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Muito antes da medicina tradicional surgir com seu avanço cientifico e tecnológico, o ser humano desfrutava da sabedoria da Mãe Terra, usufruindo de suas ervas medicinais não só para curar doenças, mas também para preveni-las. Nossas ancestrais queimadas em fogueiras e enforcadas como bruxas não passavam de curandeiras, cozinheiras, benzedeiras e entendedoras do reino vegetal e mineral que conheciam o poder da ginecologia natural, com banho de assento e vaporização, por exemplo.

Em um mundo onde conhecimento é poder, essa sabedoria acabou ficando limitada à algumas pessoas e esquecida pela grande maioria.

A Ginecologia natural ressurgiu buscando resgatar essas raízes ancestrais e nos reconectar com a nossa força interna e com a natureza, afinal de contas somos uma extensão da Mãe Terra, vivenciando seus ciclos mensalmente através do nosso útero sagrado.

O Útero é o “coração” do corpo da mulher, é nele que ficam armazenadas as nossas experiências, a energia da criatividade, vitalidade e as memórias uterinas, que nada mais são que lembranças de experiências vividas em outras vidas, de nossas ancestrais e das trocas energéticas que fazemos ao longo da vida. Ele é a nossa conexão com a nossa essência, com a mulher que existe dentro de nós.

ginecologia natural

Ilustração: Vanja Vukelić

Por consequência de uma sociedade patriarcal, nossos Cálices Sagrados estão repletos de informações e padrões errôneos e limitantes. Moldadas para encaixar em uma sociedade onde temos que ser lineares, encaixar em padrões de beleza, incorporar papeis pré definidos por nossas famílias e pela sociedade e pensar dentro da caixinha.

Abdicamos do verdadeiro significado de Ser Mulher e fomos colocadas no arquétipo de frágeis, impuras, incompetentes, sem senso de direção. Esses padrões armazenados em nosso útero, levam às mulheres a adoecerem, não a toa que cada vez mais cresce o número de mulheres com candidíase recorrente, endometriose, ovários policísticos, miomas entre outras doenças.

A fim de nos libertar desses padrões e restabelecer a saúde da mulher, as terapias naturais buscaram nas raízes ancestrais e resgataram as técnicas de limpezas uterinas. Técnicas simples e que vem se mostrando cada vez mais eficazes.

A vaporização do útero é uma técnica que vem ganhando espaço nas rodas de mulheres e tratamentos da Ginecologia Natural. Consiste em realizar uma sauna íntima. Primeiro você precisa definir um recipiente para fazer a vaporização, uma cumbuca que caiba pelo menos 800ml de água. Preferencialmente de barro, vidro ou louça, evitando plástico e metais.

O segundo passo é a escolha das ervas, cada erva traz propriedades específicas, é importante que a vaporização cumpra um propósito, por exemplo, tonificar o útero, limpar, cicatrizar, elevar a libido entre outros. A escolha da erva vai de acordo com o propósito, minha sugestão pessoal é iniciar com a Camomila, uma erva doce e gentil, mas que trabalha as memórias do útero profundamente.

Com o recipiente e as ervas em mãos, você vai colocar a água para ferver. Água quentinha, coloque-a junto com as ervas no recipiente, recolha-se a um lugar reservado, com uma música tranquila e fique de cócoras sem calcinha em cima do recipiente com a água e as ervas, absorvendo o vapor que sobe através da sua vagina, é importante que realmente fique uma sauna vaginal. É um ritual íntimo, pede tranquilidade e entrega.

Mas além de limpar as memórias uterinas e limpar o canal vaginal, essa tal de vaporização é para que?

 

Seus benefícios são, por exemplo:

  • Melhora a circulação, o fluxo sanguíneo para a área.
  • Proporciona sensação de bem-estar.
  • Relaxamento.
  • Limpa e tonifica a pele.
  • Alívio de dores (devido ao aumento do fluxo de sangue e oxigênio para a área lesada).
  • Melhoria do sono.
  • Aumenta a fertilidade.
  • Ajuda no tratamento de doenças como endometriose, SOP, miomas entre outras.
  • Alivia as cólicas menstruais.
  • Diminui os sintomas da TPM.
  • Conforta a mulher no pós-parto.
  • Desintoxica o útero e a vagina.
  • Depois da relação sexual, o vapor relaxa a musculatura pélvica, eliminando qualquer tipo de desconforto, dor ou tensão.

