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Há algum tempo, lemos um texto que descreveu muito bem um tema sobre o qual nós queríamos escrever há meses. Esse texto fala sobre como o custo do nosso estilo de vida enquanto somos jovens e a preocupação com o futuro (ou a falta dela) são os principais fatores que definem como será a nossa velhice.

No texto, o autor compara dois casais na casa dos setenta anos que tiveram rendas muito semelhantes ao longo da vida, tiveram a mesma quantidade de filhos, viviam no mesmo país.

Ao chegarem na terceira idade, um dos casais já estava tranquilamente aposentado e nunca se tornaria um fardo em termos financeiros para seus filhos.

Já o outro casal ainda estava trabalhando sem descanso e a dependência em relação aos filhos era só uma questão de tempo. A diferença entre eles? O filho do primeiro casal deu uma resposta simples e direta: “Meus pais não passaram a vida fingindo que eram ricos.”

Essa frase nos atingiu como um canhão. PUFT. Toma essa. E é sobre isso que a gente vai falar hoje.

Parando para pensar nos motivos pelos quais muitas de nós não guardam (e investem) dinheiro para o futuro, na verdade a resposta é muito simples:

A maioria de nós prefere usar nosso dinheiro hoje, no presente.

As coisas que queremos (roupas, viagens, shows, apartamento, sapatos, cursos, maquiagem, passeios, etc…) hoje são muito mais legais do que “uma velhice segura e tranquila” – isso parece tão sem graça, não?

Pois é, nós sabemos que não é fácil (mesmo!) priorizar algo que parece tão distante, tão chato, tão longe da nossa realidade. Mas isso não pode ser desculpa para você não se preparar. Se você quer fazer qualquer coisa daqui a algumas décadas que não seja trabalhar, trabalhar, trabalhar e se preocupar com dinheiro, você precisa começar a investir pelo menos 10% da sua renda desde já para se proteger. Esse é o maior gesto de carinho que você pode ter consigo mesma.

Não sabemos como serão as aposentadorias daqui a 20, 30, 40 anos, não sabemos como estará a nossa saúde, não sabemos como será o mercado de trabalho, não sabemos que tipo de gastos teremos lá na frente. Não tem jeito: precisamos ser o nosso próprio porto seguro, não podemos só torcer pra que tudo dê certo. A maioria dessas histórias não têm um final feliz.

Não queremos ser céticas e nem chatas, mas precisamos te falar a verdade – é pra isso que servem as amigas, não é mesmo? Então decidimos trazer aqui algumas reflexões que podem te ajudar :)

Nao tente parecer rica se voce nao e

Vamos começar pelo estilo de vida:

– Com que você gasta?
– Quanto você gasta com essas coisas?
– Isso é uma necessidade ou um luxo?
– É uma prioridade na sua vida?
– O que te faz consumir da forma como você consome?
– O que te influencia?

Em tempos de shoppings, Instagram, YouTube, influencers, fotos perfeitas e lojas online, essas perguntas são fundamentais. Às vezes nós aqui nos pegamos pensando “Nossa, guardar dinheiro devia ser muito mais fácil na época dos nossos pais…” justamente porque hoje, mais do que nunca, nós somos estimulados a consumir o tempo in-tei-ro, e não só pelos meios óbvios, como propagandas…

Você já parou pra pensar no quanto as fotos das viagens dos seus amigos no Instagram já não te fizeram querer pagar por uma viagem que você ainda não poderia fazer? E quantas vezes você não foi lá e fez mesmo, só porque todo mundo estava fazendo também? Você já parou pra pensar se você compraria tudo o que você compra e gastaria com tudo o que você gasta se as redes sociais não existissem, se você não fosse receber nenhum like?

O quanto será que nós estamos fazendo as coisas por uma pressão social, por uma ansiedade, por insegurança, por vontade de receber likes, por querermos fotos perfeitas, por querermos impressionar os outros?

