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Sempre compartilhei com vocês a minha jornada de autoestima. Aliás, tenho muito orgulho de falar que já batia nessa tecla de amor próprio e beleza real, desde 2010, quando isso ainda era um assunto lado B na mídia em geral, na maioria dos blogs e youtuber nem existia.

Hoje, fico feliz em perceber que o tema ganhou uma importância gigantesca e que a mídia, as marcas e principalmente as pessoas influentes, sejam elas na TV ou na internet, fazem dos assuntos autoestima, amor próprio e aceitação corporal o ponto principal dos seus discursos. Apesar de ver tudo isso de uma forma muito positiva, algumas coisas me preocupam.

Ilustração: Giuliana

 

Hoje em dia falamos muito sobre amor próprio e pouquíssimo sobre autocuidado e sinceramente não entendo como uma coisa pode estar desconectada da outra. Só pra começar o assunto, vou contar uma história: Uma vez, quando eu estava ministrando o workshop Chá de autoestima, uma menina me perguntou o que eu achava sobre essa questão do “peso ideal”.

Percebi logo de cara que ela ficou surpresa com a minha resposta quando eu disse que sim, eu acredito em peso ideal. Calma, deixa eu explicar: Peso ideal não é aquele que diz se você está magra ou não, se cabe em uma calça 38 ou não. O seu peso ideal é muito particular. Mas eu não tenho dúvidas que ele é fruto do amor próprio conquistado com AUTOCUIDADO.

Peso ideal será o corpo que você tem quando se alimenta bem, quando entende a importância de nutrir seu corpo, de beber água, de fazer escolhas melhores, de se exercitar e de prestar atenção a sua saúde. Seu peso ideal não tem nada a ver com fazer regime, com viver noiada, com contar caloria.

Mas, com certeza, também não tem a ver com comer o que quer, quando quer, sem se preocupar com os efeitos que aquele estilo de vida pode ter nos seus órgãos, nos seus ossos e até no seu cérebro. Peso ideal é mudar sua relação com a alimentação e com exercícios físicos, como já escrevi uma vez.

Peso ideal é aquele que você chegou depois que compreendeu que o amor próprio vem da consciência que seu corpo é sim seu templo, e que precisamos ter ações que nos ajudam a encontrar o equilíbrio dele, da nossa alma e da nossa mente para nos amarmos na totalidade.

Fico bem preocupada quando vejo pessoas que tem uma influência enorme na internet ou na mídia em geral, falando de amor próprio como se ter autoestima fosse somente ter foto lacradora no feed, ser estilosa e se achar linda independente de estar dentro de um padrão ou não. Isso é somente a ponta do iceberg.

É importante mostrar que é possível ter uma relação com a moda mesmo não estando nos padrões? Sim. Que você se acha linda independente do que diz a capa da revista? Muito. Mas é fundamental também entender que ter essa voz também é ter responsabilidade.

E que se temos, de fato, a missão de ajudar outras mulheres a se amarem, precisamos tocar em questões muito mais profundas, como o verdadeiro respeito pelo nosso corpo e nossa saúde. Que precisamos entender o funcionamento do corpo, entender os riscos do sendentarismo, a importância da relação com os alimentos, com a compulsão, com as bengalas emocionais.

Se amar é algo muito mais complexo e cheio de engrenagens e todas elas precisam estar funcionando ou tentando funcionar para, de fato, construirmos uma autoestima verdadeira, que não inclui somente uma relação boa com o espelho, mas com a nossa saúde física, mental e emocional. Pense duas vezes antes de ter como referência de amor próprio pessoas que não acham importante exercer o autocuidado.

Referências de autoestima que fumam um cigarro atrás do outro e não pensam em parar ou diminuir, que não acreditam que é importante falar sobre e comer alimentos nutritivos, que não consideram importante se exercitar, que problematizam demais e agem de menos, que vivem reclamando, criticando, arrumando briga na vida, na internet…

Autocuidado não é somente sobre questões físicas. Pessoas que reclamam demais estão sempre vendo o lado negativo de toda e qualquer situação, que baseiam todo o seu conteúdo (ou boa parte dele) para problematizar tudo e qualquer coisa, que apontam demais o dedo ao invés de tentar fazer alguma diferença real.

