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Bravas Viajantes: 7 histórias de mulheres que viajaram sozinhas

É com muito orgulho que eu venho aqui apresentar mais uma publicação de uma amiga! Depois da Marília Lamas com o seu “De Menina e de Menino”, chegou a vez da Louise Palma lançar sua história de viagem em um livro! Bravas Viajantes conta sete histórias, de sete mulheres que viajaram sozinhas, cada uma pra um canto.

Samantha aventurou-se nas trilhas e cachoeiras da Chapada Diamantina, na Bahia, descobrindo mais sobre si e seu corpo.

Gabi foi de ônibus ao ponto mais ao sul do continente americano, na Patagônia argentina, superando medos e inseguranças.

Danieli, deficiente visual, embarcou para Nova York a fim de conhecer e treinar seu cão-guia.

Louise ansiava por assistir a shows de rock na Alemanha, e para isso viajou de carona e dormiu em sofás de desconhecidos.

Gabriella explorou a Tailândia, o Vietnã, o Laos e o Camboja, onde teve encontros memoráveis com outras mulheres.

Priscilla fez um intercâmbio na Austrália, encarando trabalhos bizarros para se manter por lá.

 

Tamy demonstrou ser uma verdadeira expedicionária ao ir do Quênia à África do Sul, passando Tanzânia, Zimbábue, Botsuana e Namíbia.

E assim, no Brasil, na América do Sul, na América do Norte, na Europa, na Ásia, na Oceania e na África, essas bravas mulheres percebem a força que têm e comprovam onde é o lugar delas: no mundo.

Esse tema já passou por aqui quando postamos sobre as dores e delícias de ser uma mulher viajando sozinha. Cada vez mais se fala de empoderamento feminino, desigualdades de gênero e movimentos feministas. As mulheres, no Brasil e no mundo, estão mostrando que não há limites do que elas podem fazer e até onde elas podem ir. Viajar sozinha, por exemplo, muitas vezes é visto com preconceitos ou preocupações exageradas.

Nesse cenário, a Editora O Viajante lança o livro Bravas Viajantes, que celebra sete mulheres que se aventuraram sozinhas por sete cantos do mundo, em sete histórias que devem incentivar
outras mulheres (e homens também) a fazer o mesmo. A obra – editada pelo autor de guias de viagem
Zizo Asnis e com prefácio da apresentadora de TV Didi Wagner – será lançada no dia 8 de março, não
coincidência, Dia Internacional da Mulher.

As autoras:

Samantha Chuva, 26 anos, jornalista, mineira, mora em São Paulo.

Gabi Raposo, 31 anos, jornalista fluminense, hoje mora na França.

Danieli Haloten, 37 anos, jornalista e atriz, paranaense, mora em Curitiba; tornou-se a primeira atriz cega do mundo a atuar em uma novela, Caras & Bocas, da Globo.

Louise Palma, (minha amiga!!), 31 anos, jornalista, carioca, hoje mora em Portugal e já foi apresentadora web do canal Multishow.

Gabriella Morena, 34 anos, psicóloga, fluminense, morou 26 anos em Minas e hoje vive no
Rio.

Priscilla Cassioli de Moraes, 33 anos, funcionária pública, paulista, mora em Itanhaém, litoral sul de
São Paulo.

Tamy Rosele Penz, 35 anos, publicitária, gaúcha, mora em São Paulo.

Um ótimo incentivo pra quem sempre teve essa vontade, mas não conseguiu amadurecer a ideia a ponto de se jogar!

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“Mas você vai sozinha?”

viajar sozinha

Desde muito novas, por mais liberal e consciente que tiver sido nossa educação, nós mulheres sabemos que a sociedade espera que nos coloquemos nos “nossos lugares”. A partir do momento em que uma mulher resolve passear pelo mundo sozinha, sem maiores satisfações, ela acaba declarando de maneira silenciosa — e nem sempre intencional — que não é dependente, submissa, não tem medo de ficar sozinha e, claro, que nosso lugar é onde a gente quiser. Mesmo.

 

Começar a mochilar sozinha não foi um objetivo de vida ou uma espécie de declaração de autossuficiência, foi uma solução prática: eu queria ir, ninguém queria ir comigo, mas eu realmente queria ir e fui. Nessas viagens eu cresci muito como pessoa e aprendi uma coisa sobre as pessoas: para algumas é quase absurdo você ser mulher e viajar – ou estar – sozinha. Em Roma, dois garçons, em restaurantes diferentes, se ofereceram para jantar comigo e eu não comer sozinha, senti quase como se fosse inadequado uma mulher estar jantando sozinha na Itália.

 

 

A gente vai ouvir “mas você vai sozinha?”, “você não tem medo?”, “mas e se acontecer alguma coisa?” e a que mais me irritava e que se repetiria por mais vezes que eu queria acreditar: “mas seu namorado deixou?”. Claro que essas perguntas virão embebidas de preocupação e cuidado (a última não, essa é absurda mesmo), mas também de um certo julgamento, algumas vezes senti até um tom de pena por eu estar contando que passaria dois, quatro meses sozinha.

