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dia dos namorados sozinha ou acompanhada

Por Helena Martinelli:

Fui solteira na maior parte da minha vida. Na verdade, só passei acompanhada os sete últimos 12 de Junho (esse incluso). E é interessante constatar que ter um macho nesse dia me traz mais uma sensação de alívio por não estar solteira do que de satisfação por estar namorando.

Sim, porque francamente, satisfação por estar com ele eu tenho durante todos os outros dias do ano. Nesse dia, especificamente, me dá um pouco a impressão de que estou cumprindo meu dever perante a sociedade do que celebrando nosso amor, sabem?

Não que eu não goste de ganhar presentes… Quer dizer, na verdade eu não gosto, sou muito chata e prefiro escolher tudo, mas sou uma exceção. A humanidade em geral gosta de ser presenteada e qualquer desculpa pra isso é válida.

Talvez esse meu pé atrás seja um pouco de raivinha de todos os anos em que passei solteira. Ou trauma da vez em que fui com o macho num restaurante e pedi o prato mais barato, com pena do tanto que ele ia gastar, e acabei semi-digerindo um risoto de polvo – uma das piores experiências gastronômicas da minha vida.

Enfim, o fato é que dia dos namorados sempre me lembra de um fatídico dia em que eu estava no terceiro ano colegial, triste por ter sido ignorada por mais um dos meus paqueras e dispensada da minha função nada nobre de step, e uma colega surfistinha, com jeitão de dyke, me disse muito séria: “sua hora vai chegar”.

Naquele momento, encarei o que ela disse como mais um daqueles conselhos de amigas que não sabem exatamente o que dizer, mas o tom de certeza da menina foi tanto que aquilo nunca mais saiu da minha cabeça.

E, embora eu não seja lésbica, nem muito menos surfista, gostaria de oferecer essa frase pra todas as meninas nessa polêmica data: sua hora vai chegar. Se não a hora de comemorar o dia ao lado de um ser amado, a hora de perceber que isso não é mesmo tão importante e que você realizou coisas demais nessa vida pra se deixar abater por isso.

Ou talvez chegue a hora em que nós, meninas atualmente acompanhadas, passemos esse mesmo dia chateadas, tentando lembrar de como era bom ter alguém pra chamar de nosso, ou simplesmente percebendo que é melhor estarmos sozinhas do que com aqueles trastes.

Pra mim, dia dos namorados é um bom dia para lembrar que tenho alguém, mas um dia ainda melhor para lembrar que eu me basto. E a máxima antes só do que mal acompanhada, prevalece.

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