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Solteira depois dos 30: É amor mesmo o que estamos buscando?

solteira depois dos 30

Eu tenho 35 anos e tive 5 namorados. Eu vivi o amor adolescente, vivi o amor que eu achei que seria casamento, namorei por conveniência, por diversão e namorei mais de uma vez pra fugir de mim mesma.

Hoje estou solteira depois dos 30 e pergunto: É amor mesmo o que estamos buscando?

Quando eu namorei o cara que eu achei que seria o amor da minha vida eu recebi tantos sinais que ele não era o cara certo… infinitos sinais e eu ignorei todos. “Por amor” eu aceitei ouvir coisas que detonavam a minha autoestima, eu sentia o tempo todo que não estava sendo boa o suficiente pra ele, me forçava a caber em um molde que não era meu.

Depois de 6 anos de namoro e alguns meses morando juntos, ele foi embora. Era carnaval e parecia cena de novela ele passando por uma multidão fantasiada com uma mochila indo embora da minha vida. Eu me sentei no chão da sala, olhei a minha volta e tive a sensação de que eu tinha perdido tudo, que ele levou naquela mochila minha alegria, minha dignidade, meus sonhos.

 

solteira depois dos 30

 

Eu ainda tinha eu mesma, eu ali, comigo naquela sala. Mas eu percebi que já tinha um tempo que eu mesma não era o suficiente. Tinha muito tempo que eu tinha me desconectado de mim. Afinal, quem eu era quando não queria ser perfeita pra ele? Quem eu era quando não tinha medo dele notar meus defeitos? Quem eu era quando não estava ansiosa esperando ele atender o telefone ou me ligar?

Eu estava tão envolvida em ser feliz com ele, em fazer ele feliz, que esqueci completamente como era ser feliz comigo. Enquanto eu estava no meio daquele campo de batalha do amor, eu estava tão preocupada em ser, viver pra ele que eu coloquei todas as minhas questões, problemas, inseguranças, medos, desejos, crenças em uma sacolinha no fundo do armário.

Quatro anos depois que esse relacionamento terminou, alguns rolos, namoros curtos, eu me vi novamente em um relacionamento que não fluía, eu estava novamente em um campo de batalha do amor. Jogando toda a minha energia ali, tentando fazer funcionar. Por que eu estava novamente forçando algo que claramente não teria futuro?

Comecei a me perguntar se eu não buscava amor por todas as razões erradas… amor como solução dos meus problemas, amor como sentido pra minha vida, amor como forma de aceitação, amor como forma de validação, amor como fuga, amor pelo medo de ficar sozinha. Eu não deveria estar mais focada em entender questões como: Por que eu repetia padrões? O que essa repetição tinha a dizer sobre mim?

Não me entenda mal, eu acho lindo o amor. Um casal apaixonado, o frio na barriga, o riso solto quando cai a ficha que estamos amando… Mas eu percebi que a nossa BUSCA pelo amor muitas vezes é uma forma de fugir de coisas que não queremos lidar. Uma forma de buscar validações e cumprir o manual da vida perfeita e nem nos damos conta disso, afinal não conseguimos nem lembrar a idade que começamos a sonhar com o príncipe encantado.

A busca pelo amor do outro pode ser muitas vezes a maior distração na nossa jornada de amor próprio o que (olha que louco!) nos deixa ainda mais distante de viver um relacionamento feliz e saudável. Será que não estamos distorcendo o que é o amor? É amor mesmo o que estamos buscando?

A vontade de se conectar, de compartilhar, de amar é humana e todos nós sentimos, mas não estamos enlouquecendo um pouco nessa busca? É saudável achar que ficar sem transar alguns meses é estranho? Que se você está solteira depois dos 30 ficou pra titia? É saudável acreditar que voltar pra casa sozinha e ter que passar a noite – PASMEM – com você mesma é coisa de perdedora?

Ao invés de ficar obcecada se ele respondeu ou não a última mensagem do whatsapp, virar a noite tentando entender o que ele quis dizer com emoji carinha feliz + coração amarelo, perguntando sem parar para sua amiga que namora há anos o que ela fez ou deixou de fazer para ter um relacionamento bem sucedido comparando sua trajetória com a dela, mandando perguntas em caixinha de perguntas para gurus de relacionamento na internet, você não deveria simplesmente ser você, apenas você? Você estará mais perto de fazer conexões reais.

Será que não estamos dando muita importância pro título de solteira depois dos 30? Será que nossa busca está sendo realmente se conectar com alguém fisicamente, emocionalmente, espiritualmente ou será uma forma de fuga de questões que não queremos lidar? Medo da solidão? Antes de amar, não temos que nos conectar com o sentido de amar?

— ♥ —

texto sobre poder feminino

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Solteira sim, sozinha também: como ser feliz comigo mesma.

como ser feliz comigo mesma

Nunca fui uma pessoa de ficar com muita gente, ter vários casinhos ou sempre estar namorando… mas já tive 5 namorados, alguns ficantes e sempre tive uma vida social/sexual ativa (ou seja, aqueles beijos que damos por aí na noite) que me deram uma boa noção de que é possível ser solteira sim, sozinha também e de como ser feliz comigo mesma.

Eu decidi terminar meu último namoro porque eu estava passando por um turbilhão de coisas. Não estava me sentindo feliz dentro do relacionamento e comecei a me questionar de uma forma que nunca tinha feito antes.

Eu acredito que dentro de todo casal infeliz, existem pessoas infelizes e frustradas com questões muito particulares. Por isso, dentro de mim, eu sabia que precisava ficar solteira e sozinha, me conectando comigo mesma. Mas perceber isso foi um processo.

Confesso que foi no mínimo embaraçoso pra mim quando algumas fichas caíram e eu percebi que era a hora de tomar essa decisão. Embaraçoso porque caí na cilada que eu tinha certeza que eu nunca mais cairia, porque achava que eu estava atenta, que eu já sabia como eu funcionava, que eu já entedia a dinâmica da autoestima.

Então como assim eu estava negando minha própria vontade, não ouvindo minha intuição, ignorando sinais, fazendo o que esperavam de mim, o que a sociedade esperava de mim e não o que meu eu verdadeiro de fato desejava?

Eu falo sobre autoestima, leio tanto sobre as pressões da sociedade, feminismo, sobre ser fiel ao que você acredita… Como eu me deixei levar por crenças que não eram minhas? Como eu tinha parado ali, completamente desconectada de mim? Eu nem me reconhecia.

Minha ansiedade estava me consumindo, eu vivia mau humorada e tinha crises de choro. Inclusive, lembro que em uma discussão com meu ex eu disse: “Acho que você nem sabe como eu sou porque nossa relação me deixa ansiosa, nervosa e eu não sou assim.” 

Por que eu enfiei na minha cabeça que era a hora de fazer um relacionamento dar certo? Eu pensava: Eu tenho 30 anos, sempre quis casar com festa, vestido de noiva. E se eu quiser ter filhos? Até quando poderia tentar?

