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Sobre ter pais separados

Sobre ter pais separados

*Este post será melhor compreendido por garotas com pais separados.

A gente recebeu o livro “A probabilidade estatística do amor a primeira vista” do pessoal da Galera Record (obrigada!!!) já há algum tempo. Li em menos de uma semana e um mês depois estava empacada sem conseguir escrever nada sobre ele aqui no GWS e muito menos conseguir formar uma opinião sobre o livro.

Todas as resenhas que li falavam sobre como é uma história fofa. E eu não tinha achado isso o mais importante. Eis que percebi que o que me travou pra escrever este post foi a mesma coisa que me impedia de ter a mesma opinião que as pessoas que li/conversei.

Já no começo do livro percebi que não foi a história principal que me chamou atenção. O pano de fundo, a história da família com pais separados da personagem principal, a Hadley, me fez sentir tanta identificação que tirou todo o foco do amor pelo menino dos sonhos, o Oliver.

Resumo da ópera: Vou aproveitar o livro pra falar sobre a minha vida, tudo que se passou pela minha cabeça quando me dei por gente e vi que tinha pais que não estavam mais casados. Vai que isso ajuda vocês, vai que isso te inspira a ler o livro com outros olhos.

 

Hadley, eu te entendo. O que se passa pela cabeça de uma garota com pais separados

Ter pais divorciados virou normal pro mundo, mas desculpa, não é normal pra criança (adolescentes incluídos). Pelo menos até ela virar adulta. Os meus pais se separaram quando eu tinha 3 anos. Tenho certeza absoluta que esta foi a melhor decisão que eles já tomaram na vida e etc (afinal, viver com duas pessoas que você ama, mas que não conseguem se entender deve ser um inferno), mas é inevitável pensar: Porra! Será que não dava pra terem deixado minha vida mais tranquila? O que custava continuar se gostando e deixando as coisas dentro dos conformes?

Pode parecer infantilidade, mas whatever. É isso aí mesmo que se passava pela minha cabeça. Eu não conseguia deixar de lado o fato das duas pessoas que eu mais amava terem tido o poder de mexer na minha vida de maneira tão profunda e eu não ter tido nem oportunidade de opinar. Isso sempre foi meu calcanhar de aquiles. Assim como o da Headley, personagem do livro. A gente foca tanto na revolta de ser carta fora do baralho nesta decisão que ficar pelos cantos é quase inevitável.

Aí vem a cereja em cima do bolo

Como se não bastassem se separar, ainda vem uma madrasta goela abaixo. Parem o mundo que eu quero descer. Eu tinha 7 anos quando meu pai se casou de novo. Preferi passar a festa toda procurando o meu anel de ouro que tinha perdido de tanto ter “tique” de ficar tirando e colocando no dedo do que prestar atenção naquele pastor. Foi ótimo. Hahahha

Mais uma vez, assim como a Headley, eu não tinha muita escolha. Ver meu pai casando não fazia sentido nenhum. E eu ainda tinha que estar presente, no altar. Caramba, como este livro poderia ter sido escrito por mim.
A diferença entre eu e a personagem principal é que ela já tinha idade pra conhecer um carinha fofo. Eu não. Heheh Merda!

E aí você amadurece

Passa a raiva, passa a angústia, sua mãe continua sendo sua mãe, seu pai continua sendo seu pai. E pasmem, a esposa dele pode ser uma pessoa legal. Você percebe que tem uma família maior e mais legal do que imaginou.
E isso tudo só foi possível pra mim por três motivos:

1) Resolvi dar uma chance para as coisas serem boas
Não adianta seu pai se esforçar para estar próximo, sua mãe ser fofa tentando te fazer ver o lado bom das coisas se você não estiver aberta pra isso.

2) Criei distanciamento
Forçar a barra e engolir tudo a seco só aumentava a minha raiva. Eu resolvi deixar rolar. Fiquei tempos afastada quando senti que precisava daquilo. E foda-se se eu era mal educada na “visão do mundo”. Eu fazia aquilo com boas intensões: dar um passo pra trás, pra dar dois pra frente, se é que vocês me entendem.

