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Transtornos alimentares: Será que todo início vem de uma vontade de ser mais magra?

Pode parecer absurdo, mas não consigo pensar em outra forma de começar este post a não ser fazendo uma confissão para vocês: Quando eu era adolescente, achava que era a maior onda ter bulimia. E não, eu não era mentalmente desorientada. Muito pelo contrário. Sempre fui esclarecida (pelo menos me considero assim), bem educada pelos pais, escola e todos os outros canais que tentam nos dizer o que é bom e o que é ruim fazer quando se está descobrindo as coisas da vida.

Mas por alguma razão, ainda assim, eu tive esse desvio de pensamento.

Refletindo um pouco sobre isso, enquanto eu ia formando as minhas ideias para escrever este post, cheguei a uma conclusão. O que mais me influenciou a pensar daquela maneira foi a quantidade enorme de meninas lindas e populares que sofriam deste (e outros) mal. Não digo só na vida real, mas também nos livros, filmes e séries que eu assistia.

Vou tentar explicar melhor. Quando eu era adolescente levava uma vida bem normal. Não era a nerd da sala, mas também não era a mais popular. Não era odiada por ninguém, basicamente transitava em todos os grupinhos. Tirava notas boas em algumas matérias, ficava de recuperação em outras. Sentava no fundão, mas era mais pra dormir do que fazer bagunça. Tinha lá meus momentos bons e ruins na vida, mas em geral tudo era bem de boa. E no fim, o problema era esse. Eu comecei a me sentir uma whatever.

E foi nesse contexto que minha cabeça formou a ideia de que existia algo de cool em ter bulimia. Quem eu sabia que tinha (seja na vida, seja na ficção), não era uma whatever. E posso dizer pra vocês que eu não era a única que chegou a pensar assim no meu círculo de amigas ou conhecidas.

Eu acabei não tendo bulimia, em nenhum estágio. Mas hoje fico pensando no quanto esse coolness pode ser uma força influenciadora para garotas, que como eu nos meus 15 anos, não tinham nenhum problema de autoestima específico e talvez, justamente por isso, acabam caindo nessa.

Se o que eu estou escrevendo aqui tem alguma relevância sobre o assunto e pensando que, para muitas garotas, tudo começa por uma vontade de se destacar, preciso dizer que apesar de não ter tido nada, sim, cheguei a usar essa “vontade” como arma para chamar atenção.

E não adiantou p**** nenhuma, se vocês querem saber. Simplesmente por que aquela atenção em forma de pena era a última coisa que eu queria.

Eu não precisava que me achassem coitada. Na real eu só queria que vissem que eu era uma garota legal. Só que no fim das contas, o transtorno alimentar acaba tirando a atenção de tudo que você é, te resumindo a garota-problema. E garota nenhuma, com ou sem bulimia, simplesmente não pode ser resumida.  Todo mundo deveria saber disso. Principalmente nós mesmas. Não se deixe resumir.

Fora que passar de whatever para garota-problema não mudou em nada minha sensação de vazio. Isso por que eu realmente não tinha nada. Mas e para quem tem? Fico imaginando o quanto ao invés de melhorar, só piora as coisas.

Eu não sou especialista no assunto, estou assumindo que falo como leiga do ponto de vista científico da coisa, mas não vejo muitos programas de esclarecimento que ataquem essa frente de início da doença, sabe? Alguma campanha que seja focada em falar para as meninas: “você não é uma whatever e ser bulímica não é cool, sai dessa.”

Por isso, se eu pudesse, entraria na mente de cada garota que também se sente assim e falaria que o mais importante é entender que ninguém é uma whatever. Pode parecer papo motivacional, mas cá entre nós, existem muitas maneiras de mostrar pra você e para o mundo o quanto você é interessante. Formas que não façam de você um resumo.

E também que simplesmente não deveria existir grau de normalidade ou tédio com a própria vida que te leve a uma atitude que faz tão mal pra sua saúde, que você pode morrer e que pode destruir sua sanidade mental. Isso tudo pode parece muito distante das garotas que se sentem motivadas pela ideia da bacaneza da coisa, mas é ingenuidade não pensar que é isso que pode acontecer com quem se afunda num transtorno alimentar.

