os cantos com ela.

Lembro das viagens, da gente indo de carona pra praia, de lugares que provavelmente uma criança não deveria estar… Lembro dos namorados legais que ela teve, dos inúmeros apelidos que ela me dava e me chamava, de como se emocionava com a lua cheia. Da comida e do tempero que era só dela. Às vezes eu lembro do cheiro dela.

Ironicamente, o que eu mais lembro de bom dela era o cuidado e o carinho que ela tinha comigo. É irônico porque as agressões foram muitas também.

Enfim, todo mundo tem seus momentos, seu lado bom e ruim. Ainda mais com vício norteando toda sua vida. Mas eu queria colocar em palavras a sensação boa de ter sido filha da Nayra, porque eu já falei muito sobre a parte ruim. Todo mundo sabe que perder ela foi a coisa mais difícil que eu já passei na vida. É uma saudade estranha, eterna, é um papel social que acabou pra mim: o de filha.

É um enorme clichê mas eu sei que apesar de todas as coisas, ela era a única pessoa que daria a vida por mim. E isso é imenso e carregado de significados, não só o literal, de morrer por outra pessoa. Não acho que isso seja inerente a todas às mães, não pretendo romantizar nada. Mas eu sei que com ela era assim.

Espero que hoje seja um dia de festa e alegria em alguma dimensão onde ela possa comemorar e se divertir.

— ♥ —

Por Marie Victorino

 

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Planejamento financeiro: Como lidar com o dinheiro em tempos de coronavírus

planejamento financeiro

Nós do Invista como uma garota sempre falamos que a vida é muito mais fluida que uma planilha e que os planos mudam. Mas claro, ninguém estava contando com uma mudança tão drástica, algo que só uma pandemia pode causar ao nosso planejamento financeiro. Então o que podemos fazer e aprender nesse período tão turbulento de coronavírus em relação ao nosso dinheiro? Segue alguns pontos importantes:

Entender de uma vez por todas a importância da reserva financeira

Acreditamos que agora, mais do que nunca, é possível entender a importância de ter uma reserva de emergência. Perguntando para as garotas que nos seguem no nosso Instagram, esse foi o maior aprendizado em relação a dinheiro durante esses dias. Seja porque é o que está salvando ou porque precisou dessa reserva e não tinha. Independente da sua situação, a mensagem é para entendermos o quanto é fundamental conhecer mais sobre isso e colocar em prática o quanto antes porque é ela que nos permite passar por momentos tensos como o que estamos vivendo agora. Já falamos sobre isso aqui no Chá de Autoestima!

Dá uma lida nos textos: Como organizar suas finanças, Planejamento e orçamento financeiro mensal: Como fazer e 5 dicas para (finalmente) conseguir juntar dinheiro.

Se pergunte o que realmente é essencial (agora e depois) 

O que é realmente essencial e importante na sua vida? Vimos uma frase na internet que dizia: “É engraçado, a economia está prestes a colapsar porque as pessoas estão comprando apenas o que precisam”. Ninguém tá dizendo aqui que quando a pandemia passar a solução para não gastar é ficar sem sair de casa, sem viajar, sem comprar coisas novas – nosso ponto não é esse – mas esse momento talvez tenha possibilitado uma reflexão do que realmente é importante pra gente e, consequentemente, onde deveríamos usar nosso dinheiro.

As pessoas estão se reinventando e com isso a forma que usam o dinheiro também. Seus gastos com alimentação aumentaram ou diminuíram? Agora talvez ache importante fazer terapia? E algum curso novo? Será que a academia não tá pesando o orçamento? Não é possível mesmo fazer exercício de graça em casa depois que tudo passar? Aprendeu a fazer as unhas sozinha?

Agora que toda saída tem que ser planejada, quanta besterinha, que consome metade do seu cartão de crédito, você deixou de comprar na farmácia? Na padaria? Naquela fast-fashion? Quanto desses itens você percebeu que são dispensáveis? Esse é o raciocínio para você começar a construir uma reserva financeira.

Negocie as dívidas 

Pra você que tem uma dívida, esse talvez seja um bom momento para tentar negociá-la. A Selic, que é a nossa taxa de juros, nunca esteve tão baixa e portanto as instituições estão com mais necessidade – e vontade – do que nunca de receberem o que lhe devem. Para esse momento, se preparem: entendam quanto estão pagando de juros, quanto que está a taxa de juros hoje, quanto que é uma parcela que cabe no seu bolso. Quando chegamos com esses argumentos bem desenhados, fica mais fácil de negociar melhores saídas e soluções.