Quantos anos eu teria se aquele relacionamento fracassasse pra conhecer alguém de novo, namorar, ficar sério… Eu não tinha esse tempo. (Lembra da Rachel de Friends fazendo essa conta no aniversário dela de 30 anos?). Não era a hora de encaminhar minha vida pra isso?

Mas as perguntas que eu desviava e fingia que eu não tinha dentro de mim na verdade eram essas: Porque eu me envolvi em um processo tão superficial e automático e esqueci do mais importante: eu mesma? Eu estava feliz? Era com aquela pessoa que eu de fato  queria viver isso tudo?  Eu estava naquele relacionamento porque era o que eu queria e me fazia feliz ou eu estava tentando ser feliz, tentando fazer dar certo?

Como é difícil se fazer essas perguntas honestas né?  Perguntas diretas e se responder com toda verdade do seu ser. Sem desculpas e sem culpar o outro, com autorresponsabilidade. Por que mentimos tanto para nós mesmas? Por que inventamos desculpas e argumentos para nos autossabotar?

Além da insatisfação na relação e na sensação cada vez mais forte que eu estava me perdendo de mim, eu estava prestes a encarar o que seria o acontecimento mais difícil da minha vida até então.

2 cirurgias e 16 dias de internação para tratar uma infecção severa em uma parte do corpo tão importante e significativa para a mulher: os seios. Eu já tinha recebido a notícia da minha médica que minha cirurgia naquele momento não teria nenhum apelo estético, então eu poderia sair do hospital com um peito maior que o outro, com formato diferente, com cicatrizes grandes… tudo era possível, afinal o foco ali era me livrar do que tinha força suficiente para me matar.

Como seria minha relação com meu corpo depois disso? Como eu me sentira com meu namorado? Como me sentiria nua em frente ao espelho? Como ficaria a minha sexualidade? Eu já vinha de um histórico longo e problemático com essa parte do meu corpo, se eu voltasse à estaca zero? Se eu voltasse a viver novamente coisas que achava que tinha superado?

Pra fechar esse “combo” de dúvidas e inseguranças, em um cenário que eu achava que depois que eu comecei a exercitar minha autoestima eu nunca mais voltaria, eu não parava de me questionar sobre uma coincidência: Por que apesar de tão diferentes, quase todos os meu ex namorados, ou pelo menos aqueles que fiquei mais tempo, apresentavam padrões tão parecidos de comportamento?

Padrões esses que me incomodavam muito e eram distantes do que eu sempre busquei pra mim? O que eu tinha que aprender com isso? Porque isso estava acontecendo? Por que eu estava repetindo esses padrões de personalidade? Qual lição eu não estava aprendendo?

Percebi que eu precisava desesperadamente, loucamente, me conectar comigo mesma e eu só poderia fazer isso sozinha. Me ouvir na essência, andar no meu próprio ritmo novamente. Eu sempre falo no Chá de Autoestima que amor próprio é exercício. Igual academia, igual matemática. Tem que praticar todo dia, ter disciplina e o principal: Temos que estar sempre, constantemente atentas.

Às vezes a gente se desconecta tanto da gente, perde de vista nosso caminho e nem se dá conta. Entra no automático do “eu já sei”, “já entendo amor próprio”, e vai caminhando sem perceber que estamos nos afastando da nossa essência. Aí a vida vem e te dá um  chacoalhão gritando ACORDAAAA no seu ouvido pra te alertar e te fazer voltar para os trilhos de novo.

E se você escolher ignorar, não se encarar de frente, não se fazer perguntas com honestidade e tomar decisões que podem até ser doloridas, porém honestas, pode ter certeza: nada vai se encaixar. Nada vai dar certo, nada vai funcionar.

Eu precisei passar por uma relação onde comecei a me sentir infeliz e um problema de saúde enorme pra finalmente perceber que eu não estava alinhada comigo mesma. Que era a minha vida e meu corpo mandando sinais desesperado de “Eiiii você não está sendo você! Está negando você!” E naquele momento da minha vida em que eu achava que já tinha tudo tão bem resolvido na minha cabeça, foi algo bem difícil de engolir.

Em algum momento no percurso eu tinha esquecido da importância de se apaixonar por mim mesma primeiro e da importância de manter o fogo dessa paixão aceso. O amor próprio também precisa de tudo que a gente sempre fala que precisa em uma relação romântica: Diálogo, tempo de qualidade, carinho, dedicação e o ingrediente principal: Respeito. E é isso que estou me dando agora, sozinha.

Eu não sei se vou ter tempo de fazer tudo que eu quero. Se vou casar, se vou ter filhos, se vou me apaixonar novamente. O que eu sei é que antes disso eu preciso estar me sentido completa, para quando o amor chegar, eu transbordar. Sei que tenho que pensar que o que vier desse amor, se esse amor vier, vai ser uma consequência leve e feliz. E eu preciso estar me sentido leve e feliz.

Preciso identificar o porque repito padrões em namorados e o que esses padrões dizem sobre mim, não sobre eles. O que preciso curar em mim, modificar em mim, crescer em mim para atrair o que de fato eu quero? É aqui que estou agora.

Não sei responder nesse momento se um dia vou fazer uma cirurgia pra melhorar as sequelas de um corpo que está machucado e esteticamente feio. O que sei é que primeiro quero conseguir amá-lo e celebrá-lo na totalidade por ter passado uma barra comigo e agora está curado, saudável, vivo.

Diz o ditado que se conselho fosse bom a gente não dava, a gente vendia. Mas eu recebi muitos bons conselhos ao longo da vida então acho válido compartilhar um: Não espere seu mundo desmoronar para se conectar com você mesma; não force nada que não esteja fluindo de forma natural pra você e quando sentir que está perdendo seu caminho, se volte pra dentro. O que atrapalha nossa jornada é a dificuldade de acalmar a mente, de ter um diálogo honesto com nós mesmas, de ouvir nossa intuição.

Não tenha medo da solidão, de sair de um relacionamento longo, de tirar da sua vida qualquer coisa que no fundo você sabe que não faz mais sentido. Não tenha medo de tomar uma decisão que as pessoas ficarão chocadas, que vai gerar perguntas, curiosidade, cobranças, um mundo desconhecido. Escuto o tempo todo: “quando vai sair pra dar uns beijos?”, “e o tinder, já baixou?”, “se não casar, pensa em ter filho mesmo assim?”, “congelar óvulos é super caro, né?”

Mas eu escolhi estar em paz com meu interior, fazer o que eu sinto que é o melhor pra mim e acreditar que jogando isso para o universo, vou chegar aonde quero chegar, conquistar o que quero conquistar, estar com quem eu devo estar, quando for a hora.

Todas as respostas estão dentro de você. Somos muito mais sábias do que a gente imagina, acredite. Tudo que precisamos é nos manter conectadas.

— ♥ —

Por Nuta Vasconcellos:

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Estive pensando sobre ex namorados.

Pois é, eu estive mesmo. Estive pensando sobre ex namorados e no que aprendi, no que vivi e como cada um deles me construiu. Na verdade, tô plagiando minha eterna psicóloga, Alanis Morissette. Ela sempre me estimulou a pensar na vida, a analisar aprendizados.

