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Reclamar é humano. Atire a primeira pedra quem nunca reclamou do trânsito, das contas, da violência, do peso, da falta de sorte, do ano… Eu mesma fui (sim, tudo que quero deixar de ser colocarei no passado) uma das maiores reclamonas que conheci.

Mas 2017 foi um ano de grande introspecção pra mim e um ano que passei por experiências tão ruins, das quais eu realmente poderia reclamar, que percebi o quanto eu reclamava a tôa. Decidi então seguir o caminho contrário e agradecer pelas pequenas coisas. Eu percebi com uma clareza absurda que reclamar dentro de uma situação de fato ruim, só faria com que eu me sentisse ainda pior porque a vida é um grande efeito dominó.

reclame menos

Ilustração: The ordinary young man

Quanto mais reclamamos, mais lamentamos e quanto mais lamentamos, mais insatisfeitos com a vida nos sentimos. Conforme eu fui tomando essa consciência, mais eu tentava mudar o hábito de reclamar em mim, mais claro ficava na minha cabeça como nós, como sociedade, estamos viciados em reclamar. Mas estamos tão acostumados que isso já está enraizado na gente, nem percebemos esse excesso de reclamação.

Nós reclamamos de tudo. Reclamamos inclusive de quem reclama e todo dia damos início a uma onda sem fim de negatividade, de mau humor, de atitude negativa, depreciativa e o mais preocupante: De medo.

Reclamar virou hábito. Como explica o dicionário: “Maneira permanente ou frequente de comportar-se; mania.” Quando reclamamos demais, estamos constantemente falando e pensando sobre o que não queremos na nossa vida. Se eu pensar o dia todo o quanto eu não quero sofrer com algo, só o ato de pensar no possível sofrimento, já me faz viver um pouco aquela dor, certo?

E assim, nos vemos presas em um círculo sem fim de mais dor, tristeza e sofrimento. Claro, ninguém é feliz o tempo todo. Aliás, sem a tristeza nós nem conheceríamos a felicidade. O que estou sugerindo aqui é tentar, no nosso dia a dia, ressignificar as coisas que acontecem com a gente e não dar tanta importância para coisas banais.

Se não por você, pelas pessoas que convivem com você. Sim, acredite, seu humor e seus hábitos afetam diretamente as pessoas com as quais você convive. E sabe o que pode acontecer? Sem querer, você passa a transferir suas responsabilidades e frustrações para os outros, que podem acabar se cansando e se afastando de você.

Como algumas pessoas sabem, eu por exemplo, lutei contra uma cirurgia mal sucedida por 2 anos. No início eu reclamava muito. Não entendia e não aceitava o porque aquilo tinha acontecido comigo. Me doía mais ainda quando eu ouvia de algum médico a seguinte frase: “É raro isso acontecer”. Sentia revolta e raiva.

Chegou um momento que a situação ficou insustentável pra mim. Além do problema de saúde físico eu sentia meu psicológico cada dia mais abalado, me sentia mais triste, preocupada, nervosa e sentia minha energia cada vez mais fraca. Percebi que eu não tinha o poder de diretamente curar meu corpo, mas eu tinha o poder direto de curar minha mente e esse processo seria sim, muito benéfico pro meu corpo e pra minha alma.

Eu comecei a atribuir um novo significado às coisas ruins que aconteciam comigo. E ao invés de reclamar que eu estava 15 dias internada no hospital, eu resolvi agradecer por ter a possibilidade de ficar em um bom hospital, resolvi ser grata pela equipe médica que cuidou de mim, pela minha família e amigos e claro, principalmente ser grata que saí viva do hospital, porque estava respirando, consciente, enxergando, sentindo.

Um estudo americano descobriu que, em média, cada pessoa reclama entre 15-30 vezes por dia. Sendo que só foi considerado pela pesquisa as reclamações ditas em voz alta. Será que temos tanta coisa assim para reclamar? E por que reclamar é tão prejudicial?

Simples: Quanto mais reclamamos, problematizamos, mais encontramos coisas para reclamar. Nosso cérebro entende isso como um comportamento padrão e cada vez mais temos uma visão negativa da vida e o mais grave: de nós mesmas. O que tem consequências horríveis para nossos planos de vida, para nosso humor, para nossa rotina.

Mau humoradas, ficamos mais perto da depressão e da lamentação sem fundamento. Alimentamos uma resposta automática do nosso cérebro de pensamentos negativos e assim sem perceber, estamos sendo absurdamente críticas com nós mesmas e nos depreciando cada dia mais. Pouco a pouco, sem notarmos, estamos em uma teia de negatividade e vitimização que é fatal para nossa autoestima física e mental e para nosso desenvolvimento pessoal, profissional e espiritual.

Pois é, você pode não perceber, mas esse é o efeito dominó invisível. Mergulhada nessa bolha de negatividade e problematização que nós mesmas criamos, chegamos ao final do ano dizendo: “Que ano ruim foi esse!”

Assuma as rédeas da sua vida e assuma as responsabilidades dos acontecimentos. Claro que coisas ruins não vão deixar de acontecer. E que bom, porque as dificuldades nos ensinam e nos fazem amadurecer. O que faz a diferença é como você vai lidar com os problemas.

Nenhum ano será de fato transformador se você não for o agente das mudanças. Se você pensar negativamente, se queixar o tempo todo, acredite, mais motivos para reclamar você vai encontrar. E aí eu te convido a pensar: O quanto seus pensamentos negativos estão te impedindo de acreditar nos seus sonhos? De buscar seus objetivos? De achar que merece alguém ou algo melhor?

O quanto está afetando as suas escolhas, seu humor e seu otimismo? Quando temos uma noção muito dura de como gostaríamos que o mundo fosse, de que as coisas deveriam ser de acordo com a nossa forma de pensar, nos tornamos muito rígidas com nós mesmas.

Foque sua energia nas coisas que realmente podem melhorar sua vida e deixe um pouco de lado aquelas reclamações de fila de banco, da comida ruim do restaurante, da pessoa sem educação do metrô. Amanhã será um novo dia e isso será irrelevante. E quando de fato algo ruim acontecer na sua vida, não ignore a dor. Mas ressignifique e agradeça a oportunidade de poder hoje fazer diferente, viver diferente.

Quando reclamar ou criticar for inevitável, coloque na sua opinião uma dose bem grande de amor e empatia. Reclamações que são frutos de preconceito, falta de conhecimento ou da vontade do mundo pensar como você, são egoístas e desnecessárias, sempre. Evite críticas de forma gratuita, foque nas críticas de fato construtivas.

Que no ano novo (e em todos os outros), você pense mais positivo e, quando reclamar, que seja algo que ajude você e os outros a crescerem. Nós somos feitas de hábitos e é fundamental para nosso crescimento perceber que muitas vezes esses hábitos são prejudiciais, que não nos ajudam em nada e substituir por hábitos produtivos e que tragam benefícios. Tome as rédeas da sua felicidade. Reclame menos, faça mais, agradeça mais e tenha um ano novo muito mais feliz.

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