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Como me conectar com a minha verdadeira essência?

essência

Afinal o que é essência e como se conectar com ela?

Em Jung, chamamos essa essência de “SELF”, a parte que consideramos a mais “pura” de nós, a que reflete melhor quem nós realmente somos. Quando estamos conectadas com essa essência conseguimos desenvolver o nosso melhor de nós emocionalmente, psicologicamente e até espiritualmente.

Apesar de vivermos na era da comunicação, praticamos pouquíssimo o diálogo interno e, por medo, vergonha e insegurança não nos permitimos viver esse nosso EU, na sua totalidade.

Quantas vezes você já se pegou dizendo coisas como: “eu não consigo”, “não sou boa o suficiente”, “não sou bonita o suficiente”, “não sou inteligente o suficiente” ou se sentindo incapaz de tomar uma atitude, uma decisão ou um posicionamento por insegurança? Sem perceber, achamos que somos os que os outros dizem que somos, o que acreditamos que a vida nos tornou, o que achamos que “é o que dá” pra ser. Caímos nas armadilhas do EGO… E veja bem, não estou falando mal do EGO aqui.

O EGO é o que nos dá o senso de identidade, fundamental para lidarmos com o nosso dia-a-dia, para vivermos em sociedade. É ele que chamamos de nossa personalidade, nele que mora nossos gostos pessoais de música, moda, o que consideramos interessante ou não.

A questão é que muitas vezes temos um EGO preso em uma persona, uma imagem idealizada de nós mesmos. Para sermos essa persona, nos desconectamos da nossa essência e esquecemos de deixar que o EGO cumpra apenas o papel dele: O de estar a serviço da nossa essência e não o contrário.

Vivemos em uma era do bombardeio de informações, ideologias, estéticas prontas, fórmulas prontas e consumimos isso todos os dias, querendo ou não, ao abrir o instagram por exemplo. É fácil se conectar com as crenças de outras pessoas. Principalmente quando sabemos exatamente o que temos que falar, o que temos que vestir, como devemos ser para pertencer.

Se conectar com sua essência é sintonizar consigo mesma, se tornar curandeira de você mesma, das suas crenças, dos seus valores. Um dos conceitos mais importantes na psicologia analítica é o de valor. O valor é uma medida da quantidade de energia que você atribui a sua personalidade. Quando se atribui um alto valor a uma ideia ou sentimento, significa que esse valor pode ser o grande responsável por conduzir a sua vida. Por isso é tão importante perguntar: Estou sendo guiada por meus reais valores ou pelos valores do meu ego?

Manter a mente aberta e empática é importante.

Mas conectadas com nós mesmas, entendemos o que realmente faz sentido ou não, levar com a gente. Uma vez, uma grande amiga minha disse: “Crenças que pertencem a você não vão colocar mais peso sobre seus ombros. Elas irão tirar dos seus ombros o que você está desnecessariamente carregando.” Isso, é estar conectada com a sua essência.

Já escrevi um texto em 2017, antes de ser estudante de psicologia e saber falar sobre isso com uma visão mais técnica, chamado: “Seja você mesma mas de verdade, use sua autoestima” e acho válido trazer um trecho pra cá: “O seu processo de descobrimento e desenvolvimento é só seu. Não acelere, não finja acreditar no que não acredita, não se sinta culpada por pensar o que você pensa e o mais importante: não tenha medo de mudar de ideia. O medo e a insegurança só distanciam a gente de nós mesmas e tudo que queremos ser.”

Quanto mais a gente se conecta com esse EU, esse SELF, mais trabalhamos nosso autoconhecimento, cura interna, nossas inseguranças, autoestima e nosso propósito. Gosto muito de uma frase: Eu não sou quem eu digo que sou, eu não sou quem eu gostaria de ser, eu não sou o que dizem que eu sou. Quanto mais conectadas estamos da nossa essência, mais sentido ela faz.