3) Descobri que meus pais são pessoas, antes de serem meus pais
Depois do meu período de “afastamento” (entre aspas por que não é literal), fui resolver as coisas. E o que foi crucial pra solucionar tudo na minha cabeça? Enxergar meus pais como indivíduos, fora do papel de pais. Isso é muito importante por que tira o peso (e raiva) dobrado das coisas do passado. Coloca compreensão e amor na jogada. A raiva sozinha não ajuda em nada. Assim flui melhor. :)

Tenho total consciência de que não são todos os casos assim. Não tive experiências traumáticas extremas, não posso falar delas com tanta propriedade, mas quem sabe este post não é só a porta de entrada pro assunto? Vai que…

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Vá a luta: Sonhar sem batalhar não leva ninguém a lugar nenhum

Vá a luta: Sonhar sem batalhar não leva ninguém a lugar nenhum

Eu sempre me considerei uma sonhadora…. Já passei horas da minha vida planejando cada pequeno detalhe da minha existência… Com quantos anos eu casaria, quantos filhos eu teria, onde moraria, onde seria meu trabalho, por onde eu iria viajar… Tudo devidamente calculado, pensado, desejado.

Junto com esses pensamentos da minha ~so called life~ eu sempre acreditei com todas as minhas forças nas frases “quem espera sempre alcança”, “sonhos se realizam”, “é o destino”.

Sei que parece blá, blá, blá ou qualquer coisa do tipo mas desde muito cedo Hollywood (ou a TV Globo, whatever) sempre te “ensinam” que tudo vai ficar bem. Não existe final de desenho de princesa onde ela termina sem o príncipe ou novela que a mocinha não consegue atingir suas metas.

 

Mas vocês estão prontas para o que eu vou dizer?

Acorde enquanto é tempo. Vá a luta: Sonhar sem batalhar não leva ninguém a lugar nenhum

Sonhar é sim, o ponta pé inicial da vida que você quer ter. Pegue seu sonho é transforme ele em metas e todo dia, TODO SANTO DIA ao acordar faça algo para atingi-las. Sonhos só se realizam com trabalho duro e muita, muita dedicação. E esse papo pode parecer todo muito clichê mas é a mais pura verdade.

Não achem que vocês tem todo tempo do mundo. Eu acabei de sair dos meus 16 anos… foi tipo, ontem! E cá estou eu escrevendo esse texto quase, quase, quase chegando aos 30.

Também nunca pensem que vocês estão velhas demais pra conquistar algo. Eu pensava isso com meus saudosos 20 aninhos e hoje eu vejo quanta vida eu ainda tinha pela frete. Bem, eu ainda tenho.

Façam a parte de vocês. Acreditem em vocês e no poder que todo mundo tem de se reinventar. Prestem atenção quando eu digo “acreditem em vocês”. Não é da boca pra fora, é só uma questão de observação.

Todas as pessoas que vocês admiram, que chegaram aonde elas desejavam acreditaram nelas. Independente da opinião ou apoio dos outros. É importante entender que nessa vida é cada um por si.

Uma das coisas mais incríveis da vida é viver amores e amizades verdadeiras mas nunca, nunca se anule ou deixe de seguir seu caminho por causa de ninguém. No final, a frustração vai ser só sua, somente sua se você não seguir seu caminho.

Se eu pudesse voltar no tempo, eu diria pra Nuta de 16 anos que o segredo para realizar sonhos é não se ancorar. Acho que essa coisa de ter “os pés no chão” nunca levou ninguém muito longe. Se Madonna tivesse “os pés no chão” jamais teria ido sozinha para Nova York com 35 dólares no bolso. Se permita, experimente coisas novas.

Voe. Como diz uma amiga minha: “o pior que pode acontecer é você voltar”. E essa frase serve pra muita coisa.

Mas o que eu com certeza falaria pra ela, se voltar no tempo eu pudesse, seria: Você pode fazer tudo certo, lutar pelos seus sonhos, ter metas, se esforçar, dar o seu melhor e mesmo assim, não conquistar o que queria.

Eu sei que seria difícil pra ela ouvir isso. Mas acredite, seria mais difícil pra mim dizer isso. Como está sendo difícil pra mim dizer isso pra vocês.

A verdade é que ninguém prepara a gente para a frustração. Nenhum filme da Disney, nenhuma novela, nenhuma conversa com a mãe. Ninguém na vida levanta a possibilidade que você pode não ser atriz principal. Aquela que é magra, bonita, bem sucedida e com uma vida amorosa.

Talvez você nunca seja tudo que deseja ser… Mas tenha certeza que você vai preferir ter tentado até o fim e ter feito a sua parte e lutado, do que ter ficado imaginando como seria. Talvez mesmo com tudo saindo errado e mesmo nada sendo como você planejou… no final, dá certo.

Escolha ser uma lutadora. Com a mente aberta e com os pés em movimento.

 

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Sobre Virgindade

Por Helena Martinelli Serra:

Você já parou pra pensar por que a virgindade feminina é uma questão tão discutida e polêmica na nossa cultura? Já se perguntou por que nós somos incentivadas a sermos reservadas, contidas e monogâmicas, enquanto os meninos são educados para a descaração, sem-vergonhice e galinhagem?

