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Desde que comecei a trabalhar minha autoestima, estou em constante processo de me entender com mais profundidade. De entender  a origem dos meus sentimentos, dos meus medos, das minhas questões; Afinal autoconhecimento é a chavinha pra gente começar a trabalhar nosso auto-amor.

Em uma das minhas sessões  recentes de autoanálise comecei a pensar nas minhas inseguranças. Sempre falo na palestra do Chá de Autoestima que identificar e entender a origem dos nossos sentimentos é o primeiro passo pra gente começar a mudar as coisas que nos incomodam, nos aprisionam e nos limitam.

Para ler: Estive pensando sobre: A importância do autoconhecimento 

Eu passei a maior parte da minha vida sendo extremamente insegura. Acho que a melhor forma de ilustrar o que significa extremamente insegura é contando um caso que hoje acho até engraçado: Na minha adolescência, início da juventude, eu tinha pânico de levantar do ônibus e puxar a cordinha para descer no meu ponto. Eu sempre pensava que aquele momento era o momento que todo mundo olharia pra mim, me julgaria, comentaria algo maldoso assim que eu saísse do ônibus.

E se eu caísse quando levantasse? Se eu pisasse no pé de alguém? Se eu deixasse alguma coisa cair? Se o motorista passasse direto do meu ponto? Eu ia gritar? Pediria pra ele parar? Eu chegava a suar frio com o “momento puxar a cordinha” e ficava praticamente o caminho todo ensaiando a melhor forma de fazer isso, pra que tudo desse certo, sem nenhum erro. Insegurança ou ego?

 

Insegurança e ego

 

Obviamente minha insegurança não parava por aí, até porque é um efeito dominó. Já percebeu que quando ficamos tímidas a gente bloqueia? A vergonha paralisa, deixa a gente trancada dentro de uma caixinha, a tal zona de conforto que de confortável não tem nada! E a gente se dá mil desculpas para ficar ali, tomada pela insegurança: Ainda tô me preparando, ainda não tá bom o suficiente, ando sem inspiração, sou perfeccionista…

Aquelas mentirinhas que a gente ama contar para nós mesmas. Aliás um passo importante para trabalhar a autoestima é ser sempre, 100% honesta com a gente. Nos damos tantas desculpas, inventamos tantas mentiras pra nós mesmas… tudo pra manter a gente ali: paralisada no mesmo lugar e sendo consumida por um estado mental em que não estamos felizes.

A vergonha leva a gente pro medo, para as autocríticas duras, para a falta de iniciativa, para a falta do prazer. O quanto louco é pensar que a insegurança nos torna até pessoas extremamente controladoras, sufocantes porque queremos nos certificar o tempo todo que absolutamente tudo, vai acontecer sem erros.

Se abrir para ser menos envergonhada é se abrir para ser mais segura. Quando a gente se sente mais segura, aproveitamos mais a vida, nos abrimos para mais oportunidades, nos tornamos menos ansiosas, mais produtivas, mais relaxadas. A gente finalmente se permite apenas SER. Quando a gente se permite apenas ser e não ser perfeita, ser incrível, ser a melhor, a mais bonita, a mais estilosa… apenas SER é quando começamos a viver a vida com verdade.

Vamos pensar na insegurança com um outro ponto de vista? Será que não se permitir SER não tem a ver com humildade? E eu não estou falando aqui dessa humildade que é vendida pra gente o tempo todo, essa de valorizar escassez, estou falando da humildade que faz a gente entender que estamos aqui em constante aprendizado, que a felicidade é uma jornada, que ninguém nasce sabendo tudo, que é se jogando no mundo que a gente aprende, evolui, melhora, vence.

E vencer aqui também não é essa ideia de se tornar invencível. Vencer é conseguir “puxar a cordinha” sabendo que precisa ser feito, para você seguir a sua jornada.

No fundo, no fundo, talvez a insegurança tenha muito a ver com a importância que a gente se dá. É achar que a gente não pode falhar, que temos em nós toda a responsabilidade de fazer tudo dar certo, de ser perfeita, irretocável. É não aceitar que pode não dar certo, que pode não ser tão bom, que alguém pode perceber que você não sabe tudo.

Como se você tivesse obrigação de saber tudo, como se você não precisasse passar por processos que todo mundo passa. É achar sempre que todos os olhos estão te observando, te julgando, esperando o momento em que você erre para apontar o quanto você não é tão boa assim. Pergunta dura mas que vale ser feita: O quanto sua insegurança pode estar, na verdade, ligada com um ego infladíssimo? Ou até mesmo com uma necessidade enorme de atenção?

Foi só quando eu percebi isso em mim e comecei a trabalhar esse sentimento que eu comecei a me jogar mais no mundo. Comecei a postar meus textos, fiz a primeira palestra do Chá de Autoestima extremamente nervosa, me candidatei e consegui trabalhos que minha síndrome de impostora dizia que eu não conseguiria, saí de relacionamentos que não faziam bem pra mim.

A insegurança faz com que a gente não lapide nossos talentos, faz com que a gente pare de evoluir, de crescer de expandir nossa mente, nossa energia. Nos torna mais distante das pessoas, das conexões reais e cada vez mais afundadas na zona de conforto e em construções irreais da nossa existência. Faz com que a gente se perca dos nossos sonhos, faz com que a gente perca o nosso brilho.

Exemplo cafoninha, mas necessário: Talvez a melhor forma de brilhar seja perceber e aceitar que você não é o sol. É somente mais uma estrelinha no céu. Mas que ser somente essa estrelinha é mágico, único. Afinal essa estrelinha é tão necessária para aquele céu lindo, estrelado e faz parte de uma conjunto tão forte e poderoso. Toda mudança começa com a nossa permissão, permita a sua estrelinha brilhar.

 

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