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Pois é, eu estive mesmo. Estive pensando sobre ex namorados e no que aprendi, no que vivi e como cada um deles me construiu. Na verdade, tô plagiando minha eterna psicóloga, Alanis Morissette. Ela sempre me estimulou a pensar na vida, a analisar aprendizados.

E um belo dia eu estava aqui no meu quarto e meu shuffle me presenteia com Unsent. Um música que ela escreveu sobre e para todos os seus ex namorados.

 

Enquanto eu ouvia a música, comecei a pensar o que eu falaria para os meus ex-namorados, sobre eles, o que eles representaram pra mim…

E eu fiz pequenas cartas mentais para cada um. Antes de escrever o post eu também estava mexendo em diários antigos e achei trechos de músicas que na época eu achava que tinha a ver com o que eu sentia. Essas músicas  me levam totalmente a eles e talvez nem eles saibam disso.

 

Meu primeiro amor.

Meu primeiro namorado foi meu primeiro grande amor. Eu tinha 14 anos e pode parecer coisa de filme clichê, mas eu era completamente inocente. E pode parecer mais clichê ainda, mas vivemos aquele amor de filme.

Era meio proibido, meio escondido, pra algumas pessoas talvez meio errado. Até o jeito que a gente se conheceu foi meio coisa de filme. Ele me mostrou coisas da vida que eu nunca tinha visto, me ensinou a pensar diferente, ele me ensinou a pensar.

E eu amei demais. Amei com toda força e dedicação que só uma garota de 14 anos consegue amar. Foi, é, e sempre será uma das pessoas mais importantes da minha vida, meu eterno amor, que guardo em um lugar especial no coração de onde ninguém nunca vai tirar.

Ele foi meu primeiro tudo e eu não consigo imaginar ter compartilhado e vivido tudo que vivemos com outra pessoa. Foi uma das experiências mais intensas que vivi.

A gente sempre soube que ia acabar. Não tinha pra onde ir, mesmo assim a gente fez planos de fugir, planos de morar juntos.

Mas tudo que vivemos tinha que ficar em um lugar puro, seguro, longe da realidade da vida adulta e assim ficou. Tudo que vivemos em quatro anos guardado em caixinhas com mil cartas, terminava ali, com meus 18 anos.

Obrigada por me fazer crescer e construir o mundo com meus próprios olhos. Obrigada por me ensinar a pegar ônibus. Obrigada por ter me dado o presente de fazer parte da minha história.

O razões erradas.

Meu segundo namorado, devo admitir, não tinha muito sentimento ali. Eu tinha 18 anos, estava vendo meu primeiro amor apaixonadinho por outra e estava sofrendo pelo que “abalava as minhas estruturas” (vocês ainda não o conhecem, mas ele já tinha entrado na história). Mas foi com ele que aprendi mesmo que o amor não é sempre uma via de mão dupla, que relacionamentos fodem a cabeça das pessoas e como por causa de tudo isso, podemos nos tornar pessoas bem diferentes do que a gente imaginava.

A gente se conheceu em um trabalho e ele era “carne nova” no pedaço (gente, quantos anos eu tenho, 60?) e todo mundo começou a botar pilha pra eu ficar com ele. Ok, pilha colocada, pilha aceita, a gente ficou. E ficou de novo, e foi ficando… e quando eu percebi ele me pediu em namoro. E eu pensei, ah, por que não? Tô aqui sem fazer nada… e namorei.

Namorei pela minha autoestima, namorei porque queria namorar antes do meu primeiro amor, namorei porque queria esquecer “o que abalava minhas estruturas”. Namorei por todas as razões erradas.

E ele era aquele tipo que estava namorando porque estava apaixonado. E ele me mandava cartas, me fazia surpresas e comprou até cd’s do Oasis pra ver se ele começava a gostar. Ele estava muito envolvido e eu não.

E então “o que abalava as minhas estruturas” entrou na minha vida pra valer, e eu sem pensar duas vezes deixei ele de lado, sem muita dó. E ali eu quebrei um coração, e com certeza naquele momento transformei um garoto legal que acreditava no amor em um garoto com no mínimo um pouco mais de pé atrás.

Quando você sai de um relacionamento e os dois sofrem tudo parece justo, mas com ele nada parecia. E esse sentimento de culpa eu vou carregar pra sempre.

Ele chorou, ele ligou pra minha mãe, ele teve o coração quebrado. E eu não. Mas ele aprendeu comigo a dura lição dos jogos do amor. E eu também aprendi com ele até onde um coração quebrado pode ir.