E um belo dia eu estava aqui no meu quarto e meu shuffle me presenteia com Unsent. Um música que ela escreveu sobre e para todos os seus ex namorados.

 

Enquanto eu ouvia a música, comecei a pensar o que eu falaria para os meus ex-namorados, sobre eles, o que eles representaram pra mim…

E eu fiz pequenas cartas mentais para cada um. Antes de escrever o post eu também estava mexendo em diários antigos e achei trechos de músicas que na época eu achava que tinha a ver com o que eu sentia. Essas músicas  me levam totalmente a eles e talvez nem eles saibam disso.

 

Meu primeiro amor.

Meu primeiro namorado foi meu primeiro grande amor. Eu tinha 14 anos e pode parecer coisa de filme clichê, mas eu era completamente inocente. E pode parecer mais clichê ainda, mas vivemos aquele amor de filme.

Era meio proibido, meio escondido, pra algumas pessoas talvez meio errado. Até o jeito que a gente se conheceu foi meio coisa de filme. Ele me mostrou coisas da vida que eu nunca tinha visto, me ensinou a pensar diferente, ele me ensinou a pensar.

E eu amei demais. Amei com toda força e dedicação que só uma garota de 14 anos consegue amar. Foi, é, e sempre será uma das pessoas mais importantes da minha vida, meu eterno amor, que guardo em um lugar especial no coração de onde ninguém nunca vai tirar.

Ele foi meu primeiro tudo e eu não consigo imaginar ter compartilhado e vivido tudo que vivemos com outra pessoa. Foi uma das experiências mais intensas que vivi.

A gente sempre soube que ia acabar. Não tinha pra onde ir, mesmo assim a gente fez planos de fugir, planos de morar juntos.

Mas tudo que vivemos tinha que ficar em um lugar puro, seguro, longe da realidade da vida adulta e assim ficou. Tudo que vivemos em quatro anos guardado em caixinhas com mil cartas, terminava ali, com meus 18 anos.

Obrigada por me fazer crescer e construir o mundo com meus próprios olhos. Obrigada por me ensinar a pegar ônibus. Obrigada por ter me dado o presente de fazer parte da minha história.

O razões erradas.

Meu segundo namorado, devo admitir, não tinha muito sentimento ali. Eu tinha 18 anos, estava vendo meu primeiro amor apaixonadinho por outra e estava sofrendo pelo que “abalava as minhas estruturas” (vocês ainda não o conhecem, mas ele já tinha entrado na história). Mas foi com ele que aprendi mesmo que o amor não é sempre uma via de mão dupla, que relacionamentos fodem a cabeça das pessoas e como por causa de tudo isso, podemos nos tornar pessoas bem diferentes do que a gente imaginava.

A gente se conheceu em um trabalho e ele era “carne nova” no pedaço (gente, quantos anos eu tenho, 60?) e todo mundo começou a botar pilha pra eu ficar com ele. Ok, pilha colocada, pilha aceita, a gente ficou. E ficou de novo, e foi ficando… e quando eu percebi ele me pediu em namoro. E eu pensei, ah, por que não? Tô aqui sem fazer nada… e namorei.

Namorei pela minha autoestima, namorei porque queria namorar antes do meu primeiro amor, namorei porque queria esquecer “o que abalava minhas estruturas”. Namorei por todas as razões erradas.

E ele era aquele tipo que estava namorando porque estava apaixonado. E ele me mandava cartas, me fazia surpresas e comprou até cd’s do Oasis pra ver se ele começava a gostar. Ele estava muito envolvido e eu não.

E então “o que abalava as minhas estruturas” entrou na minha vida pra valer, e eu sem pensar duas vezes deixei ele de lado, sem muita dó. E ali eu quebrei um coração, e com certeza naquele momento transformei um garoto legal que acreditava no amor em um garoto com no mínimo um pouco mais de pé atrás.

Quando você sai de um relacionamento e os dois sofrem tudo parece justo, mas com ele nada parecia. E esse sentimento de culpa eu vou carregar pra sempre.

Ele chorou, ele ligou pra minha mãe, ele teve o coração quebrado. E eu não. Mas ele aprendeu comigo a dura lição dos jogos do amor. E eu também aprendi com ele até onde um coração quebrado pode ir.

Eu aprendi com ele a respeitar bem mais o sentimento do outro, e eu peço desculpas por ter aprendido do jeito difícil.

O que abalava minhas estruturas.

Eu conheci meu terceiro namorado aos 16 anos. E sim, foi paixão a primeira vista. E sim, eu ainda estava junto do meu primeiro namorado. Mas essas coisas a gente não entende muito bem porque acontecem.

Era o primeiro dia de aula na minha escola nova. E como em todo primeiro dia de aula eu cheguei mais cedo pra sentar lá atrás e observar. A sala já estava cheia, o sinal já tinha tocado e o professor já estava em sala. E ele entrou. E meu coração, literalmente, disparou e ali seria o início do relacionamento que mais abalou meus outros relacionamentos, minha vida e minha autoestima até hoje.

Eu contei do tal garoto do colégio pro meu namorado. E ele também estava em uma época com outros interesses então decidimos continuar juntos, mas a gente podia sair com outras pessoas.

Então, eu saí, eu saí com o garoto da escola que abalava minhas estruturas e eu me apaixonei por ele. Mas ele não se apaixonou por mim. Ele estava mais a fim da minha melhor amiga do colégio, que era loira, alta e gostosona. Todos os garotos estavam a fim dela e por sorte deles, ela estava a fim de todos.

E eles ficaram na minha frente na escola dois dias depois que eu e ele tínhamos ido ao shopping juntos. E meu coração se partiu em pedaços. Eu tinha 16 anos e foi o primeiro golpe dele na minha autoestima. Ele me dizia: “Você é a garota mais incrível que eu já conheci.” E saindo com outra, nada daquilo fazia sentido.

Bom, eles começaram a namorar e eu virei “melhor amiga do casal.” Não por muito tempo. Eu saí do colégio, mas eles não saíram da minha vida. Sempre ligavam, queriam me encontrar, já até bateram na porta da minha casa, mas eu fugi deles. Fugi por dois anos quando pra comemorar meu aniversário de 19 anos eu resolvi convidar todo mundo que já tinha passado na minha vida.

Eu estava em uma fase boa, feliz, namorando o garoto que levantava minha autoestima e não abalava meu coração e queria celebrar tudo isso.

Então liguei pra ela, e descobri que eles não estavam mais juntos. Então liguei pra ele e ele reconheceu minha voz, dois anos depois. Ele me chamou pra sair e eu menti pro meu namorado e fui. E foi paixão a segunda vista. Só que dessa vez, era diferente, você percebia nos olhos dele que ele sentia o mesmo.

E dali em diante, a gente não se desgrudou mais. Eu amava ele loucamente. Tudo, cada coisinha. O jeito, a forma que ele segurava o cigarro, como ele falava, o cabelo, como ele me tratava e amava até as neuroses e manias de perseguição que ele tinha.

Eu poderia ter amado ele pra sempre, mas a vida tem dessas coisas. Foram seis anos juntos. E apesar de me sentir muito amada, eu me sentia insegura.