A origem disso é muito, muito antiga. Como você já deve saber, a humanidade nem sempre se organizou em famílias do tipo pai-mãe-filhos. Nossos antepassados primitivos, ao contrário de nós, viviam em tribos coletivistas (digamos que todo mundo era considerado “da família”), nômades (não tinham residência fixa, viviam viajando de um lugar pra outro) que giravam principalmente em torno da figura da mãe. Isso porque, naquele tempo, ninguém fazia ideia de qual era a participação do homem na “fabricação” de uma criança.

Com o tempo, esses humanos antigos começaram a compreender o papel do macho na reprodução e essa maneira de organizar a vida começou a mudar. Paralelamente, foram deixando de lado essa coisa hippie de coletividade e estabelecendo a noção de propriedade privada (“o que é meu é meu, o que é seu é seu e hippie tem mais é que levar porrada”).

Ora, se eu sou homem e tenho uma cabra e dois bodes, qual a única maneira de garantir que meus bichos vão ser herdados por um filho meu (e não do vizinho, do caçador, do sacerdote…)? Impedindo que a minha mulher namore com outros homens, é claro!

E foi em torno desses valores primitivos que se construíram a sociedade capitalista, muitas das religiões que conhecemos e os códigos morais que até hoje nos guiam. É por isso que, mesmo atualmente e entre as “liberadíssimas” mulheres ocidentais, a virgindade e fidelidade feminina ainda são vistas de maneira tão peculiar.

Historietas à parte, acho sempre importante lembrar aquilo que venho repetindo feito um papagaio ensandecido nos últimos posts: nossas decisões cabem a nós mesmas. Fazer sexo pode parecer muito bonito e glamouroso nos filmes e novelas, mas consiste basicamente em ficar pelada, exposta e vulnerável diante de outra pessoa e interagir com ela de maneira muito íntima.

Por isso eu acho que só deve rolar quando a menina se sentir verdadeiramente preparada e tiver encontrado alguém com quem se sinta bem à vontade. É o tipo do momento em que companheirismo e carinho nunca são demais.

E vocês, menines? Que pensam sobre o assunto?
Até a próxima semana!

assinatura-Helena

 

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Fazendo escolhas

fazendo escolhas

 

“Should I stay or should I go now?

Should I stay or should I go now?

If I go there will be troubleAnd if

I stay it will be double

So you gotta let me know

Should I stay or should I go?”

– The Clash

 

Em nossas vidas, às vezes chegamos a um ponto em que a estrada se bifurca e nós precisamos decidir qual dos caminhos seguir. Essas escolhas-chave definem o que faremos nos próximos anos, com que nos relacionaremos e, em última instância, que tipo de pessoa nos tornaremos. Exemplos clássicos: perdoar ou não o namorado depois de uma “escorregada”, escolher o curso pra qual prestar vestibular, decidir transar pela primeira vez.

Diante da carga de responsabilidade de momentos decisivos como esses, muitas pessoas se vêem paralisadas. Como não conseguem escolher o que fazer, acabam adiando indefinidamente até que a vida se acarrete de escolher por elas, ou apelam pra sorte e mandam um uni-duni-tê básico. Esse tipo de postura costuma levar à frustração e, convenhamos, não contribui em nada pro amadurecimento pessoal da criatura.

Existem muitas maneiras de se ajudar a escolher um caminho, mas o primeiro, e mais importante passo, é conhecer as próprias prioridades. Pergunte-se: “Quem sou eu? Quem eu quero ser? O que preciso fazer pra chegar lá?”. Respostas simples e objetivas são difíceis de conseguir, mas as idéias que surgirem desses questionamentos podem servir de guias nas decisões que nos assaltam em diferentes momentos da vida. Além disso, vale abrir o coração para os amigos queridos (eles nos conhecem e podem ajudar muito na hora de definir prioridades), conversar com pessoas que estiveram em situações semelhantes, fazer a clássica listinha dos prós e contras (atóron), meditar, enfim, qualquer coisa que ajude a colocar a cabeça no lugar e pôr as idéias em perspectiva.

O que não podemos fazer é largar as rédeas das nossas próprias vidas e deixar que as circunstâncias tomem essas decisões tão importantes por nós. Imaginem a seguinte situação: vocês estão dirigindo quando, de repente, o carro morre em cima da linha do trem. Como vocês são motoristas imprudentes que não observaram os sinais nem ouviram a maquinaria, só percebem naquele instante bisonho que o trem vem se aproximando. Vocês são confrontadas com duas opções: tentar ligar o carro ou sair correndo. Pois saibam que, enquanto vocês não decidem entre essas duas, acabam optando por uma terceira alternativa: serem atropeladas.

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