Além de perceber a aparente falta de confiança das pessoas no seu bom senso, se aventurar por esse mundo só com a sua companhia tem um lado ruim: a solidão inevitável em certas situações, as fotos horríveis porque ninguém se esforça, não poder beber muito para não ficar vulnerável em um mundo em que o machismo e a cultura do estupro imperam, por exemplo. Mas em troca você ganha a liberdade. De ser e fazer o que quiser, de investir suas horas no que parecer mais legal naquele momento, de olhar pra dentro, de se descobrir, de se curar e de se permitir seguir em frente. Viajar sozinha é uma ótima oportunidade para olhar para dentro e identificar o que precisa do remendo de novas cores, novas comidas e experiências.

É importante percebermos que solidão vai bater, sim, em alguns momentos quando se viaja sozinha, mas não porque somos mulheres, e sim porque somos humanas. Os desafios vão aparecendo e vamos superar todos eles e voltar pra casa mais fortes e nos sentindo invencíveis porque nos desafiamos, desafiamos o que pensavam sobre nós e nos tiramos do lugar submisso e dependente em que a sociedade insiste em nos colocar, mas que não nos pertence. Mais do que tudo, essas experiências me mostraram outra vez que mulheres desafiando o que esperam delas causa um desconforto muito grande. Mulher sozinha e feliz incomoda.

Então vão, vamos incomodar. A gente já segura tanta coisa no dia a dia: tanto machismo enraizado, tanta gente achando que não somos capazes, que somos frágeis demais para lidarmos com os imprevistos da vida, que somos um pedaço de carne sem vontade própria, que vamos assustar os homens se formos independentes demais… Vão, vamos. Um dia seremos tantas na estrada que ninguém vai poder perguntar em tom de pena se vamos sozinhas. Porque todo mundo vai saber que vamos todas juntas.

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Mulheres viajantes: As dores, as delícias de ser uma mulher viajando sozinha

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Viajar só entre amigas é perigoso? E viajar sozinha?

Por que mulheres desacompanhadas por um homem são colocadas como em uma situação de risco? A cada dia mais proliferam-se dicas em sites e blogs de como as mulheres devem se portar em viagens para não serem um alvo fácil, os conselhos vão desde usar uma aliança falsa até não visitar determinados países sem a companhia de um homem. Tais informações nos trazem indicativos importantes sobre o que é esperado do comportamento de uma mulher.

 

Para além disto, será que o fato de nós, mulheres do século XX e XXI viajarmos sozinha se deve ao empoderamento provocado pelo movimento feminista? Ou já tivemos outras mulheres que fizeram o mesmo? A ideia de que nós somos a geração que faz, acontece, tem pressa, tem iniciativa, acaba por criar paralelamente um asco pelo passado.

Um passado que lemos como antiquado, em que as pessoas não faziam nada para se satisfazer, em que as mulheres não tinham possibilidades e nem almejavam novos espaços. É uma pressa que engole até mesmo a narrativa.

O que nos falta de fato é fazer as pazes com um passado que em muito se aproxima com a nossa realidade, pois ali também existiram sonhos e frustrações que se assemelham um tanto com as nossas vivências. Uma destas angústias de caráter feminino, é como a sociedade enxerga e avalia mulheres que viajam sem uma companhia masculina.

Seja esta análise consciente ou não. Temos vestígios históricos de mulheres que viajam sozinhas desde o século IV. O livro Mulheres Viajantes, da portuguesa Sónia Serrano é uma ótima fonte sobre isto, pois elenca personagens do século IV ao XXI e os seus diferentes objetivos.

Diante de alguns questionamentos próprios sobre como foi pra mim a minha primeira viagem sozinha e as minhas viagens entre amigas, senti a necessidade de falar e contar sobre isto, pois muitas vezes fui abordada como uma mulher corajosa por alguns, e até mesmo, digna de pena, por outros.

Afinal, por que gera tanto burburinho? Me parece que algo sai das nossas caixas de normalidade e foi esse ponto que me interessou. Isto está bem relacionado ao que esperam de nós, enquanto mulheres, aos espaços que podemos ocupar. Vocês já ouviram a expressão “lugar de mulher”? Pois bem, faz parte da estrutura em que estamos inseridos, o regulamento de nossos corpos também (não só os femininos), um poder que atua diretamente nessas relações, o que o filósofo francês Michel Foucault chamará de biopoder.

Com essa pulguinha de incômodo sobre o “lugar de mulher” e certa dor depois de ver como muitos reagiram à cobertura midiática sobre a morte das jovens argentinas no Equador, decidi criar o projeto Mulheres Viajantes, em que publico relatos de mulheres que viajam sem companhia masculina, como forma de expor as delícias e as dores, as nossas possibilidades e constituir uma rede de apoio.

Um sonho ou não, a minha vontade é que possamos não mais pensar se pode ser perigoso ou não viajar só.

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Viajar sozinha: você pode e deve!