Tínhamos longas conversas sobre problemas que passávamos, sobre o que queríamos do futuro e quase sempre o problema parecia que era pela fato de eu não ser boa o suficiente. Hoje eu vejo que o amor me cegou. Ele foi o cara mais inseguro que conheci na vida, e acho que no fundo, ele queria que eu me sentisse igual.

E assim de pouquinho em pouquinho ele foi me transformando em uma pessoa sem muitas certezas, sem muito amor próprio. Tudo que ele colocou abaixo, levei tempo pra construir de novo. Na verdade, não construí ainda. Depois de tudo que a gente passou ele me fez ver o amor de forma diferente, diferente de tudo que eu acreditava até então.

Ele me fez ver, na realidade, que o amor não é tudo. A gente precisa de bem mais que isso pra fazer dar certo. Ele quebrou meu conto de fadas da Disney.

O desgaste emocional desnecessário. Não, o necessário!

Depois que terminei e realmente tirei da minha existência “o que abalava as minhas estruturas” eu tive o período mais WILD da minha vida. Foram três anos que eu nem cogitava namorar, conhecer alguém pra ficar sério. Na verdade foi um período que eu nem acreditava mais nisso. Eu só acreditava em sexo, drogas e rock’nroll. Cliché de revoltadinha? pode ser, mas é a pura verdade.

Mas no fundo (nem tão no fundo) eu sempre fui uma garota romântica. Lá, pré e durante o período do garoto que abalava minhas estruturas eu sonhava em casar cedo, ter meus filhos e a simple kind of life. Eu comecei a sentir falta de ter um relacionamento de novo. A única certeza que eu tinha é que viveria isso de uma forma muito mais racional. Sem grandes abalos emocionais, sem muita entrega.

Foi quando eu conheci meu ex namorado. Conheci ele na night, ficamos e eu achei que nunca mais iria ver ele na vida. Ele me mandou mensagens no facebook que fui receber meses depois (quer dizer, eu recebi, mas até então não sabia da existência da opção “outras mensagens” no inbox do facebook) e um dia fazendo a limpa no meu iPhone vejo um número anotado como “mothafucka” . Depois de passar alguns minutos olhando aquele número sem fazer a MENOR ideia do que se tratava falei com o tal “mothafucka” que me fez lembrar de todo o ocorrido.

Ele parecia um garoto interessante, eu estava aberta e achei que seria legal dar uma chance de conhecer alguém. E ele parecia interessado. Sem curtir Oasis, ele surgiu no Oasis day (evento para fãs de Oasis mas não vamos nos estender aqui sobre isso hahaha), sempre me procurava, me encontrava aonde quer eu estivesse, me mandava mensagens fofas na madrugada. No começo eu estava zero interessada nele, mas ele parecia estar disposto a fazer tudo pra me conquistar e quebrar o gelo que estava em mim por três anos. Achei perfeito. Tudo caminhava de acordo com o plano: “um relacionamento mais racional do que emocional”.

Lembro do dia que recebi uma mensagem dele dizendo que achava que a gente não deveria ficar mais. Porque ele estava “tipo apaixonadinho e eu não”. Quando recebi aquela mensagem, parte do meu gelo derreteu e eu pensei em dar uma chance real àquela situação.

A gente foi se conhecendo melhor, se envolvendo mais e ele parecia exatamente o que eu buscava. Me tratava bem, sem grandes rompantes de amor, um garoto bom, semi estruturado (financeiramente falando).

Mas não demorou muito pra coisa do “ponto certo” cair para “não desejável”. Não demorou muito pra eu descobrir que ele era do tipo que quer uma coisa quando ela é difícil, sabe? Quando ela vem sofrida, quando você tem que rebolar pra conseguir ela. Ele é do tipo que curte a batalha e não a calmaria da terra conquistada. Depois que ficamos juntos, ele foi ficando cada vez mais distante. Quanto mais ele me tinha, mais sem graça tudo aquilo parecia pra ele. E o relacionamento mais racional parecia cada dia mais um  friends with benefits (não o filme fofinho, o real significado da coisa mesmo). Sendo que nem amigos nós éramos.

Eu me vi ali, presa em um relacionamento que começou a ficar vazio e sem sentido pra mim. Percebi que apesar dos traumas e da fase era do gelo que durou três anos eu era a mesma. Queria um amor, queria ser amada, queria ser especial pra alguém. E eu não estava recebendo nada daquilo. Foi aí que vi como o desgaste emocional desnecessário foi necessário pra mim.

Aprendi que não devo ficar em nenhum lugar que não estou tendo o que acho que mereço.

O personagem.

Meu quinto namorado chegou na minha vida em um momento que eu não esperava. Eu estava apaixonada por outro, mas extremamente machucada. Estava tentando esquecer esse cara, porque já tinha entendido que nosso timing era diferente e eu estava de saco cheio de ser a garota do intervalo.

A primeira vez que eu o vi, aquele que seria meu futuro namorado, foi de longe em um show. Ele estava sozinho, se divertindo, mas parecia que não existia mundo ao redor dele. Praticamente imóvel, ele tinha os olhos fixados no show e eu fiquei completamente envolvida por aquela imagem que me parecia meio rebelde, meio nem aí e pra saber mais sobre aquela pessoa. Naquele momento, naquele lugar, ele parecia uma visão que eu passei todo tempo olhando fixamente como se eu tivesse sido enfeitiçada.

Não nos falamos e nem fomos apresentados um ao outro esse dia, mas ele levou pra casa um blilhetinho com meu nome. Não é difícil me achar na internet. Dia seguinte, ele me adiciona. Alguns dias de conversa no whatsapp, a gente marca de se encontrar. Era a primeira vez eu eu realmente o veria de perto, trocaria uma ideia e eu estava bem ansiosa. Estava com aquela expectativa de sentir de novo o que senti no dia do show. Lugar combinado, encontro marcado: “Oi, tudo bom?” e um beijo na bochecha.

Um segundo depois de nos apresentarmos, um estalo. Meu sexto sentido gritou: “Ele não é o cara pra você, ele não é o que você procura e não está pronto para o que você quer.” Eu sei que parece papinho místico, mas juro, foi o que aconteceu. Eu olhei pra ele e não senti nada. Nem perto do que senti quando avistei ele de longe no show… a sensação que tive é que nem era a mesma pessoa. Mas eu resolvi ignorar minha intuição, minha primeira impressão e dei corda. Ficamos, e eu odiei nosso primeiro beijo. Não conseguia sentir uma conexão, uma atração verdadeira e achei mesmo que daquela noite, não passaria. Confesso que nem sei o que me fez marcar um segundo, terceiro, quarto encontro… Nossa primeira transa foi desastrosa.

Mas ele era engraçado, carismático, gesticulava muito e claramente aumentava histórias para fazer com que elas ficassem melhores e eu chorava de rir com ele. Meu tipo de cara não é engraçado, bobo e nem dado a movimentos bruscos, mas eu via nele uma companhia agradável e ele fazia eu me sentir bem comigo mesma, fazia eu me sentir linda e com a sorte de um amor tranquilo.