Peça ajuda

Em meio a tudo que está acontecendo, muita gente perdeu o trabalho ou teve uma baixa grande no orçamento. Estamos vivendo um momento único na história recente. As empresas e as pessoas estão mais abertas a ajudar. Não se feche, não tente resolver tudo sozinha, não se sinta insegura ou tenha vergonha de pedir ajuda e dizer que está com dificuldades, seja para conversar com o banco, seja para pedir para atrasar o aluguel um mês, pra pedir uma ajuda pra um amigo/familiar ou pra fazer outros tipos de trabalho.

Converse sobre o assunto e faça também com que boas soluções cheguem até mais pessoas. Ouvimos histórias de inquilinos que deram 50% de desconto para quem teve o salário reduzido nesse valor, histórias de financiamentos coletivos para quem não está podendo trabalhar, dando certo… Vá atrás dessas opções e também das que os governos e os bancos estão criando. Você pode se surpreender com as possibilidades.

— ♥ —

Texto por Vic e Aninha:

O Invista Como Uma Garota começou em 2018 como um projeto que aproxima mulheres com diálogos informais e sem tabu sobre dinheiro. Questões da mulher no mercado de trabalho, investimentos e orçamento pessoal são temas que abordamos. Somos apaixonadas por educação financeira e economia comportamental e encontramos assim uma forma de contribuir com a liberdade da mulher e sua autonomia financeira.

 

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O GWS chega ao fim! (Mas todo fim é um novo começo)

O GWS chega ao fim

É super difícil começar esse texto sem me emocionar. Sabe quando a gente respira fundo antes de escrever pra ver se dessa forma conseguimos segurar o choro e seguir com o texto? Pois é, é o que tá rolando aqui no momento. É impossível contar a história do GWS sem falar da minha própria  jornada pessoal de crescimento e desenvolvimento e perceber como a vida realmente escolhe os caminhos mais aleatórios para te levar onde você deve estar.

O GWS nasceu Girls With Style em 2005 (sim!) como uma comunidade no Orkut. Eu tinha 20 anos e naquele tempo, minha única intenção (consciente) era encontrar meninas que assim como eu, amavam moda, as irmãs Olsen, Nicole Richie e copos do Starbucks (o que tinha dentro era o de menos).

A comunidade era fechada, você tinha que pedir autorização pra entrar, o que gerou boatos de que a seleção da moderadora que vos fala era uma coisa “mean girls”. Na verdade, era apenas uma forma de garantir que seriam apenas nós, mulheres. Sem perceber, talvez no meu subconsciente, eu já queria criar uma rede de apoio e me conectar com histórias de mulheres de forma mais profunda.

A comunidade cresceu super rápido e apesar de moda ser um dos interesses do grupo o que aconteceu ali foi amizade real entre mulheres. Muita troca, desabafos e encontros na vida real formando algumas amizades que duram até hoje, 14 anos depois. Sabe o que rola agora nas comunidades do facebook? Pois é o GWS era assim, lá em 2005.

Lembro que a cada minuto apertando o F5 você encontrava uma postagem nova, principalmente no tópico chamado “Confessions” onde a gente conversava sobre as angústias do coração e do início da vida adulta. Meu Deus, como eu aprendi e compartilhei ali sobre as pressões e cobranças que nós mulheres sofremos desde muito, muito novas e como isso nos deixa tão inseguras tão jovens.

Três anos depois, em 2008 a comunidade seguia forte, mas o Orkut já dava sinais do seu fim… Nasceu assim a vontade de fazer algo próprio, que não dependesse de redes sociais para existir e eu chamei as minhas duas melhores amigas para embarcar em uma nova jornada comigo. E foi assim que a Marie Victorino e a Carol Guido entraram no GWS, quando ele nasceu como blog. Apesar de eu sempre ter sido a pessoa que mais “apareceu” na frente das câmeras, o GWS jamais teria crescido e se fortalecido sem a nossa amizade, cumplicidade, talentos, trabalho, dedicação, idéias e empenho.

Quando o blog começou, falar de moda ainda era algo muito importante pra gente. Principalmente pra mim  que estudava moda e que sonhava trabalhar no meio. Sempre procurei falar de moda de forma mais profunda. Conectando os textos com comportamento social e relacionando com a trajetória da mulher na sociedade. Não porque eu já me interessava conscientemente em feminismo ou autoestima mas porque sempre amei história e história da moda e era isso que tentava levar para as leitoras.