E por último, se tem alguém aqui que se sente assim, digo logo: se você é leitora daqui, você não é uma whatever. Não, sério. Por mais que você não saiba, você deve ser sim meio doidinha só pelo fato de estar aqui. Então chega de se sentir um tédio e bem vinda ao clube #EuSouAssim, powered by #GWSpower! haha A gente realmente acredita no potencial de uma suposta garota whatever. Se não, eu não estaria aqui. <3

beijos, C.

Queria muito saber a opinião de vocês sobre isso tudo, então sintam-se livres para comentar!

*Post originalmente publicado em julho de 2012.

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Pra assistir: Beleza Roubada

Esses dias, eu resolvi rever um filme que já tinha visto há anos atrás, mas que mal lembrava: Beleza Roubada (1996), do diretor  Bernardo Bertolucci, o mesmo de “Os Sonhadores” que é um filme bem hypado, mas que eu particularmente não curto muito (apesar de reconhecer toda a beleza que Bertolucci consegue transmitir em cada cena).

Tenho que admitir também minha girl crush pela Liv Tyler não só por ser linda, mas por ter feito filmes incríveis. E Beleza Roubada não é diferente: é lindo e incrível! Já começa deixando a gente meio maluca com o lugar onde se passa, uma casa numa cidadezinha no interior da Itália, com muito campo aberto…  cada paisagem linda de morrer! 

 

stealing beauty

O filme meio que gira todo em torno da virgindade de Lucy, uma garota de 19 anos que, após o suicídio da mãe, viaja para a Itália com o propósito e de reencontrar alguns amigos e ter o seu retrato pintado, mas na verdade ela quer rever o boy em quem ela deu o seu primeiro beijo, quatro anos antes. Além disso, ela pretende decifrar um enigma que foi encontrado no diário da sua mãe, sobre quem é seu verdadeiro pai. 

A história é bem legal e envolvente. Lucy é uma típica garota americana, com uma dose de inocência que cativa todos ao seu redor. O contraste da sua personalidade com toda aquela liberdade que só os europeus têm é outro ponto positivo, porque ao mesmo tempo que todos parecem querer um pedaço da Lucy justamente por ela ser como é, ela tenta mostrar a todos que não é uma “virgem bobinha”. Com cada personagem ela cria uma relação diferente e a que eu mais gosto é a amizade entre ela e Alex (Jeremy Irons, o tiozão de Lolita), um moribundo, que vira confidente e conselheiro. 

O figurino da garota é bem noventista <3, simples, mas com aquele cool da época. E é claro, que não tem como não falar da trilha sonora que é ótima: tem Portishead, Nina Simone, Stevie Wonder e Hole! Aliás, essa é uma das cenas mais legais e que me levou direto pros meus 19 anos: ela com o walkman, pulando e cantando Hole alto no quarto! Também indico o filme pra quem gosta de arte em geral.

Além do artista plástico que é o anfitrião da casa (o que vai fazer o retrato da Lucy), o filme mostra cenas teatrais, esculturas, pinturas, poesia e tem uma fotografia maravilhosa. Enfim, me apaixonei de novo por Beleza Roubada e recomendo muito!




 

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Sobre ter pais separados

Sobre ter pais separados

*Este post será melhor compreendido por garotas com pais separados.

A gente recebeu o livro “A probabilidade estatística do amor a primeira vista” do pessoal da Galera Record (obrigada!!!) já há algum tempo. Li em menos de uma semana e um mês depois estava empacada sem conseguir escrever nada sobre ele aqui no GWS e muito menos conseguir formar uma opinião sobre o livro.

Todas as resenhas que li falavam sobre como é uma história fofa. E eu não tinha achado isso o mais importante. Eis que percebi que o que me travou pra escrever este post foi a mesma coisa que me impedia de ter a mesma opinião que as pessoas que li/conversei.

Já no começo do livro percebi que não foi a história principal que me chamou atenção. O pano de fundo, a história da família com pais separados da personagem principal, a Hadley, me fez sentir tanta identificação que tirou todo o foco do amor pelo menino dos sonhos, o Oliver.

