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Passamos boa parte das nossas vidas acreditando que existem apenas dois tipos de comidas: As gostosas e as “sem graça”.

 

Na categoria comidas gostosas, só entram sorvetes, refrigerante, chocolate, hambúrgueres, batata frita e na categoria “sem graça” todos os legumes, frutas e saladas que sua mãe te forçava a comer quando você era criança.

Nós da geração Y, crescemos acreditando que comer esses alimentos fazia parte de estarmos sendo submetidas a um sacrifício e que comer alimentos gordurosos ou com muito carboidrato podia ser gostoso, mas estavam te condenando a ter “um corpo feio e uma saúde péssima”. Fico feliz de ver que a chamada geração Z tem uma relação diferente com a comida e que a “moda” de ana e mia que minha geração sofreu, foi substituída por uma vontade de ter uma vida equilibrada.

De qualquer forma, ainda temos um longo caminho pela frente e precisamos mudar nossa relação com a alimentação e exercícios físicos.

 

alimentação e exercícios físicos

Ilustração: Isabela Gabriel especialmente para esse post

 

Eu, desde muito cedo, tive que me relacionar com esses alimentos “sem graça”. Já contei aqui que quando tinha apenas 10 anos, eu comecei a fazer dietas restritivas. E eu sofria ao ver minhas amigas comendo o famoso joelho de presunto e queijo da cantina enquanto eu tomava uma vitamina de mamão com laranja.

Tomar aquilo parecia um castigo. Um castigo que eu tinha que me submeter porque eu era gorda. Obviamente, isso durava 2, 3 dias e no 4° dia eu estava tão frustrada, que comia logo 2 joelhos. Esse comportamento faz parte do terror alimentar que somos submetidas.

 

Nessa fase também começa a tal da educação física.

 

Se você não tem habilidades incríveis com a bola, ou correndo ou em esportes em grupo em geral, sempre é a última a ser escolhida.

Se tem um corpo excessivamente magro, ou gordo, será zoada, fato. Nessa fase, se você não se encaixar no perfil atlético, já vai começar a torcer o nariz para qualquer tipo de atividade física. Afinal, exercícios serão sinônimos de boladas na cara, de se sentir excluída e desengonçada. E assim a gente cresce, aprendendo que comidas saudáveis e naturais são castigo, que comidas calóricas são veneno e que se exercitar é chato. Ou seja, um beco sem saída em que a única relação possível é a desequilibrada.

 

Daí a gente chega na adolescência e a cobrança pelo ‘corpo de gatinha’ só cresce.

 

Nas bancas, dietas absurdas que sugerem coisas como “dias só de sopa”, transformam a relação que já era ruim com alimentos saudáveis em um pesadelo. Óbvio que vai ser um pesadelo. E não por causa dos alimentos que as revistas sugerem  que você coma e sim, COMO elas sugerem que você coma. Ninguém vai gostar de legumes tendo que se empanturrar de sopa nas 5 refeições do dia.

Os alimentos que fazem bem para o funcionamento do nosso corpo, que nutrem a gente e que nos mantém saudáveis, são a vida toda, vendidos para gente como um remédio amargo para se livrar de um corpo que fomos também ensinadas a odiar. Nessa mesma fase, entrar em uma academia é como entrar em uma sala para ser julgada.

Atire a primeira pedra quem nunca se sentiu analisada da cabeça aos pés na musculação ou simplesmente não conseguiu manter a rotina na academia porque não se sentia confortável no ambiente. Parece louco, mas de alguma forma, criamos uma cultura que academia não é lugar de quem quer praticar atividade física e movimentar o corpo, mas sim lugar para concurso do corpo mais sarado.

 

 

E assim, vamos chegando a vida adulta

 

Sem o hábito de se exercitar e usando comida como recompensa ou punição. Não precisa ser assim, não tem que ser assim. Se exercitar faz bem pro corpo e para mente. Diminui o stress, a ansiedade, ajuda a circulação, abaixa o colesterol, fortalece os ossos, aumenta o nível de neurotransmissores, como a noradrenalina, a serotonina e a dopamina, que produzem uma sensação de relaxamento e bem-estar.

Se exercitar não significa que você odeia seu corpo e quer desesperadamente modificá-lo. Significa que você ama seu corpo! E quer manter ele equilibrado, feliz, forte e saudável. Por isso que eu digo que a nossa relação com a atividade física tem que mudar. Malhar não é coisa de musa fitness, não é coisa de gente sarada, não é coisa de gente que está de dieta. É coisa de gente que quer equilíbrio e uma vida feliz.