Apesar de ainda não ter nenhum estudo científico específico sobre a vaporização que comprove sua eficácia, fisicamente falando é perfeitamente compreensível que a técnica tenha um efeito, afinal de contas é como se fosse uma inalação vaginal, uma vez que o vapor vai se direcionar diretamente para o canal, onde a mucosa vaginal irá absorver o vapor com a propriedade das ervas. Isso acaba caindo na corrente sanguínea. O calor promove dilatação dos vasos e melhora a circulação sanguínea no local, o que potencializa mais a ação das substâncias utilizadas.

Como nem tudo são flores nessa vida, essa técnica maravilhosa também tem suas restrições. A vaporização em si não causa mal algum, porém em alguns casos ela não é indicada:

  • Se estiver grávida.
  • Se usar DIU.
  • Em casos de feridas abertas na vagina.
  • Em caso de candidíase, fazer a vaporização depois que os sintomas externos estejam amenizados.

Durante o ritual mantenha uma postura de meditação, a mente tranquila e deixe que as emoções se renovem e se purifiquem. Aproveite este momento de conexão com seu Sagrado interno, com suas memórias mais profundas, permita-se ser cuidada e amada por você mesma.

Dentro desse universo temos também o Banho de Assento, com certeza a maioria das mulheres já fizeram ou ouviram de suas mães e avós sobre os benefícios do banho de assento. Muito recomendado em casos de candidíase, vaginose, corrimentos e as vaginites que aparecem no decorrer da vida. Uma medicina popular ensinada de mãe para filha, simples de fazer e muito eficaz. Mais uma vez a ciência não se esforçou tanto para dar o seu parecer sobre a eficácia da técnica, mas milhares de mulheres testaram e aprovaram na prática.

Para realizar um bom banho de assento, é necessário uma bacia limpa de preferência nunca usada antes, bem grande que comporte uns bons litros de água, a escolha da erva nesse caso vai de acordo com o que será tratado, os banhos mais comuns são com camomila que ajuda a equilibrar o PH da vagina.

Prepare um chá bem forte da erva que será utilizada e junte-o ao restante da água na bacia, o banho pode ser realizado quente ou frio, banhos quentes são mais relaxantes e ajudam a aliviar as cólicas menstruais, banhos frios são direcionados normalmente nos tratamentos para candidíase. Sente-se sem calcinha dentro da bacia e deixe que a erva faça seu trabalho, o ideal é que o ritual dure entre 20 a 40 minutos. Aproveite esse momento para silenciar a mente e estar em conexão com o seu corpo e com o seu útero.

Em alguns casos o banho de assento não é indicado, como por exemplo:

  • Grávidas
  • Muitas vezes plantas podem causar alergias ou irritações, a região da genitália é sensível, por isso é importante ficar atenta e em casos de alergia suspender imediatamente o tratamento.

Os banhos de assento normalmente são indicados em casos de incômodos físicos, enquanto a vaporização trabalha diretamente com as memórias uterinas fazendo uma limpeza física e energética, mas não se engane, o banho de assento também atua energeticamente, afinal de contas a energia e a potência da erva estão ativas em ambos os tratamentos.

Importante é sentir o que o seu corpo está pedindo e com qual tratamento você sente mais conexão. Por trabalhar diretamente com a energia do útero e suas memórias, é comum ter sonhos mais intensos depois das limpezas, alguma crise de choro, sentir o corpo estranho ou se sentir estranha como um todo, a movimentação energética é intensa, por isso respeite o seu tempo e faça as limpezas quando sentir que é necessário, dê um intervalo entre uma e outra para que o seu corpo físico e emocional se recomponham e se regenerem.

A Ginecologia Natural pede para respeitarmos nosso relógio interno e ouvir nosso útero, ele vai nos mostrar exatamente o que e quando fazer, basta prestarmos atenção.

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Por Carol Lana:

Idealizadora do projeto “Curandeiras de Si”, Womb Keeper registrada, formada em ginecologia natural, homeopatia e constelação familiar. Acima de tudo sou mulher e desbravadora de um mundo único e vasto que é o universo feminino.

 

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