Eu aprendi com ele a respeitar bem mais o sentimento do outro, e eu peço desculpas por ter aprendido do jeito difícil.

O que abalava minhas estruturas.

Eu conheci meu terceiro namorado aos 16 anos. E sim, foi paixão a primeira vista. E sim, eu ainda estava junto do meu primeiro namorado. Mas essas coisas a gente não entende muito bem porque acontecem.

Era o primeiro dia de aula na minha escola nova. E como em todo primeiro dia de aula eu cheguei mais cedo pra sentar lá atrás e observar. A sala já estava cheia, o sinal já tinha tocado e o professor já estava em sala. E ele entrou. E meu coração, literalmente, disparou e ali seria o início do relacionamento que mais abalou meus outros relacionamentos, minha vida e minha autoestima até hoje.

Eu contei do tal garoto do colégio pro meu namorado. E ele também estava em uma época com outros interesses então decidimos continuar juntos, mas a gente podia sair com outras pessoas.

Então, eu saí, eu saí com o garoto da escola que abalava minhas estruturas e eu me apaixonei por ele. Mas ele não se apaixonou por mim. Ele estava mais a fim da minha melhor amiga do colégio, que era loira, alta e gostosona. Todos os garotos estavam a fim dela e por sorte deles, ela estava a fim de todos.

E eles ficaram na minha frente na escola dois dias depois que eu e ele tínhamos ido ao shopping juntos. E meu coração se partiu em pedaços. Eu tinha 16 anos e foi o primeiro golpe dele na minha autoestima. Ele me dizia: “Você é a garota mais incrível que eu já conheci.” E saindo com outra, nada daquilo fazia sentido.

Bom, eles começaram a namorar e eu virei “melhor amiga do casal.” Não por muito tempo. Eu saí do colégio, mas eles não saíram da minha vida. Sempre ligavam, queriam me encontrar, já até bateram na porta da minha casa, mas eu fugi deles. Fugi por dois anos quando pra comemorar meu aniversário de 19 anos eu resolvi convidar todo mundo que já tinha passado na minha vida.

Eu estava em uma fase boa, feliz, namorando o garoto que levantava minha autoestima e não abalava meu coração e queria celebrar tudo isso.

Então liguei pra ela, e descobri que eles não estavam mais juntos. Então liguei pra ele e ele reconheceu minha voz, dois anos depois. Ele me chamou pra sair e eu menti pro meu namorado e fui. E foi paixão a segunda vista. Só que dessa vez, era diferente, você percebia nos olhos dele que ele sentia o mesmo.

E dali em diante, a gente não se desgrudou mais. Eu amava ele loucamente. Tudo, cada coisinha. O jeito, a forma que ele segurava o cigarro, como ele falava, o cabelo, como ele me tratava e amava até as neuroses e manias de perseguição que ele tinha.

Eu poderia ter amado ele pra sempre, mas a vida tem dessas coisas. Foram seis anos juntos. E apesar de me sentir muito amada, eu me sentia insegura.

Tínhamos longas conversas sobre problemas que passávamos, sobre o que queríamos do futuro e quase sempre o problema parecia que era pela fato de eu não ser boa o suficiente. Hoje eu vejo que o amor me cegou. Ele foi o cara mais inseguro que conheci na vida, e acho que no fundo, ele queria que eu me sentisse igual.

E assim de pouquinho em pouquinho ele foi me transformando em uma pessoa sem muitas certezas, sem muito amor próprio. Tudo que ele colocou abaixo, levei tempo pra construir de novo. Na verdade, não construí ainda. Depois de tudo que a gente passou ele me fez ver o amor de forma diferente, diferente de tudo que eu acreditava até então.

Ele me fez ver, na realidade, que o amor não é tudo. A gente precisa de bem mais que isso pra fazer dar certo. Ele quebrou meu conto de fadas da Disney.

O desgaste emocional desnecessário. Não, o necessário!

Depois que terminei e realmente tirei da minha existência “o que abalava as minhas estruturas” eu tive o período mais WILD da minha vida. Foram três anos que eu nem cogitava namorar, conhecer alguém pra ficar sério. Na verdade foi um período que eu nem acreditava mais nisso. Eu só acreditava em sexo, drogas e rock’nroll. Cliché de revoltadinha? pode ser, mas é a pura verdade.