Ele foi me ganhando e me vendendo uma ideia de que ele era o cara certo pra mim. Ele era observador e sacou o que eu estava procurando e sabia direitinho vender o peixe que ele era o número certo. Eu acreditei e aos poucos, o sentimento foi se construindo. Nunca foi arrebatador, nunca foi paixão. Mas eu amei ele, eu escolhi ele e eu estava muito disposta a fazer dar certo.

Ele esteve comigo, do meu lado em uma das épocas mais difíceis da minha vida, quando o pesadelo da minha cirurgia de mama começou e eu sou muito grata, eternamente grata ao companheiro que ele foi pra mim nessa época e pelo amor que ele me doou e como, mesmo nessa época, ele fazia eu me sentir linda.

Mas com o tempo, nosso relacionamento de algo leve, foi ficando um fardo e estagnado. Ninguém sustenta um personagem por muito tempo…  e ele não estava sustentando. E eu comecei a perceber que ele interpretava uma pessoa que não era, falava de coisas que não podia fazer ou nem queria fazer, porque não queria me perder. Algo que eu sentia desde o início e tentava fingir que não via.

Qualquer assunto mais profundo sobre nós, sobre ele, sobre construção… ele era mestre em desconversar e transformar um papo sobre A, virar B, ou distorcer fatos para dar explicações que só convenciam a ele mesmo… Alguma técnica que não sei aonde ele aprendeu, mas só conheço ele e os políticos que dominam.

Planos eram vagos, respostas eram vagas, as direções mudavam de acordo com os ventos…. algumas relações, reações, posições, comportamentos e decisões… Fui tendo uma leitura completamente diferente de quem ele era, da maturidade dele e do que realmente tínhamos em comum.

Em uma conversa das muitas que tínhamos pelo whatsapp, principalmente por termos um relacionamento a distância durante a maior parte do nosso namoro, precisei somente de uma frase dele para eu sentir o mesmo estalo de intuição que senti no dia que nos conhecemos: “Ele não é o cara pra você, ele não é o que você procura e não está pronto para o que você quer.” Só que desta vez eu decidi não ignorar e terminei. E o irônico dessa história é que uma das últimas frases que ele me disse nessa conversa foi: “Eu não estou pronto para o que você quer.” Pois é, eu sabia disso há 4 anos já.

Foi um relacionamento divertido. Eu, que sou cheia de terra no mapa astral, me permiti ser mais fluida como a água por um tempo. Mas eu busco segurança. Busco expansão, crescimento, independência e nada disso estava ali.

Ele terá sempre um lugar especial no meu coração e rezo todos os dias para que ele desenvolva todo o potencial que eu sei que ele tem e que ele não se torne um personagem dele mesmo. Mas eu não sou pra ele e ele não é pra mim.

E o que  aprendi nessa relação é que eu devo sempre, sempre ouvir minha intuição. Que aquela vozinha que fala baixinho no nosso interior tem sempre razão e quer sempre nosso melhor.

E eu sigo na busca. Como diria Carrie Bradshaw: “I’m looking for love. Real love. Ridiculous, inconvenient, consuming, can’t-live-without-each-other love”. E eu não sei quando ele vai chegar, e se ele vai chegar. Mas sou feliz de ainda acreditar.

— ♥ —

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Eu fiz uma mamoplastia redutora

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Ilustração: Isabela Gabriel especialmente para esse post

PRIMEIRA PARTE ORIGINALMENTE POSTADA EM 01/03/16

Se você acompanha o GWS só por aqui ou pelas redes sociais oficiais do blog, pode estar estranhando o título desse post. Como assim, a Nuta fez uma mamoplastia redutora e ninguém ficou sabendo?? Se você me segue lá pelo stories (nutagws) está um pouco por dentro dessa novela. Mas a verdade é que nunca contei por lá, nem em lugar nenhum, detalhes sobre a minha decisão de fazer uma mamoplastia, nem sobre minha cirurgia e nem sobre o mais complicado de tudo: O pós.

Eu resolvi fazer esse texto por uma série de motivos. Mas o principal deles, como tudo aqui no GWS, é que eu tento sempre ajudar vocês de alguma forma. Então se preparem porque vai ser textão estilo novela: Sobre autoestima, decisões, medo e a importância de saber lidar com situações não planejadas.

Bom, já que é para contar a história, vamos começar do começo. Se hoje eu escrevo sobre autoestima e amor próprio não é porque eu nasci cheia de confiança. Muito pelo contrário, eu sofri muito desde de pequena por não me encaixar no padrão não só da mídia, mas do meu ciclo social e familiar.

Desde muito nova, eu aprendi a ser o patinho feio. Quando criança, eu tinha um grupo de amigas muito unidas. Estudamos todas juntas da 1ª até a 6ª série e fazíamos tudo juntas nessa fase tão grande de transição, transformações e descobertas. Uma delas, sem dúvidas, foi as descobertas envolvendo nossos corpos. Pelos crescendo, primeira menstruação, espinhas e claro, o desenvolvimento e crescimento dos peitos.

Eu lembro de, ainda muito nova, perceber que eles não estavam se formando como os das minhas amigas. Enquanto os delas, formavam um desenho igual aos que eu via na TV e nas revistas, os meus se pareciam cada vez mais com aqueles que as pessoas costumavam zoar e classificar como feios. Nessa fase, digo ali até meus 13 anos, apesar de já não achar meus peitos bonitos, isso não parecia ser muito importante pra mim. Mas tudo mudou quando eu fiz 15 anos e via com frequência os das minhas amigas, colegas, primas e claro, comecei a perceber também como os meninos valorizavam isso.

Vale lembrar aqui que eu tinha 15 anos e lá no início dos anos 2000 pouquíssimo se falava em empoderamento, aceitação e feminismo. Aliás, eu me arrisco a dizer que a minha geração foi a mais massacrada na adolescência com os padrões de beleza, já que foi o grande boom da internet, photoshop, câmera digital e todos os artefatos que facilitam o envio e recebimento de imagens. Tudo que eu queria na época era que meus seios se parecessem com os das minhas amigas e que um garoto gostasse de mim. Gostaria que naquela época eu entendesse um pouquinho mais sobre amor próprio e sobre celebrar as diferenças. Talvez assim, meus seios não teriam se tornado algo que me incomodaram ao longo de toda a minha vida.

Voltando aos meus 15 anos, eu já estava com meu corpo quase todo formado. Muito rapidamente meus peitos cresceram super caídos e flácidos. Para você ter ideia da flacidez, eu “brincava” de contorcionismo com eles e conseguia colocar um por cima do outro. Outra característica é que nunca senti dor nas mamas. Sabe essa coisa de levar bolada na queimada ou alguém esbarrar e doer? Você sente isso por conta das glândulas mamárias e fibras musculares. E eu praticamente não tinha essas fibras que são responsáveis pela sustentação.
gws-quote2Eu diria que foi ali, nos meus 15 anos que realmente comecei a me sentir mal com meus peitos que ficavam cada vez maiores e flácidos. Aos 17 anos, uma amiga me disse que eu tinha os seios iguais aos da vó dela. Essa frase, ecoou na minha cabeça durante quase todos os meus namoros da adolescência. Aliás, obviamente eu odiava mostra-los. Para amigas e claro, namorados. No início da vida adulta era assim: Tudo no escuro e de sutiã. Eu passava mais tempo incomodada com namorado colocando as mãos nos meus seios do que sentindo prazer, porque tudo que eu pensava era como ele perceberia o quanto “feio eles eram”. Queria naquela época ter a clareza de pensamento que tenho hoje. Magra, gorda, com seios flácidos, ou durinhos eu sempre serei digna e essas coisas não me definem.