Look do dia, achadinhos ou must have nunca foram parte do universo GWS (não é uma crítica, sempre gostei de vários blogs nesse estilo!), o que sempre fez com que a gente fosse vista de uma forma um pouco diferente dos blogs que estavam em ascensão na época. Sempre ouvíamos que o GWS era diferente, que era lado B.

Em 2010 eu finalmente consegui trabalhar com o que sonhava desde os meus 15 anos: Moda! Moda de verdade,  jornalismo de moda, semana de moda, gente grande da moda. Consegui uma vaga como assistente da Maria Prata que trabalhava na Fashion TV na época para cobrir um Fashion Rio. Eu estava nas nuvens!

A gente sabe que hoje a moda tenta pelo menos parecer mais inclusiva e empática, mas naquele tempo não era assim e eu levei um banho de água fria quando vi muita coisa que me deixava desconfortável de perto. A cobrança da magreza, da riqueza, da beleza era forte demais naqueles corredores e backstages. Não tenho dúvidas que foi meu primeiro despertar para fazer algo mais profundo. No mesmo ano, eu escrevi um texto sobre a minha relação com meu corpo e resolvi publicar.

Eu “pari” esse texto, depois de uma pergunta (daquelas que a pessoa só está tentando te ofender mesmo) no finado Formspring, o Curious Cat do meu tempo de juventude. Foi um texto meio tímido, meio me sentindo nua em frente a pessoas que eu nem conhecia, mas eu publiquei o “Sobre ser gordinha” em 11 de agosto de 2010.

Nesse momento, eu transformei algo com a intenção de me ofender e me machucar em um texto honesto, forte, de peito aberto, que ajudou muitas meninas. Esse texto foi um divisor de águas pra mim e pro GWS. Foi ali que tive uma resposta incrível de leitoras e eu percebi o quanto era importante falar sobre amor próprio e que eu poderia dar voz e ajudar muita gente apenas escrevendo.

A moda continuou sendo forte dentro do GWS e dentro de mim. Cobrimos algumas semanas de moda, fizemos conteúdos bem legais e diferentes. Em 2012 o GWS até ganhou prêmio da Estácio de “TOP 10 melhores blogs de moda do país” ficando em terceiro lugar, atrás apenas do Garotas Estúpidas e do Modices.

Nesse mesmo ano, eu trabalhei para o FFW, o maior site de moda do Brasil e ver e viver de novo tão intensamente os bastidores da moda de verdade me fez ter certeza que era urgente a vontade de fazer algo mais profundo e significativo. Eu percebi com uma clareza absurda o quanto nós mulheres estávamos presas nas regras de tudo que a gente acreditava que tinha que ser, parecer e cada vez menos conectada com quem nós éramos de verdade.

Foi nesse mesmo ano que o GWS começou a assumir uma postura diferente. Começamos a falar bem menos de moda e mais sobre autoconhecimento, sobre ser você mesma, sobre se libertar dos padrões, sobre aceitação corporal e feminismo. E eu mergulhei de cabeça em estudar mais sobre autoestima feminina e escrever mais sobre o tema. Mais uma vez o GWS era diferentão e abordava assuntos ainda pouco vistos nos principais blogs e agora, youtubers.

Em 2014 a Carol Guido teve a ideia maravilhosa de criar a #TerçaSemMake, o que fez com que o GWS tivesse o primeiro projeto no Brasil a questionar a necessidade de aparecer sempre maquiada nas redes sociais e discutir a cobrança da maquiagem para as mulheres estarem “apresentáveis” em ambientes sociais.

Foi também em 2014 que fizemos nosso maior evento físico, o #BazardayGWS (onde inclusive fiz a minha primeira palestra para falar sobre autoestima chamada de “Vista sua Autoestima”) nesse mesmo evento tivemos bate-papo com Jana Rosa, Camila Fremder e Ana Soares.

Em 2015 a Carol sentiu que já tinha cumprindo seu papel no GWS e decidiu seguir novos caminhos. Foi novamente um ponto de mudança pessoal pra mim e pra Marie e, claro, pro GWS. Eu estava cada vez mais interessada em psicologia, aromaterapia, coaching e cada vez menos interessada em moda e nesse universo cada vez maior de celebridades da internet. Marie se interessava cada vez mais em marketing e desenvolvimento de negócios e nosso conteúdo estava refletindo isso.