Se você quer ter acesso a exercícios e ferramentas para se conectar com a sua essência, entender mais sobre o ego, trabalhar sua inteligência emocional, mudanças de hábitos e mentalidade, conheça o Método CdA.

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Por que nos sentimos tão frustradas?

porque nos sentimos tão frustradas

Frustração e autoestima.

Um paradoxo estranho que vejo hoje e é muito comum para quem como eu, sofreu com autoestima baixa durante muitos anos: Ao mesmo tempo que eu me sentia um lixo, sem valor algum, feia, nada inteligente, eu tinha lapsos de grandeza, de me achar melhor que os outros, mais merecedora. Sentia que era injusto eu não ser, eu não ter.

Hoje entendo como tudo isso, são dois lados da mesma moeda. Pode reparar, quem muito se acha, na intimidade, são pessoas cheias de inseguranças e medos. Depois que mergulhei nos estudos do autoconhecimento, fui entendendo melhor como desenvolvi minha mentalidade, primeiro passo para qualquer mudança quando algo nos incomoda.

Aliás eu acho muito curioso quando vejo por aí: “Trabalhar o autoconhecimento pra que? Eu me conheço a vida toda!” Sim, nós sabemos como agimos e reagimos no mundo, nossa cor favorita, se gostamos de frio ou calor. Mas sem nos aprofundarmos na nossa psique, não conseguimos compreender porque nos construímos como nos construímos, porque temos as crenças que temos, os hábitos, os medos, as inseguranças. Sem compreendermos isso, ficamos em um ciclo eterno de repetições de padrões e não fazemos mudanças reais na nossa vida, não evoluímos, não nos libertamos.

O caminho do autoconhecimento não é fácil, nem indolor e nem linear. Algumas coisas depois que compreendemos, destravamos com tanta facilidade… Já outras carregamos com a gente durante anos, mesmo depois de entendermos a origem e como nos fazem mal.

E o papo hoje é sobre frustração, esse sentimento carregado de uma sensação de impotência e de desânimo, muitas vezes com pitadas de raiva, que tem origem em tudo que não conseguimos ser e conquistar que eu conheço muito bem. Pelo menos uma vez por mês, a “Dona Frustração” senta na minha sala, pede um café, acende um cigarro e coloca por água abaixo meus anos de dedicação ao “me curar de mim” como diz a letra linda da música da Flaira Ferro.

A frustração é um sentimento super conectado com nosso EGO e distante da nossa essência, ou como diria a psicologia analítica, do nosso SELF. Essa essência, explicando de forma simplificada, é nosso “eu” mais puro, no sentido de ‘verdadeiro’. Quanto mais a gente se conecta com esse self, mais trabalhamos nossa cura interna, nossas inseguranças, nossa autoestima e nosso propósito. Quanto mais conscientes estamos da nossa essência, mais entendemos o ego e não caímos mais nas armadilhas dele.

E por que o ego apesar de necessário nas nossas vidas pode ser tão perigoso? Porque é nele que mora uma versão idealizada de nós mesmos. E pode ser muito frustrante passar a vida toda, desconectada de si mesma, em busca desse “eu” ideal imaginário. Perceber os perigos do ego não é fácil porque pensamos: “Ué, mas eu quero isso, mereço isso, vou lutar por isso, eu SOU isso.” Sem perceber que nossa essência já carrega tudo que nós precisamos.

Se conectar com a própria essência é fazer as pazes com nós mesmas, mas às vezes, nosso ego não deixa. É quase como quando brigamos com a nossa melhor amiga, sabe? Queremos fazer as pazes mas quem tem que pedir desculpas primeiro é ela.

Nunca nos sentimos tão frustradas e também nunca estivemos tão reféns do nosso ego. Afinal, todo mundo pode ter 15 minutos de fama, todo mundo pode se autodeclarar especialista e influenciar pessoas porque dá dinheiro, status. Likes nas redes sociais nos fazem nos sentir mais que amados, veja só: valorizados. Junto a isso, um mundo acelerado onde tudo fica ultrapassado (inclusive nós mesmas) em um estalar de dedos.