O que pouca gente sabe, porque eu sempre tive vergonha de falar sobre peitos é que eu operei aos 20 anos, assim que comecei a namorar o garoto que abalava minhas estruturas. Naquela época eu acho que eu operei por todas as razões erradas. Por insegurança, por vergonha e naquela afobação de resolver logo o que me incomodava, operei em um lugar que eu não queria, com um médico que eu não sentia confiança. O resultado, claro, foi um desastre. Eu que esperava acordar no dia seguinte amando meus peitos, continuei achando eles feios e agora pra piorar, eu ainda tinha cicatrizes super visíveis na auréola.

Vou resumir essa parte da história se não esse texto não vai ter fim, mas o que importa é que algo que eu fiz para melhorar minha autoestima em relação ao meu corpo, acabou piorando. Graças a Deusa, chegou a vida adulta e eu consegui desencanar de muita coisa e já não tinha uma neurose tão grande com meus seios. Passei a entender e a respeitar meu corpo e deletei muita neura que eu carregava comigo. Mas não posso mentir: Aquilo ainda era algo bem difícil pra mim.

Em 2014, quase 10 anos depois da minha primeira cirurgia eu comecei a sentir dores horríveis nas costas e nos ombros. Papo de deitar no chão e ficar lá reta, imóvel por 10 minutos. Não existia posição confortável e ficar muito tempo em pé era ganhar ombros rasgados pela alça do sutiã tamanho 52. Então, eu fui em uma ortopedista e ela me pediu vários exames. E foi aí que eu descobri que eu tinha uma hérnia na coluna, causada pelo peso das mamas. Nesse momento, tive certeza que eu tinha que operar novamente e de uma vez por todas tentar resolver toda essa novela.

Depois de muito procurar e ir em várias consultas, eu achei um cirurgião plástico que me passou confiança e pensei: É esse! Ele então conversou comigo sobre meu caso e me mostrou que um dos maiores responsáveis pela minha dor sem fim na coluna e tamanho de sutiã, além dos seios era a gordura em excesso que eu tinha na lateral das mamas e nas costas. Por conta da falta de fibras dos peitos, a única forma dele ter sustentação, era através de prótese de silicone. Depois de muita conversa, exames e preparação física e psicológica eu marquei a cirurgia para o dia 28 de setembro de 2015.

O que eu não imaginei é que eu estava prestes a viver os 6 meses mais bizarros da minha vida. Minha cirurgia correu super bem. Deu tudo certo e eu lembro de acordar no quarto algumas horas depois, super tranquila. Foi no dia seguinte que a coisa começou a pegar. Embaixo da minha mama direita, se formou uma placa escura, longa mas não grossa. Perguntei ao meu médico o que seria e ele disse que o sangue naquela região tinha coagulado, que aquela pele iria morrer e que em alguns dias, ele teria que retirar.

Percebi que ele ficou preocupado, mas não quis me preocupar e eu, na verdade, não fiquei muito encanada. Quatro dias depois essa área que formou uma pequena casca preta começou a se desprender do resto da pele em uma velocidade absurda. A casquinha preta começou a virar um buraco, cada vez maior. O buraco chegou a uns quatro dedos de largura e altura. Sim, minha pele praticamente saiu toda parando ali, 1 centímetro de distancia do bico. Era possível ver meu peito por dentro. Meu médico acompanhou todo o processo, me atendeu altas horas da madrugada, pedia para me ver o tempo todo. A questão era a seguinte: Não tinha nada que ele podia fazer.

O diagnóstico era: Eu tinha tido um micro trombo naquela região que acabou gerando uma necrose (não, eu não fumo!) O sangue que tem que circular e irrigar a região, simplesmente não fez isso da forma correta. Consultei outro médico, hematologista, que me deu exatamente a mesma opinião. Aquilo tinha que fechar naturalmente. E foi assim que eu comecei a viver em função da minha recuperação. Eu não tenho como descrever para vocês o medo que eu sentia quando via meu peito literalmente aberto. Vazando líquido, sangue e correndo risco de uma infecção que poderia me matar. Caso o silicone fosse atingido, eu teria que correr para o hospital, tirar a prótese, fechar o peito e era isso! Ou eu poderia ficar realmente doente.

Eu sentia febre, tontura, enjoo e cheguei a tomar 8 remédios por dia. Entre remédios para circulação, antibióticos, anti-inflamatórios, vitaminas… Meu médico cirurgião foi muito atencioso comigo nesse processo. Ele pedia para eu ir no consultório 3 vezes na semana, me ligava todo dia e me ajudava psicologicamente. Eu não tenho como expressar em um texto o que passei. De tanto fazer curativos, meu peito começou a ficar machucado e com alergias. Fora os comprimidos que eu tinha que tomar, ainda tinha os cremes, os sprays e até um suplemento para beber, chamado “Cubitan”. Acabei emagrecendo muito por conta da dieta especial para melhorar a circulação e qualidade da pele cicatrizada. Independente da sua cirurgia dar problema ou não, se alimentar melhor vai acelerar seu processo de cicatrização. Era engraçado ser a “prova viva” de receber os tals “comprimentos” de como eu tinha emagrecido, sabendo o porque aquilo estava acontecendo. Por isso que eu sempre digo: “Tá magra” não é elogio. Pode ser consequência de alguma doença.

A quantidade de dinheiro que gastei no pós deve dar quase para pagar outra cirurgia. Uma mamoplastia normal, você se recupera por completo cerca de 3 meses depois. A minha, levou 6 meses. Tenho uma cicatriz até pequena perto do tamanho do buraco que tinha na minha mama e meu médico já me disse que vamos melhorar ela o máximo possível em breve.

Eu estou fazendo esse post gigante porque quando eu estava no auge do desespero, eu só encontrava pela internet, textos felizes de mamoplastia redutora. Sendo que na vida real eu comecei a conhecer várias pessoas que tiveram grandes complicações. Com a popularização das cirurgias, fazer uma plástica virou uma coisa banal. Não é banal. Não é simples e pode sim, ter complicações sérias.

Eu não estou dizendo não faça. Até porque apesar de tudo, hoje recuperada de saúde apesar da questão da cicatriz, um motivo fútil analisando tudo que passei, eu amei o resultado. Amei o tamanho do meus seios, o formato, o fato de que meu médico conseguiu consertar minha auréola que foi estragada na primeira cirurgia, amo nunca mais ter sentido dor nas costas, amo até a cicatriz que me mostra que venci algo muito grave. Como eu já disse nesse post aqui e em vários outros, se amar, não significa ser imutável.