Resumo da ópera: Vou aproveitar o livro pra falar sobre a minha vida, tudo que se passou pela minha cabeça quando me dei por gente e vi que tinha pais que não estavam mais casados. Vai que isso ajuda vocês, vai que isso te inspira a ler o livro com outros olhos.

 

Hadley, eu te entendo. O que se passa pela cabeça de uma garota com pais separados

Ter pais divorciados virou normal pro mundo, mas desculpa, não é normal pra criança (adolescentes incluídos). Pelo menos até ela virar adulta. Os meus pais se separaram quando eu tinha 3 anos. Tenho certeza absoluta que esta foi a melhor decisão que eles já tomaram na vida e etc (afinal, viver com duas pessoas que você ama, mas que não conseguem se entender deve ser um inferno), mas é inevitável pensar: Porra! Será que não dava pra terem deixado minha vida mais tranquila? O que custava continuar se gostando e deixando as coisas dentro dos conformes?

Pode parecer infantilidade, mas whatever. É isso aí mesmo que se passava pela minha cabeça. Eu não conseguia deixar de lado o fato das duas pessoas que eu mais amava terem tido o poder de mexer na minha vida de maneira tão profunda e eu não ter tido nem oportunidade de opinar. Isso sempre foi meu calcanhar de aquiles. Assim como o da Headley, personagem do livro. A gente foca tanto na revolta de ser carta fora do baralho nesta decisão que ficar pelos cantos é quase inevitável.

Aí vem a cereja em cima do bolo

Como se não bastassem se separar, ainda vem uma madrasta goela abaixo. Parem o mundo que eu quero descer. Eu tinha 7 anos quando meu pai se casou de novo. Preferi passar a festa toda procurando o meu anel de ouro que tinha perdido de tanto ter “tique” de ficar tirando e colocando no dedo do que prestar atenção naquele pastor. Foi ótimo. Hahahha

Mais uma vez, assim como a Headley, eu não tinha muita escolha. Ver meu pai casando não fazia sentido nenhum. E eu ainda tinha que estar presente, no altar. Caramba, como este livro poderia ter sido escrito por mim.
A diferença entre eu e a personagem principal é que ela já tinha idade pra conhecer um carinha fofo. Eu não. Heheh Merda!

E aí você amadurece

Passa a raiva, passa a angústia, sua mãe continua sendo sua mãe, seu pai continua sendo seu pai. E pasmem, a esposa dele pode ser uma pessoa legal. Você percebe que tem uma família maior e mais legal do que imaginou.
E isso tudo só foi possível pra mim por três motivos:

1) Resolvi dar uma chance para as coisas serem boas
Não adianta seu pai se esforçar para estar próximo, sua mãe ser fofa tentando te fazer ver o lado bom das coisas se você não estiver aberta pra isso.

2) Criei distanciamento
Forçar a barra e engolir tudo a seco só aumentava a minha raiva. Eu resolvi deixar rolar. Fiquei tempos afastada quando senti que precisava daquilo. E foda-se se eu era mal educada na “visão do mundo”. Eu fazia aquilo com boas intensões: dar um passo pra trás, pra dar dois pra frente, se é que vocês me entendem.

3) Descobri que meus pais são pessoas, antes de serem meus pais
Depois do meu período de “afastamento” (entre aspas por que não é literal), fui resolver as coisas. E o que foi crucial pra solucionar tudo na minha cabeça? Enxergar meus pais como indivíduos, fora do papel de pais. Isso é muito importante por que tira o peso (e raiva) dobrado das coisas do passado. Coloca compreensão e amor na jogada. A raiva sozinha não ajuda em nada. Assim flui melhor. :)

Tenho total consciência de que não são todos os casos assim. Não tive experiências traumáticas extremas, não posso falar delas com tanta propriedade, mas quem sabe este post não é só a porta de entrada pro assunto? Vai que…

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Vá a luta: Sonhar sem batalhar não leva ninguém a lugar nenhum

Vá a luta: Sonhar sem batalhar não leva ninguém a lugar nenhum

Eu sempre me considerei uma sonhadora…. Já passei horas da minha vida planejando cada pequeno detalhe da minha existência… Com quantos anos eu casaria, quantos filhos eu teria, onde moraria, onde seria meu trabalho, por onde eu iria viajar… Tudo devidamente calculado, pensado, desejado.