 

Viajar sozinha é, antes de mais nada, uma oportunidade única de descoberta. Descobrir a si mesma, ao outro e tudo que esse mundo imenso, louco e incrível tem para oferecer. Se eu pudesse te dar apenas um conselho nessa vida, diria que “vai passar!”. Se eu pudesse dar dois, sem dúvida acrescentaria: viaje sozinha!

Na minha primeira vez, eu tinha 19 anos e resolvi fazer um mochilão pela América do Sul. Uruguai, Argentina e Bolívia. É verdade que o plano inicial era viajar com uma amiga, que por mil motivos não conseguiu ir. Deu um frio na barriga? Deu! Mas nem por um minuto eu pensei em desistir e fui sozinha mesmo.

Nunca tinha viajado de avião, nunca tinha ido para outro país, nem viajado sozinha. Não sabia que precisava fazer seguro saúde, ou que precisava tomar vacina de febre amarela para entrar na Bolívia. E acredite: tudo que podia dar errado, deu! Eu desmaiei na sala do gerente do Banco do Brasil de Buenos Aires, meu cartão bloqueou e o banco insistia que eu precisava estar na minha agência para desbloqueá-lo, um policial boliviano me pediu como propina duas garrafas de 1L de Coca-Cola e, por fim, precisei ir de La Paz, capital da Bolívia, a Teixeira de Freitas, extremo-sul da Bahia, de ônibus.

Isso mesmo! D-e-ô-n-i-b-u-s! De acordo com o Google Maps, são 3.910km. Foram quase três dias de viagem. Hoje, passado o sufoco, a irritação, a vontade de chorar, ficaram apenas o aprendizado e as histórias mais engraçadas para contar na mesa do bar. E é a isso que a gente precisa se apegar: ao que fica.

Quando se viaja sozinha, você tem duas opções: ficar realmente sozinha, ou se abrir ao outro. A escolha é sua. E eu te garanto: é tão bom se abrir, ouvir, conhecer, trocar experiências… De cada viagem que fiz, trouxe com carinho pelo menos uma pessoa no coração. A Fátima, do Uruguai; o Paul, da Irlanda (mas que eu conheci na Bolívia e depois reencontrei em Dublin); a Astrid, do México… Pessoas que eu me permiti descobrir e que quiseram me descobrir de volta. Saber mais de mim, do que eu faço, de quem eu sou, por que a gente como abacate com açúcar e não com pimenta, ou por que a gente bebe cerveja tão gelada. Pessoas que dividiram suas viagens comigo e seus momentos de descoberta. Que anos depois, continuam me mandando mensagens de parabéns no Facebook, ou quando veem alguma notícia relacionada ao Brasil, que me receberam em suas casas em outra oportunidade e que me deram o prazer de recebê-las na minha quando vieram para cá.

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Viajar sozinha é perder a vergonha de sentar sozinha em um bar e pedir um drink. Em São Paulo, não me importo de fazer praticamente tudo sozinha: ir ao supermercado, ao cinema, às compras, passear no parque, almoçar… Mas ir ao bar sozinha não é algo fácil para mim. E foi em uma das minhas viagens que eu percebi que era hora de superar esse medo bobo (ou eu ia ficar sozinha naquela noite, porque meu host do Couchsurfing ia trabalhar até tarde).

E lá fui eu, munida de um livrinho, sentar no bar, pedir um Mojito, uma porção de fritas e ficar lá, lendo. Tem gente que te olha estranho, sim, mas a gente aprende a relevar e vai descobrindo o quão prazeroso esse momento pode ser. E de repente, seus pensamentos já pularam da leitura para aquele outro dia, ou para um filme que você viu e queria pensar melhor sobre o que achou…

Para as que têm medo, eu entendo. Não é fácil ser mulher nem na nossa própria cidade, onde a gente conhece as ruas, algumas pessoas, domina o idioma… Mas já ouviu aquela frase “vai com medo mesmo”? Então, vá! Quando o medo passa, a sensação que fica é incrível! Mas antes, planeje detalhadamente, procure informações e referências; faça um roteirinho com tudo o que você precisa (desde o endereço e telefone do hotel, até como fazer para chegar de metrô a algum museu) e leve impresso; deixe o telefone de contato do hotel com alguém aqui no Brasil e não descuide do seu copo na balada. Essas são, definitivamente, as recomendações mais importantes.
Desde o meu primeiro mochilão, eu já fui para outros sete países. Todos sozinha! Agora eu não deixo de fazer seguro saúde, levo cartão extra do banco, compro ingresso de pontos turísticos com antecedência, aprendi a equilibrar o dinheiro, a como comprar a passagem mais barata…

Quando se trata de viajar, tem coisa que a gente precisa mesmo quebrar a cabeça e a cara pra aprender – e depois não errar mais. Comigo foi assim e, provavelmente, com você também será. As outras coisas, a gente aprende em um monte de blog e site que existe na internet dando dicas, conselhos, ensinando os melhores caminhos e roteiros…

O mundo é grande demais e a vida muito curta para dependermos dos outros. Se permita!

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