Um dia caí em um artigo que falava sobre Michel Foucault. Ele foi um dos pensadores mais influentes do século XX e um dos seus estudos mais interessantes foi sobre autocuidado. Ele dizia que o cuidar de si mesmo era a real liberdade. Era perceber a importância do corpo-mente-espírito.

Foucault acreditava que existimos para gerar autoconsciência e responsabilidade sobre a nossa própria vida e isso inclui, entre outras coisas, ter o discernimento para identificar os erros e os hábitos prejudiciais que temos ao longo da nossa vida e lutar para mudá-los e termos uma vida de realizações e plenitude.

Quando experimentamos o autocuidado, isso potencializa nossa autorreflexão, que nos leva ao autoconhecimento e a melhora da relação não só com a gente, mas como nos comportamos perante aos outros e como nos sentimos em relação às coisas que queremos conquistar e ser.

O autocuidado é uma ferramenta poderosa para chegarmos ao autoconhecimento, ao amor próprio legítimo e para ver o mundo e nós mesmas de forma mais positiva, feliz e menos reclamona. É tomar pra si as responsabilidades sobre você mesma e quando conseguimos mudar hábitos ruins nossos, percebemos que somos capazes de nos transformar e transformar nossa realidade.

Eu adoro ficar deitada sem fazer nada vendo Netflix até ela me perguntar se eu ainda tô lá. Sei que esses momentos fazem muito bem pra minha mente descansar. Mas também sei que preciso me exercitar. Pelo meu corpo e pela minha mente. Sei que a atividade física vai melhorar minha circulação, diminuir a insônia e a ansiedade, aumentar minha flexibilidade e a saúde dos meus ossos e liberar endorfina, que será ótimo para o meu cérebro.

E acho importante compartilhar isso com vocês e tentar fazer com que vocês também entendam a importância disso. Adoro ir no rodízio de pizza e comer até o último sabor de pizza salgada & doce (porque sou dessas), mas sei que fazer isso com freqüência vai aumentar meus triglicerídeos, meu nível de açúcar no sangue e de sódio no organismo e que isso vai prejudicar meus órgãos e pode me trazer problemas.

Então por que não alertar vocês também sobre isso? Que é bem melhor pro nosso corpo tentar manter o hábito de se alimentar com alimentos mais ricos em nutrientes, porque vamos nos sentir mais dispostas, motivadas e longe do hospital.

Autocuidado também tem a ver com alimentar a mente. Hoje em dia eu prefiro enfiar a cara em livros que falam sobre psicologia positiva, meditação, conexão, flow e autoestima do que ler notícias péssimas que a galera compartilha nas redes sociais e comentar incansavelmente sobre elas ou me enfiar em grupos do facebook que problematizam até soluções, porque nenhuma melhora parece boa o suficiente.

Uma vez li em um blog feminista a seguinte frase: “Não é preciso ser triste para ser militante, mesmo que a coisa que se combata seja abominável.” É exatamente o que eu acredito. Não precisamos ser tristes, ver problema em tudo, viver reclamando.

Eu quero ser a pessoa que fala cada vez mais sobre autoconhecimento, autoamor, autoconsciência e autocuidado. Porque quando fazemos disso uma realidade pra gente, ajudamos outras pessoas a fazerem o mesmo. A energia de autocuidado é transformadora e de fato, agente de mudanças.

Autocuidado é entender os confortos e desconfortos da nossa vida, ver quais são as causas desses confortos e desconfortos, e escolher agir de forma mais positiva possível sobre essas questões.

Se amar, se aceitar e se entender não tem a ver com se acomodar ou fechar os olhos para as escolhas ruins que podemos fazer para nós mesmas e, sem querer, estimular os outros a fazer o mesmo. Autoestima tem a ver com ser responsável. Escutar seu corpo, sua mente, seus sentimentos, entender e melhorar suas atitudes. Se ame, se cuide.

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