É impossível não se deixar afetar, impossível não se deixar levar. E quando bate a frustração? Vem a depressão, baixa autoestima, procrastinação, comportamentos compulsivos, ataques de raiva e para algumas pessoas até pensamentos suicidas.

Na sociedade em que vivemos existe uma  pressão para ser feliz e bem-sucedida. Essa pressão faz com que a gente se conecte cada vez mais com a ideia de sucesso do mundo e menos com a nossa, aquela da nossa essência. Aquela que faz sentido pra gente de verdade. Não aquela que quer provar alguma coisa para o mundo, não aquela que quer se encaixar, pertencer, não aquela que vai alimentar a vaidade. Tão fácil entender, tão difícil colocar em prática.

Uma coisa eu entendi: Onde existe frustração, existiu expectativa. Alinhar expectativas é uma forma de trabalhar as frustrações, assim como aceitar a realidade dos fatos. Nem tudo para acontecer depende do nosso esforço ou vontade, não temos controle de tudo. Aceitar a realidade não tem a ver com se acomodar, aliás acredito que aceitar é o primeiro passo para de fato, transformar.

O diálogo interno também é a chave para esse resgate da nossa essência. Quando me sinto frustrada tento me questionar com acolhimento: “O que me fez sentir assim?”, “O que é que eu esperava que acontecesse?”, “O que está ao meu alcance fazer?”, “Quais são as crenças que tenho sobre mim, a vida, sobre o sucesso que essa situação reafirma?” Me fazer perguntas e responder de forma honesta tem sido fundamental no meu processo de autoconhecimento e autoestima.

Será que naturalizar a frustração é a saída? Eu não sei, estou em busca de respostas sobre esse sentimento complexo há tempos. Tenho feito uma reflexão: Todas nós já nos sentimos frustradas. Aliás, é um sentimento que nos acompanha desde que somos bebês. Aquele choro desesperado quando não encontrávamos o peito para mamar, sabe? Ou seja, desde que o mundo é mundo recebemos essa mensagem difícil de engolir: O mundo não gira em torno dos nossos desejos.

Mas a frustração tem um efeito positivo no nosso desenvolvimento. É através dela que trabalhamos a nossa autonomia e resiliência, por exemplo. E também porque não dizer, nossa compaixão e autocompaixão.  Talvez seja impossível se libertar do sentimento, mas talvez seja possível mudar a forma que nos relacionamos com ele.

Se você quer ter acesso a exercícios e ferramentas para se conectar com a sua essência, entender mais sobre o ego, trabalhar sua inteligência emocional, mudanças de hábitos e mentalidade, conheça o Método CdA. 

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Insegurança no Trabalho: Quais os principais motivos e como vencê-los

insegurança no trabalho

Antes de falarmos sobre a insegurança no trabalho é importante entendermos o que a insegurança significa. Insegurança é um estado emocional que tem origem no sentimento de inferioridade. E o que a pessoa insegura acredita? Que ela não é boa o suficiente e isso se manifesta na realização de tarefas, na hora de se posicionar ou fazer uma apresentação, por exemplo.

A insegurança no trabalho faz com que a gente acredite que os outros são sempre melhores, mais capacitados e mais preparados que nós. Mas por que será que nunca nos achamos boas o suficiente?

Listamos alguns motivos: 

Síndrome de impostora

 

A Síndrome da Impostora é a autopercepção que uma pessoa tem de si mesma se considerando menos qualificada para uma determinada função, cargo ou desempenho que outros profissionais da mesma área. O estudo sobre esse quadro teve início em 1978 quando duas psicólogas, Pauline Rose e Suzanne Imes começaram a estudar o “fenômeno da impostora“, um estudo sobre mulheres que sofriam de algum tipo de insegurança no trabalho, que apesar de serem reconhecidas em suas profissões, não se sentiam competentes na mesma medida. 