Lembro uma vez que vi um vídeo da maravilhosa Ju Romano, dizendo que um dia na academia o professor perguntou se ela já tinha emagrecido e se estava atingindo seus objetivos. E ela respondeu: “Meu objetivo é subir uma ladeira sem colocar os bofes pra fora”. Uma boa parte das academias e professores de educação física não estimulam você a ter uma vida equilibrada e se você não está no padrão fitness, está na academia para ficar saradona.

 

O preconceito também é uma das grandes razões do relacionamento torto que temos com a alimentação, com os exercícios e, portanto, com os nossos corpos.

 

Vou dar um exemplo real da minha vida para ilustrar. No geral, sempre gostei de frutas, saladas e sucos. Mas pelo fato de eu não ser padrão de corpo, esse hábito sempre causou estranheza nas pessoas. Quando escolho salada no restaurante, tem sempre alguém para perguntar: “Está de dieta?”. O fato de eu amar suco verde então… Sempre foi polêmica. Uma vez pedi um suco verde em uma casa de sucos e a atendente simplesmente começou a me dar receita da “dieta da Lua”. Juro. Assim, sem mais nem menos.

Lembro que quando eu trabalhava em assessoria de imprensa, eu era a única gordinha da equipe de quatro meninas e a única também que comia salada. Uma delas, sequer tinha experimentado alface na vida. Como se ser magra te libertasse de todas as mazelas que uma alimentação pobre em vitaminas e nutrientes pode te trazer. Mas não era culpa delas.

Fomos ensinadas assim, que salada e legumes servem para te emagrecer e que pizza e batata frita para te engordar e ponto final. E não é bem assim. Saladas, legumes e frutas servem para te nutrir, para te curar, para te fortalecer. E as tal ditas “besteiras” servem para te confortar, para a gente socializar, para descarregar o stress. Ninguém precisa e não deve ser escrava de nenhuma das duas categorias. Apenas encontrar o equilíbrio entre elas. Vamos parar de terror nutricional? De demonizar a comida?

Esse não é um post levantando bandeira sobre comida natural, nem a favor de junk food. Percebo que a maioria das pessoas, não conseguem se amar e ter uma autoestima boa porque só trabalham com extremismos. Se amar e aceitar seu corpo não significa passar todos os dias em frente a TV comendo cheetos e tomando Coca-Cola. Mas significa saber que quando isso acontece, não é o fim do mundo, que é gostoso fazer esse tipo de programa de vez em quando e que você não precisa se sentir culpada por isso.

 

Equilíbrio sempre será o segredo de uma relação saudável com você mesma.

 

Quando você ama seu corpo você entende que ele precisa se movimentar, que ele precisa de nutrição e que ele também precisa relaxar e comer uma barra de chocolate. Sua relação com a comida muda, porque toda mudança se torna natural e orgânica e não forçada, movida pelo ódio em frente ao espelho. Uma das pessoas que eu mais gosto de papear nessa vida é a minha amiga e blogueira Raquel Arellano.

Sempre conversamos sobre como é importante e transformador encontrar esse equilíbrio na vida. Pra mim, ela é um exemplo. Uma garota que ama comida e expressa todo esse amor no blog Raquelícias e é apaixonada por corrida. Viu só? Uma coisa não exclui a outra. Quando  comer alimentos saudáveis são fruto da sua escolha, você finalmente começa a gostar deles. Quando você se sente menos culpada comendo os alimentos que as pessoas adoram chamar de “proibidos” tem menos ataques de gula.

E quando você entende que exercício não tem a ver com corpo perfeito, encontra nele um hobby delicioso para recarregar as energias. Eu aprendi muito sobre alimentação e equilíbrio no site de uma nutricionista consciente, a Paola Altheia do “Não sou exposição” e as postagens são sempre incríveis. Foi no blog dela que eu também vi a recomendação do livro maravilhoso da Lígia Fabretti chamado “Menos dieta, mais amor”.

Você pode e deve movimentar seu corpo não importa seu peso, sua estrutura. Você pode e deve saber dos benefícios dos alimentos, não importa seu peso ou tamanho. Saúde não está em um corpo especifico, nem em escolhas extremistas. Parar de torturar seu corpo e sua mente também é saúde e não tem nada a ver com privações, nem regras. Saúde é amor, comida é amor. Toda mudança só é real através do amor e autoconhecimento. Ame seu corpo.

 

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