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Nunca fui uma pessoa de ficar com muita gente, ter vários casinhos ou sempre estar namorando… mas já tive 5 namorados, alguns ficantes e sempre tive uma vida social/sexual ativa (ou seja, aqueles beijos que damos por aí na noite) que me deram uma boa noção de que é possível ser solteira sim, sozinha também e de como ser feliz comigo mesma.

Eu decidi terminar meu último namoro porque eu estava passando por um turbilhão de coisas. Não estava me sentindo feliz dentro do relacionamento e comecei a me questionar de uma forma que nunca tinha feito antes.

Eu acredito que dentro de todo casal infeliz, existem pessoas infelizes e frustradas com questões muito particulares. Por isso, dentro de mim, eu sabia que precisava ficar solteira e sozinha, me conectando comigo mesma. Mas perceber isso, foi um processo.

Solteira sim, sozinha também: como ser feliz comigo mesma.

Ilustração: Fernando Cobelo

 

Confesso que foi no mínimo embaraçoso pra mim quando algumas fichas caíram e eu percebi que era a hora de tomar essa decisão. Embaraçoso porque caí na cilada que eu tinha certeza que eu nunca mais cairia, porque achava que eu estava atenta, que eu já sabia como eu funcionava, que eu já entedia a dinâmica da autoestima.

Então como assim eu estava negando minha própria vontade, não ouvindo minha intuição, ignorando sinais, fazendo o que esperavam de mim, o que a sociedade esperava de mim e não o que meu eu verdadeiro de fato desejava?

Eu falo sobre autoestima, leio tanto sobre as pressões da sociedade, feminismo, sobre ser fiel ao que você acredita… Como eu me deixei levar por crenças que não eram minhas? Como eu tinha parado ali, completamente desconectada de mim? Eu nem me reconhecia.

Minha ansiedade estava me consumindo, eu vivia mau humorada e tinha crises de choro. Inclusive, lembro que em uma discussão com meu ex eu disse: “Acho que você nem sabe como eu sou porque nossa relação me deixa ansiosa, nervosa e eu não sou assim.” 

Por que eu enfiei na minha cabeça que era a hora de fazer um relacionamento dar certo? Eu pensava: Eu tenho 30 anos, sempre quis casar com festa, vestido de noiva. E se eu quiser ter filhos? Até quando poderia tentar?

Quantos anos eu teria se aquele relacionamento fracassasse pra conhecer alguém de novo, namorar, ficar sério… Eu não tinha esse tempo. (Lembra da Rachel de Friends fazendo essa conta no aniversário dela de 30 anos?). Não era a hora de encaminhar minha vida pra isso?

Mas as perguntas que eu desviava e fingia que eu não tinha dentro de mim na verdade eram essas: Porque eu me envolvi em um processo tão superficial e automático e esqueci do mais importante: eu mesma? Eu estava feliz? Era com aquela pessoa que eu de fato  queria viver isso tudo?  Eu estava naquele relacionamento porque era o que eu queria e me fazia feliz ou eu estava tentando ser feliz, tentando fazer dar certo?

Como é difícil se fazer essas perguntas honestas né?  Perguntas diretas e se responder com toda verdade do seu ser. Sem desculpas e sem culpar o outro, com autorresponsabilidade. Por que mentimos tanto para nós mesmas? Por que inventamos desculpas e argumentos para nos autossabotar?

Além da insatisfação na relação e na sensação cada vez mais forte que eu estava me perdendo de mim, eu estava prestes a encarar o que seria o acontecimento mais difícil da minha vida até então.

2 cirurgias e 16 dias de internação para tratar uma infecção severa em uma parte do corpo tão importante e significativa para a mulher: os seios. Eu já tinha recebido a notícia da minha médica que minha cirurgia naquele momento não teria nenhum apelo estético, então eu poderia sair do hospital com um peito maior que o outro, com formato diferente, com cicatrizes grandes… tudo era possível, afinal o foco ali era me livrar do que tinha força suficiente para me matar.

Como seria minha relação com meu corpo depois disso? Como eu me sentira com meu namorado? Como me sentiria nua em frente ao espelho? Como ficaria a minha sexualidade? Eu já vinha de um histórico longo e problemático com essa parte do meu corpo, se eu voltasse à estaca zero? Se eu voltasse a viver novamente coisas que achava que tinha superado?

Pra fechar esse “combo” de dúvidas e inseguranças, em um cenário que eu achava que depois que eu comecei a exercitar minha autoestima eu nunca mais voltaria, eu não parava de me questionar sobre uma coincidência: Por que apesar de tão diferentes, quase todos os meu ex namorados, ou pelo menos aqueles que fiquei mais tempo, apresentavam padrões tão parecidos de comportamento?