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Mas eu só não pirei porque eu estava MUITO psicologicamente pronta para o que pudesse dar certo e errado. Porque eu realmente fui operar com um médico que eu confiei e tive química. A sua cabeça tem que estar mais pronta para o procedimento que seu corpo.
Não dava para prever o que aconteceu comigo. Eu fiz todos os exames exigidos para uma cirurgia dessas e estava tudo bem. Trombose é uma coisa que acontece de repente. O que você pode fazer para minimizar as chances de acontecer algo do tipo com você é: Alguns meses antes da cirurgia, comer alimentos que ajudam a circulação. Essa lista aqui diz tudo que pode ajudar. Outra dica é, antes mesmo de procurar um cirurgião plástico, procurar um hematologista e pedir o máximo de exames possíveis e quem sabe, um remédio para circulação.
Se você estiver pensando em fazer uma cirurgia tenha em mente que sim, existem riscos e grandes, por mais que hoje em dia os médicos e a mídia tentem minimizar isso. Esteja preparada psicologicamente e fisicamente. O texto já está enorme e eu pouco falei de coisas básicas da operação como pré operatório, a cirurgia em si e minha vida agora não mais usando sutiã 52 e sim, 46/48 e sem dores nas costas! Então se vocês quiserem saber mais sobre esse tema, me digam nos comentários que eu vejo se rende mais um texto.

Por último, eu queria escrever aqui o que eu gostaria de ter lido por aí, quando eu estava assustada e com medo de não me recuperar: Se alguma coisa der errado no seu pós, confie no seu médico, mas procure outras opiniões. Se alimente bem, a alimentação é cura também. Tenha fé, calma e paciência. Viva um dia de cada vez e celebre cada melhora. Tudo vai ficar bem.

 

CONTINUAÇÃO EM 27/09/17 – NÃO ACABOU! CONTINUE POR DENTRO DA SAGA:

Eu fiquei super na dúvida se eu escrevia um novo post, ou dava continuidade nesse mesmo. No final das contas, achei melhor deixar tudo reunido aqui, com o máximo de informações possíveis juntas.

Quando eu escrevi esse texto em março de 2016, achei que de fato, toda a saga tinha terminado, mas na verdade, só tinha fechado um capítulo. Como eu disse na primeira parte do texto, depois que meu peito finalmente fechou, fiquei com uma cicatriz nem tão grande como eu imaginava que ficaria pelo tamanho do buraco que eu tinha, mas ela ficou bem grossa, bem mais escura que a minha pele e com relevo alta. Meu médico cirurgião na época, do qual eu confiava 100%, já que ele passou por todo o período da necrose comigo, me disse que seria tranquilo refazer a cicatriz para melhorar, esteticamente falando.

Não vou negar que eu fiquei com medo, eu tinha passado por um pesadelo durante 6 meses e só a ideia de operar novamente me dava arrepios. Mas claro, o aspecto da cicatriz me incomodava e ele me garantiu que ficaria super fina (assim como estava a da mama esquerda, já que o problema todo rolou com a direita!) e que era uma cirurgia com anestesia local, bem mais simples.

Então em junho de 2016, eu resolvi fazer essa cirurgia de melhora da cicatriz. E realmente, foi super tranquilo. Em 2 semanas, já estava tudo super cicatrizado, a cicatriz fininha e eu finalmente achei que minha vida estava de volta ao normal.

Em 2 meses,voltei para todas as minhas atividades, voltei pra academia, montei o Espaço Criativo GWS, viajei… e me sentia ótima.

Em dezembro de 2016, comecei a sentir umas fisgadas na mama direita (sim, aquela problemática) e já fiquei com medo. Já estávamos na cara do gol do final de ano, natal, ano novo… eu com viagem marcada pro Uruguai, não dei muita importância e achei que era alguma coisa de trauma mesmo, de tudo que aquela mama tinha sofrido. Quando voltei do Uruguai, além das pontadas, no dia que eu cheguei de viagem, minha mama estava super vermelha e quente. Na mesma hora, marquei com meu cirurgião plástico, afinal, ele sabia de tudo que tínhamos passado até ali e achei que ele era a melhor pessoa para o caso.

Ele pediu um ultrassom das mamas e me disse que parecia uma espécie de inflamação. Me receitou antibióticos, antiinflamatório, bolsa de gelo e pediu pra eu evitar exercícios e que dentro de 15 dias, iríamos avaliar novamente.

Confesso que confiava tanto nele, que nem me aprofundei na questão. Fiquei triste, óbvio, parecia um problema sem fim, mas novamente, comprei os antibióticos (você já perceberam que eu fiquei quase 1 ano tomando antibióticos, né?) e segui com o tratamento.

Terminei os remédios e confesso que não percebi melhora. Assim que parei de tomar, voltou a dar fisgadas, algumas regiões ficaram mais rígidas, voltou a vermelhidão e agora o pior de tudo: Tinha nascido uma espécie de furúnculo da lateral do meu peito. Já estávamos em fevereiro e eu tentava levar minha vida pessoal e profissional normalmente.

Fui ao meu médico cirurgião com o furúnculo e ele disse que era uma infecção. Colheu material desse furúnculo para análise bacteriana e quando saiu o resultado, mais uma vez, me recomendou uma nova leva de novos antibióticos, antiinflamatórios e bolsa de gelo. Ainda confiando nele e confiando que ele saberia como tratar, comecei um novo ciclo de antibióticos de 15 dias. Nada feito. Mesmos sintomas e agora pro meu pânico realmente se instalar, nasceu um novo furúnculo em outro lugar da mama.

Eu comecei a perder a confiança no que meu médico fazia e achei que ele não sabia tanto sobre o que estava acontecendo comigo quanto eu de início acreditei. Comecei a pesquisar sozinha sobre infecção, infecção na mama, infecção pós cirúrgica… e encontrei pouquíssima coisa. Como disse no início desse post, raramente encontramos histórias problemáticas pós cirurgia plástica na internet, mas se você frequenta consultórios e hospitais por um longo período como eu, escuta tantas, mas tantas histórias, que se pergunta por que se fala tão pouco disso.

Mas voltando a minha história, foi quando eu pesquisando, li duas informações que me fizeram ter certeza que eu precisava de outro médico:

1) Em caso de infecção em mama com prótese a bactéria raramente morre porque ela se esconde na prótese e fica protegida aonde os remédios não conseguem chegar.

2) Eu precisava de um infectologista! Esse médico é o único que realmente pode me dizer qual o melhor tipo de tratamento pra mim.

Já era abril, eu estava há 4 meses com dores, vermelhidão, placas duras no peito e furúnculos, quando eu fui novamente no meu então cirurgião plástico e coloquei essas questões pra ele. Ele me disse que não achava que a bactéria estava no silicone e que se eu quisesse, poderia procurar sim um infectologista, que ele não era contra.

Bom, foi o que eu fiz: marquei 2 consultas com infectologistas diferentes. E os dois tiveram exatamente a mesma opinião. Em resumo, acreditavam que a bactéria entrou nos seios durante o período de necrose e ficou escondida ali, esperando o melhor momento de se manifestar ou entrou na minha segunda cirurgia, quando eu refiz a cicatriz, provavelmente porque o ambiente não estava devidamente esterilizado.