Junto com esses pensamentos da minha ~so called life~ eu sempre acreditei com todas as minhas forças nas frases “quem espera sempre alcança”, “sonhos se realizam”, “é o destino”.

Sei que parece blá, blá, blá ou qualquer coisa do tipo mas desde muito cedo Hollywood (ou a TV Globo, whatever) sempre te “ensinam” que tudo vai ficar bem. Não existe final de desenho de princesa onde ela termina sem o príncipe ou novela que a mocinha não consegue atingir suas metas.

 

Mas vocês estão prontas para o que eu vou dizer?

Acorde enquanto é tempo. Vá a luta: Sonhar sem batalhar não leva ninguém a lugar nenhum

Sonhar é sim, o ponta pé inicial da vida que você quer ter. Pegue seu sonho é transforme ele em metas e todo dia, TODO SANTO DIA ao acordar faça algo para atingi-las. Sonhos só se realizam com trabalho duro e muita, muita dedicação. E esse papo pode parecer todo muito clichê mas é a mais pura verdade.

Não achem que vocês tem todo tempo do mundo. Eu acabei de sair dos meus 16 anos… foi tipo, ontem! E cá estou eu escrevendo esse texto quase, quase, quase chegando aos 30.

Também nunca pensem que vocês estão velhas demais pra conquistar algo. Eu pensava isso com meus saudosos 20 aninhos e hoje eu vejo quanta vida eu ainda tinha pela frete. Bem, eu ainda tenho.

Façam a parte de vocês. Acreditem em vocês e no poder que todo mundo tem de se reinventar. Prestem atenção quando eu digo “acreditem em vocês”. Não é da boca pra fora, é só uma questão de observação.

Todas as pessoas que vocês admiram, que chegaram aonde elas desejavam acreditaram nelas. Independente da opinião ou apoio dos outros. É importante entender que nessa vida é cada um por si.

Uma das coisas mais incríveis da vida é viver amores e amizades verdadeiras mas nunca, nunca se anule ou deixe de seguir seu caminho por causa de ninguém. No final, a frustração vai ser só sua, somente sua se você não seguir seu caminho.

Se eu pudesse voltar no tempo, eu diria pra Nuta de 16 anos que o segredo para realizar sonhos é não se ancorar. Acho que essa coisa de ter “os pés no chão” nunca levou ninguém muito longe. Se Madonna tivesse “os pés no chão” jamais teria ido sozinha para Nova York com 35 dólares no bolso. Se permita, experimente coisas novas.

Voe. Como diz uma amiga minha: “o pior que pode acontecer é você voltar”. E essa frase serve pra muita coisa.

Mas o que eu com certeza falaria pra ela, se voltar no tempo eu pudesse, seria: Você pode fazer tudo certo, lutar pelos seus sonhos, ter metas, se esforçar, dar o seu melhor e mesmo assim, não conquistar o que queria.

Eu sei que seria difícil pra ela ouvir isso. Mas acredite, seria mais difícil pra mim dizer isso. Como está sendo difícil pra mim dizer isso pra vocês.

A verdade é que ninguém prepara a gente para a frustração. Nenhum filme da Disney, nenhuma novela, nenhuma conversa com a mãe. Ninguém na vida levanta a possibilidade que você pode não ser atriz principal. Aquela que é magra, bonita, bem sucedida e com uma vida amorosa.

Talvez você nunca seja tudo que deseja ser… Mas tenha certeza que você vai preferir ter tentado até o fim e ter feito a sua parte e lutado, do que ter ficado imaginando como seria. Talvez mesmo com tudo saindo errado e mesmo nada sendo como você planejou… no final, dá certo.

Escolha ser uma lutadora. Com a mente aberta e com os pés em movimento.