Ou o quanto você compraria se não existissem lojas te perseguindo e te seduzindo no Instagram, no WhatsApp? Se essas coisas te afetam e se você tem um padrão de gastos acima do que você acha que deveria, tente repensar como eliminar esses gatilhos do seu dia a dia: quanto mais longe das tentações, melhor!

E aqui entra a outra reflexão que a gente quer te trazer: não seja irresponsável com seu dinheiro “só porque todo mundo também” está sendo. “Eu vou ter que dividir essa viagem em dez parcelas e vai ficar um pouco pesado no meu orçamento… Mas dane-se, essa vai ser uma experiência maravilhosa e imagina cada fotão que eu vou tirar nesse lugar!”

Acredite: ter tranquilidade sabendo que seu dinheiro está bem cuidado e fazer as coisas quando realmente podemos (sem peso na consciência!), essas sim são experiências maravilhosas.

E… Você teria um minuto para ouvir a palavra do minimalismo? Não estamos falando pra você ter 20 peças de roupas nem viver num apartamento só com uma cama, um fogão e uma geladeira e nunca comprar nada. Queremos que você pense se você precisa consumir no ritmo que você consome. E pode ser que você seja uma garota super consciente e controlada!

Não estamos dizendo que você está gastando mal o seu dinheiro, pode ser que você esteja arrasando!

Não nos entenda mal, por favor, hehe. Queremos que você dê um passo atrás e coloque a ditadura do consumo em perspectiva. – Ah! Se você ainda não viu o documentário “Minimalism” do Netflix, fica aqui a nossa recomendação.

Um fator que acreditamos que esteja totalmente ligado ao nosso padrão de consumo é a nossa falta de paciência. A ansiedade que nós, millennials temos (e porque não, que a Geração Z também tem) em mostrar o nosso sucesso. Queremos mostrar isso pela roupa que usamos, pelo bar que frequentamos, pelos shows, pelas viagens, pelos restaurantes.

Queremos mostrar que somos brilhantes, que somos mais avançados do que nossos pais eram na época deles… Mas será que somos mesmo? Quando chegam as contas pra pagar, as faturas do cartão, a necessidade de investir, o tempo mais longo para aquela promoção, ou uma demissão inesperada, cai a ficha de que precisamos ter paciência. Precisamos plantar por muito mais tempo do que imaginávamos para podermos colher.  

Por último, queremos reforçar o pedido para que você pense em quais são seus pontos fracos, quais são seus gatilhos para consumir. A comodidade da comida por delivery, que sai 5x mais cara do que cozinhar?

É a loja do Instagram que fica aparecendo no seu feed todos os dias? O passeio no shopping? São as fotos das amigas? Os amigos gastões? São os barzinhos?

É preguiça de acordar um pouco mais cedo e ir para o trabalho de ônibus? É não saber usar o cartão de crédito com responsabilidade? Entenda o que é que pega e faça algo a respeito! (Uma dica pra conseguir fazer isso é aprender a dizer dane-se para a opinião alheia… Nós recomendamos fortemente!)

Viva um degrau abaixo da sua renda

Viva com menos do que você ganha. Invista logo que o dinheiro cair na conta e gaste o que sobrar, tire uma parte da sua renda do seu alcance, finja que ela nem existe. E continue fazendo isso (e vá aumentando a porcentagem da sua renda que é destinada aos investimentos) conforme a sua renda for aumentando.

Não tente parecer rica se você não é. Pode ser gostoso no momento, mas essa sensação é passageira. Comece o quanto antes a investir para o seu futuro, não subestime isso. E então, tenha uma vida mais simples. Você nunca se arrependerá disso.

— ♥ —

Texto por Vic e Aninha:

Invista Como Uma Garota começou em 2018 como um projeto que aproxima mulheres com diálogos informais e sem tabu sobre dinheiro. Questões da mulher no mercado de trabalho, investimentos e orçamento pessoal são temas que abordamos. Somos apaixonadas por educação financeira e economia comportamental e encontramos assim uma forma de contribuir com a liberdade da mulher e sua autonomia financeira.

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