Padrões esses que me incomodavam muito e eram distantes do que eu sempre busquei pra mim? O que eu tinha que aprender com isso? Porque isso estava acontecendo? Por que eu estava repetindo esses padrões de personalidade? Qual lição eu não estava aprendendo?

Percebi que eu precisava desesperadamente, loucamente, me conectar comigo mesma e eu só poderia fazer isso sozinha. Me ouvir na essência, andar no meu próprio ritmo novamente. Eu sempre falo no Chá de Autoestima que amor próprio é exercício. Igual academia, igual matemática. Tem que praticar todo dia, ter disciplina e o principal: Temos que estar sempre, constantemente atentas.

Às vezes a gente se desconecta tanto da gente, perde de vista nosso caminho e nem se dá conta. Entra no automático do “eu já sei”, “já entendo amor próprio”, e vai caminhando sem perceber que estamos nos afastando da nossa essência. Aí a vida vem e te dá um  chacoalhão gritando ACORDAAAA no seu ouvido pra te alertar e te fazer voltar para os trilhos de novo.

E se você escolher ignorar, não se encarar de frente, não se fazer perguntas com honestidade e tomar decisões que podem até ser doloridas, porém honestas, pode ter certeza: nada vai se encaixar. Nada vai dar certo, nada vai funcionar.

Eu precisei passar por uma relação onde comecei a me sentir infeliz e um problema de saúde enorme pra finalmente perceber que eu não estava alinhada comigo mesma. Que era a minha vida e meu corpo mandando sinais desesperado de “Eiiii você não está sendo você! Está negando você!” E naquele momento da minha vida em que eu achava que já tinha tudo tão bem resolvido na minha cabeça, foi algo bem difícil de engolir.

Em algum momento no percurso eu tinha esquecido da importância de se apaixonar por mim mesma primeiro e da importância de manter o fogo dessa paixão aceso. O amor próprio também precisa de tudo que a gente sempre fala que precisa em uma relação romântica: Diálogo, tempo de qualidade, carinho, dedicação e o ingrediente principal: Respeito. E é isso que estou me dando agora, sozinha.

Eu não sei se vou ter tempo de fazer tudo que eu quero. Se vou casar, se vou ter filhos, se vou me apaixonar novamente. O que eu sei é que antes disso eu preciso estar me sentido completa, para quando o amor chegar, eu transbordar. Sei que tenho que pensar que o que vier desse amor, se esse amor vier, vai ser uma consequência leve e feliz. E eu preciso estar me sentido leve e feliz.

Preciso identificar o porque repito padrões em namorados e o que esses padrões dizem sobre mim, não sobre eles. O que preciso curar em mim, modificar em mim, crescer em mim para atrair o que de fato eu quero? É aqui que estou agora.

Não sei responder nesse momento se um dia vou fazer uma cirurgia pra melhorar as sequelas de um corpo que está machucado e esteticamente feio. O que sei é que primeiro quero conseguir amá-lo e celebrá-lo na totalidade por ter passado uma barra comigo e agora está curado, saudável, vivo.

Diz o ditado que se conselho fosse bom a gente não dava, a gente vendia. Mas eu recebi muitos bons conselhos ao longo da vida então acho válido compartilhar um: Não espere seu mundo desmoronar para se conectar com você mesma; não force nada que não esteja fluindo de forma natural pra você e quando sentir que está perdendo seu caminho, se volte pra dentro. O que atrapalha nossa jornada é a dificuldade de acalmar a mente, de ter um diálogo honesto com nós mesmas, de ouvir nossa intuição.

Não tenha medo da solidão, de sair de um relacionamento longo, de tirar da sua vida qualquer coisa que no fundo você sabe que não faz mais sentido. Não tenha medo de tomar uma decisão que as pessoas ficarão chocadas, que vai gerar perguntas, curiosidade, cobranças, um mundo desconhecido. Escuto o tempo todo: “quando vai sair pra dar uns beijos?”, “e o tinder, já baixou?”, “se não casar, pensa em ter filho mesmo assim?”, “congelar óvulos é super caro, né?”

Mas eu escolhi estar em paz com meu interior, fazer o que eu sinto que é o melhor pra mim e acreditar que jogando isso para o universo, vou chegar aonde quero chegar, conquistar o que quero conquistar, estar com quem eu devo estar, quando for a hora.

Todas as respostas estão dentro de você. Somos muito mais sábias do que a gente imagina, acredite. Tudo que precisamos é nos manter conectadas.

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Por Nuta Vasconcellos:

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