Mas no fundo (nem tão no fundo) eu sempre fui uma garota romântica. Lá, pré e durante o período do garoto que abalava minhas estruturas eu sonhava em casar cedo, ter meus filhos e a simple kind of life. Eu comecei a sentir falta de ter um relacionamento de novo. A única certeza que eu tinha é que viveria isso de uma forma muito mais racional. Sem grandes abalos emocionais, sem muita entrega.

Foi quando eu conheci meu ex namorado. Conheci ele na night, ficamos e eu achei que nunca mais iria ver ele na vida. Ele me mandou mensagens no facebook que fui receber meses depois (quer dizer, eu recebi, mas até então não sabia da existência da opção “outras mensagens” no inbox do facebook) e um dia fazendo a limpa no meu iPhone vejo um número anotado como “mothafucka” . Depois de passar alguns minutos olhando aquele número sem fazer a MENOR ideia do que se tratava falei com o tal “mothafucka” que me fez lembrar de todo o ocorrido.

Ele parecia um garoto interessante, eu estava aberta e achei que seria legal dar uma chance de conhecer alguém. E ele parecia interessado. Sem curtir Oasis, ele surgiu no Oasis day (evento para fãs de Oasis mas não vamos nos estender aqui sobre isso hahaha), sempre me procurava, me encontrava aonde quer eu estivesse, me mandava mensagens fofas na madrugada. No começo eu estava zero interessada nele, mas ele parecia estar disposto a fazer tudo pra me conquistar e quebrar o gelo que estava em mim por três anos. Achei perfeito. Tudo caminhava de acordo com o plano: “um relacionamento mais racional do que emocional”.

Lembro do dia que recebi uma mensagem dele dizendo que achava que a gente não deveria ficar mais. Porque ele estava “tipo apaixonadinho e eu não”. Quando recebi aquela mensagem, parte do meu gelo derreteu e eu pensei em dar uma chance real àquela situação.

A gente foi se conhecendo melhor, se envolvendo mais e ele parecia exatamente o que eu buscava. Me tratava bem, sem grandes rompantes de amor, um garoto bom, semi estruturado (financeiramente falando).

Mas não demorou muito pra coisa do “ponto certo” cair para “não desejável”. Não demorou muito pra eu descobrir que ele era do tipo que quer uma coisa quando ela é difícil, sabe? Quando ela vem sofrida, quando você tem que rebolar pra conseguir ela. Ele é do tipo que curte a batalha e não a calmaria da terra conquistada. Depois que ficamos juntos, ele foi ficando cada vez mais distante. Quanto mais ele me tinha, mais sem graça tudo aquilo parecia pra ele. E o relacionamento mais racional parecia cada dia mais um  friends with benefits (não o filme fofinho, o real significado da coisa mesmo). Sendo que nem amigos nós éramos.

Eu me vi ali, presa em um relacionamento que começou a ficar vazio e sem sentido pra mim. Percebi que apesar dos traumas e da fase era do gelo que durou três anos eu era a mesma. Queria um amor, queria ser amada, queria ser especial pra alguém. E eu não estava recebendo nada daquilo. Foi aí que vi como o desgaste emocional desnecessário foi necessário pra mim.

Aprendi que não devo ficar em nenhum lugar que não estou tendo o que acho que mereço.

O personagem.

Meu quinto namorado chegou na minha vida em um momento que eu não esperava. Eu estava apaixonada por outro, mas extremamente machucada. Estava tentando esquecer esse cara, porque já tinha entendido que nosso timing era diferente e eu estava de saco cheio de ser a garota do intervalo.

A primeira vez que eu o vi, aquele que seria meu futuro namorado, foi de longe em um show. Ele estava sozinho, se divertindo, mas parecia que não existia mundo ao redor dele. Praticamente imóvel, ele tinha os olhos fixados no show e eu fiquei completamente envolvida por aquela imagem que me parecia meio rebelde, meio nem aí e pra saber mais sobre aquela pessoa. Naquele momento, naquele lugar, ele parecia uma visão que eu passei todo tempo olhando fixamente como se eu tivesse sido enfeitiçada.

Não nos falamos e nem fomos apresentados um ao outro esse dia, mas ele levou pra casa um blilhetinho com meu nome. Não é difícil me achar na internet. Dia seguinte, ele me adiciona. Alguns dias de conversa no whatsapp, a gente marca de se encontrar. Era a primeira vez eu eu realmente o veria de perto, trocaria uma ideia e eu estava bem ansiosa. Estava com aquela expectativa de sentir de novo o que senti no dia do show. Lugar combinado, encontro marcado: “Oi, tudo bom?” e um beijo na bochecha.