Também tinham certeza que a bactéria estava sim no silicone e que para o meu caso e minha bactéria, só saberíamos mesmo a medicação certa a ser usada, depois que abrisse e somente um infectologista poderia receitar. Sim, eu teria que fazer uma nova cirurgia, retirar o silicone (sem poder colocar novas próteses) e fazer uma cirurgia para limpar tudo lá dentro e recolher material para levar para laboratório e saber qual bactéria estava instalada para, de fato, fazer o tratamento apropriado. Seria uma cirurgia zero estética, não seria considerando nada além de saúde. Então poderiam ficar super diferentes um do outro, flácidos, tortos… Pra fechar com chave de ouro, disseram que a cirurgia era urgente e que eu deveria operar o mais rápido possível.

Com essas informações, voltei no meu médico cirurgião. Nesse momento, foi a primeira vez que ele disse que a bactéria estava sim no silicone de uma forma como se ele já tivesse me dito isso (mas ele não tinha!), mas que não via dessa forma, que não tinha urgência, que eu poderia operar quando eu quisesse e que também não via a necessidade de um acompanhamento com infectologista. Inclusive disse que eu poderia sim, colocar outros implantes na hora da cirurgia se eu quisesse.

Nesse momento, eu perdi totalmente a confiança que tive nele durante o ano de 2015 e 2016. Eu estava com uma bactéria nos seios desde dezembro de 2016, já estávamos no final de abril de 2017 e percebi que ele não tinha a menor ideia do que estava acontecendo de verdade, que como um dos infectos me falou, eu estava correndo risco de ter uma sepse, que nada mais é que uma infeção generalizada.

Foi assim que eu decidi procurar outro médico e caí na minha médica cirurgiã atual que agora é minha heroína. Logo na primeira consulta ela me falou exatamente tudo que os infectologistas anteriores tinham me falado. Sobre a prótese estar contaminada, que era urgente minha cirurgia, que não seria nada estética e que só saberíamos como tratar a infecção depois que abrisse. Já estávamos em maio e começamos a bateria dos mil exames e pedido de liberação do plano de saúde para a cirurgia.  Nem precisa falar como isso demora, né? Pra conseguir horários de exames é um parto, liberação de cirurgia temos que enviar até a calcinha e a palavra “urgente” não significa nada para o plano de saúde.

Exames feitos, liberação do plano ok, data reservada do hospital, médica cirurgiã plástica e infectologista! Tudo certo, marcado pro dia 15 de agosto de 2017. E aí começou um novo capítulo dessa história que começou em 2015… Fiz a cirurgia no dia 15, retirei as próteses, a minha médica fez a limpeza. Quando saí da cirurgia estava com 2 drenos, cheia de dor, fraca e logo comecei os antibióticos venosos via picc. Essa era a primeira notícia: Para o meu caso, os antibióticos que matariam a bactéria não existiam via oral. O que significava que eu eu teria que ficar no mínimo 15 dias no hospital recebendo antibióticos.

No dia 18 mais uma notícia: Teríamos que fazer uma nova cirurgia (uma coisa que a minha médica tinha me alertado logo na primeira consulta que poderia acontecer). Minha mama direita (claro) tinha feito coágulos e teríamos que retirá-los. Lá fui eu pro centro cirúrgico novamente… No dia 19 mais uma notícia! A picc colocada no meu braço para eu receber os antibióticos tinha me causado uma trombose.

Então eu estava no hospital me recuperando de 2 cirurgias, tomando antibióticos fortíssimos e teria que começar a tratar uma trombose… Ao total, eu fiquei 16 dias no hospital, 4 no CTI. Todo dia eu fazia mil exames, sentia muita dor, era tanta coisa na minha veia que elas começaram a sumir e cheguei a colher sangue até na perna (cara, doí MUITO!) e achar veias para acesso profundo no pescoço, conhecida entre os médicos como veia jugular.

Eu passei meu aniversário no hospital e quando finalmente saí eu estava super fraca e muito, muito assustada. Sabe quando você vê aqueles cachorros de rua que qualquer movimento seu eles já se encolhem? Eu tava assim. Eu senti tanta dor, fiz tanto exame dolorido, senti tanta coisa, meu corpo ficou tão desgastado que eu criei um pânico que nunca tive de agulha, hospital…  Estamos hoje no dia 27 de setembro de 2017. Completou 1 mês e alguns dias das minhas cirurgias. Meus últimos exames mostram que não tem mais infeção e que a trombose do braço está se desfazendo. Mas sigo em observação porque a infecção pode sim, voltar.

Correndo tudo bem a previsão para eu estar realmente 100% é somente em dezembro. Ainda tenho que fazer curativos, estou tomando remédios e vou começar um tratamento de oxigenoterapia. Agora não tenho mais prótese e mesmo sem ter sido uma cirurgia estética, meus seios não estão esquisitos. Minha médica fez o possível para deixa-los simétricos e levantadinhos. O direito está um pouco menor que o esquerdo e agora uso 44/46. Não foi uma cirurgia estética então obviamente o resultado não é esteticamente lindo como tinha ficado depois que me recuperei da necrose. Mas sinceramente? Graças aos deuses hoje sou uma mulher que consegue ver isso tudo como um detalhe. Eu sem dúvidas sou uma sobrevivente e meu corpo e minha mente aguentaram MUITA coisa. E eu sou forte demais. Bem mais do que eu imaginava.

Estou há 2 anos tentando vencer uma cirurgia mal sucedida. Por isso repito aqui: Pensem 1, 2, 3… MILHÕES de vezes antes de fazer uma cirurgia estética. Você tem que estar realmente preparada pra tudo, inclusive pra arrumar um problema quase crônico. Se certifique que você está pronta fisicamente e mentalmente pra TUDO. E digo mais: Acho válido ter um acompanhamento psicológico antes, durante e depois de qualquer cirurgia. Meu caso foi extremo, mas “probleminhas” são comuns e pequenas questões como a falta de independência durante o processo de recuperação, como sua pele e corpo reagem aos remédios e a ansiedade que temos por ter que passar um período longo de molho, dá uma perturbada na cabeça.

Dessa história eu sei que algumas cicatrizes físicas e emocionais, vou levar pra sempre. Ainda estou no processo da cura física, emocional e psicológica, mas sei que é um processo lento e as coisas acontecem ao seu tempo. Ainda não me sinto curada porque ainda estou em tratamento. Mas hoje sou grata por ter encontrado a minha médica MARAVILHOSA que recomendo de olhos fechados, por meus amigos que ficaram comigo o tempo todo e pela minha família por tanto amor e dedicação. E também porque vi como sou e estou sendo forte e todas as minhas outras questões do dia a dia, trabalho, família… ficaram minúsculas e sei que agora, vou tirar tudo de letra. Quando você está em uma situação que você realmente pode morrer, entende a magia de viver.

Obrigada todas vocês que me enviaram energia positiva. Espero daqui, retribuir esse carinho de alguma forma. Seguimos. Sempre aprendendo, agradecendo e ficando mais forte.

 

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