Na nossa primeira reunião para decidir como seguiríamos com o GWS sem a Carol, percebemos que estávamos naturalmente no blog, nas redes sociais e nos eventos com um conteúdo de desenvolvimento pessoal e profissional. Queríamos um nova estética para o site, nova logo. A Bel Bastos que é designer, nossa amiga desde os tempos de comunidade no Orkut que praticamente cresceu dentro do GWS (na comunidade ela era mascote, a mais novinha!) desenvolveu com maestria a nossa nova identidade.

A logo mais linda onde o W do GWS ilustrava perfeitamente sobre o que era o GWS. Em 2016,  criamos o #EspaçoCriativoGWS um espaço físico, exclusivo para mulheres com eventos, palestras e workshops. Nesses dois anos e meio de existência, o espaço recebeu mulheres incríveis! As maravilhosas do Clube do Bordado, Luiza Brasil, Clara Averbuck, Stephanie Noelle e Thais Farage para citar algumas.

Apesar da novidade do Espaço Criativo, eu e a  Marie não estávamos mais felizes no GWS. Já estávamos fazendo tudo no automático, sem paixão e estávamos com muitos interesses e trabalhos paralelos e não víamos como encaixar isso dentro do GWS. Nós duas brigávamos constantemente e não sabíamos mesmo que caminho tomar. O que tínhamos certeza era que apenas dar um ponto final naquela história e seguir com a vida ainda, não parecia certo. O que nunca poderíamos  imaginar era que dentro do Espaço Criativo GWS, em meio a uma crise, nasceria o nosso projeto mais especial: O Chá de Autoestima.

Por causa dessa crise interna, pedimos ajuda para a Flávia Bretas que foi nossa consultora/coach/terapeuta de casal (hahaha). Nós nos encontrávamos toda semana no Espaço Criativo GWS para entender o que estávamos sentido, o que queríamos, pra onde achávamos que deveríamos ir. Foi dessas trocas entre eu, Flávia e Marie  que começamos a entender que estávamos querendo seguir um novo caminho e também começou a clarear qual seria esse caminho e como faríamos para percorrê-lo.

E foi assim que eu e Marie começamos a desenvolver o projeto Chá de Autoestima, que ganhou vida em 2017 com a logo mais uma vez desenvolvida pela Bel. Nosso saquinho de chá, com o espelho de Vênus, símbolo do feminino. O projeto nasceu porque não queríamos mais só falar de autoestima. Queríamos de fato apresentar ferramentas, exercícios e uma metodologia para quem quisesse entrar em uma jornada de autoconhecimento e amor próprio. E foi assim que nasceu o Chá de Autoestima. Depois de muito estudo, testes e aprofundamento. Ele nasceu do desejo de potencializar outras mulheres.

Em 2019 percebemos que o GWS como um dia conhecemos, não existia mais. Ele tinha se transformado em plano de fundo, apenas em uma plataforma para falar sobre o Chá de Autoestima, divulgar o Chá de Autoestima. O Espaço Criativo GWS praticamente só funcionava como um lugar para palestras do Chá de Autoestima.  Não era justo com uma marca que tinha sido tão importante pra nossa trajetória pessoal, que tinha tido tanta relevância na vida de tantas mulheres, cair no esquecimento assim. Ela merecia ter começo, meio e fim. 

Depois de 10 anos e 6 meses de existência, de muito pioneirismo, de muita história legal, de muitas transformações na vida de muitas mulheres e de muita influência em muitos influencers, o GWS encerra sua história hoje com a sensação de dever cumprido! 

O GWS chega ao fim

Hoje, dia 03 de junho de 2019, nasce oficialmente o Chá de Autoestima!

O projeto que começou em 2017 como um braço do GWS e que nesses 2 anos de existência cresceu e amadureceu tanto, já é responsável por tanta coisa incrível, vai seguir seu voo solo. Estamos muito, muito felizes com essa nova fase, estamos preparando muitas novidades e esperamos que vocês que estiveram com a gente durante todos esses anos do GWS, continuem com a gente no projeto Chá de Autoestima.

Obrigada GWS por nos ensinar tanto, por nos fazer crescer, por todas as sementes que você plantou. Seremos eternamente gratas pela nossa trajetória. Obrigada por abrir os caminhos pra algo novo nascer.

Hoje é lua nova e toda lua nova é uma oportunidade de (re)começar. Hoje é lua nova em gêmeos, que voa leve como seu elemento, o ar! E é com essa energia que agradecemos o GWS por tanto e damos boas-vindas ao Chá de Autoestima!

Afinal todo fim é um novo começo.