Um segundo depois de nos apresentarmos, um estalo. Meu sexto sentido gritou: “Ele não é o cara pra você, ele não é o que você procura e não está pronto para o que você quer.” Eu sei que parece papinho místico, mas juro, foi o que aconteceu. Eu olhei pra ele e não senti nada. Nem perto do que senti quando avistei ele de longe no show… a sensação que tive é que nem era a mesma pessoa. Mas eu resolvi ignorar minha intuição, minha primeira impressão e dei corda. Ficamos, e eu odiei nosso primeiro beijo. Não conseguia sentir uma conexão, uma atração verdadeira e achei mesmo que daquela noite, não passaria. Confesso que nem sei o que me fez marcar um segundo, terceiro, quarto encontro… Nossa primeira transa foi desastrosa.

Mas ele era engraçado, carismático, gesticulava muito e claramente aumentava histórias para fazer com que elas ficassem melhores e eu chorava de rir com ele. Meu tipo de cara não é engraçado, bobo e nem dado a movimentos bruscos, mas eu via nele uma companhia agradável e ele fazia eu me sentir bem comigo mesma, fazia eu me sentir linda e com a sorte de um amor tranquilo.

Ele foi me ganhando e me vendendo uma ideia de que ele era o cara certo pra mim. Ele era observador e sacou o que eu estava procurando e sabia direitinho vender o peixe que ele era o número certo. Eu acreditei e aos poucos, o sentimento foi se construindo. Nunca foi arrebatador, nunca foi paixão. Mas eu amei ele, eu escolhi ele e eu estava muito disposta a fazer dar certo.

Ele esteve comigo, do meu lado em uma das épocas mais difíceis da minha vida, quando o pesadelo da minha cirurgia de mama começou e eu sou muito grata, eternamente grata ao companheiro que ele foi pra mim nessa época e pelo amor que ele me doou e como, mesmo nessa época, ele fazia eu me sentir linda.

Mas com o tempo, nosso relacionamento de algo leve, foi ficando um fardo e estagnado. Ninguém sustenta um personagem por muito tempo…  e ele não estava sustentando. E eu comecei a perceber que ele interpretava uma pessoa que não era, falava de coisas que não podia fazer ou nem queria fazer, porque não queria me perder. Algo que eu sentia desde o início e tentava fingir que não via.

Qualquer assunto mais profundo sobre nós, sobre ele, sobre construção… ele era mestre em desconversar e transformar um papo sobre A, virar B, ou distorcer fatos para dar explicações que só convenciam a ele mesmo… Alguma técnica que não sei aonde ele aprendeu, mas só conheço ele e os políticos que dominam.

Planos eram vagos, respostas eram vagas, as direções mudavam de acordo com os ventos…. algumas relações, reações, posições, comportamentos e decisões… Fui tendo uma leitura completamente diferente de quem ele era, da maturidade dele e do que realmente tínhamos em comum.

Em uma conversa das muitas que tínhamos pelo whatsapp, principalmente por termos um relacionamento a distância durante a maior parte do nosso namoro, precisei somente de uma frase dele para eu sentir o mesmo estalo de intuição que senti no dia que nos conhecemos: “Ele não é o cara pra você, ele não é o que você procura e não está pronto para o que você quer.” Só que desta vez eu decidi não ignorar e terminei. E o irônico dessa história é que uma das últimas frases que ele me disse nessa conversa foi: “Eu não estou pronto para o que você quer.” Pois é, eu sabia disso há 4 anos já.

Foi um relacionamento divertido. Eu, que sou cheia de terra no mapa astral, me permiti ser mais fluida como a água por um tempo. Mas eu busco segurança. Busco expansão, crescimento, independência e nada disso estava ali.

Ele terá sempre um lugar especial no meu coração e rezo todos os dias para que ele desenvolva todo o potencial que eu sei que ele tem e que ele não se torne um personagem dele mesmo. Mas eu não sou pra ele e ele não é pra mim.

E o que  aprendi nessa relação é que eu devo sempre, sempre ouvir minha intuição. Que aquela vozinha que fala baixinho no nosso interior tem sempre razão e quer sempre nosso melhor.

E eu sigo na busca. Como diria Carrie Bradshaw: “I’m looking for love. Real love. Ridiculous, inconvenient, consuming, can’t-live-without-each-other love”. E eu não sei quando ele vai chegar, e se ele vai chegar. Mas sou feliz de ainda acreditar.

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