E por que é tão mais comum em nós, mulheres? A revista Science fez um estudo e mostrou que meninas, a partir dos 6 anos, já possuem a sensação de pertencerem a um grupo com menos capacidade. Nesse mesmo estudo, descreveram uma pessoa extremamente inteligente e capacitada para um grupo de meninas e meninos e foi perguntado para eles se essa pessoa descrita era um homem ou uma mulher. A maioria das meninas e dos meninos, responderam que a descrição seria de um homem.

Muitas vezes temos a sensação de ser algo muito pessoal, individual nosso, mas mulheres muito bem sucedidas e reconhecidas como a atriz Kate Winslet, Sheryl Sandberg, diretora de operações do Facebook e Gabriela Prioli, advogada criminalista e apresentadora de TV já relataram sofrer da síndrome. 

Se tantas mulheres sofrem com essa questão, não seria a síndrome da impostora uma questão de gênero? Uma questão cultural?

Isso fica ainda mais evidente quando pensamos que a síndrome contrária, chamada de “o efeito Dunning-Kruger”, onde indivíduos se sentem muito mais capacitados e preparados do que realmente são é muito mais comum em homens.  

Ter consciência que é algo conectado a forma que a mulher é vista e colocada na sociedade é fundamental para se libertar dessa síndrome, mas sabemos que mesmo com isso em mente, a síndrome de impostora tem consequências individuais já que essa autopercepção gera angústia e alguns sintomas físicos como: dor de cabeça, taquicardia, tensão muscular e desordem nos hábitos alimentares, por exemplo. 

Quais as principais características da síndrome de impostora?

 

  • Nunca se sente pronta ou com conhecimento suficiente
  • Autossabotagem
  • Suas conquistas foram sorte (menospreza o próprio sucesso)

 

Como você pode trabalhar sua síndrome de impostora?

 

  • Aceite elogios, ABSORVA as coisas positivas que falam de você

Quando sofremos de síndrome de impostora temos dificuldade de aceitar elogios e nunca absorvemos como verdade o que foi dito para nós. Quando alguém te elogiar pelo seu trabalho ou competência, agradeça e pare para absorver o que foi dito pra você, trabalhe a ideia de se reconhecer naquele elogio.

  • Anote e relembre suas conquistas

Estamos constantemente pensando no futuro e muitas vezes esquecemos das realizações que vivemos até aqui. Tenha um caderno para anotar suas conquistas. Anote como foi viver cada um dos passos, as dificuldades que superou, como superou, quais seus talentos e habilidades você usou nesse processo. Reler vai te ajudar a se conectar mais com a sua real capacidade, o que aumenta a autoconfiança. 

  • Compartilhe como se sente com alguém de confiança

Compartilhe como você se sente com uma pessoa que você confia e sabe que não vai te julgar. Quando compartilhamos, naturalmente organizamos a mente e alguns medos e inseguranças que estavam gigantes na nossa cabeça, perdem forças.

 

Complexo de inferioridade 

 

O complexo de inferioridade é uma das formas da insegurança se manifestar. Por isso, se conhecer, ser honesta com você, entender as origens e consequências dessa insegurança é fundamental. Entender se é algo que você pode mudar sua mentalidade, ajustando comportamentos e crenças, ou se é algo que você precisa de tratamento clínico.

O complexo de inferioridade aparece quando a pessoa realmente acredita que não tem tanto valor quando se compara a outra pessoa. É uma certeza absoluta e ela tenta provar o tempo todo para outras pessoas que ela não consegue e não é boa o suficiente. Algumas características comuns são:

  • Pensar o tempo todo o que os outros estão pensando de você
  • Deixar de realizar uma tarefa que você tem conhecimento, dizendo que não sabe ou não vai conseguir e passar para outra pessoa.
  • Excesso de medo (chegando a sentir sintomas físicos de medo)

Esses sentimentos podem esconder um grande medo de rejeição, falta de autoaceitação, pessimismo excessivo e culpa. Para encontrar a raiz do problema é importante se fazer perguntas: Quando você começou a se sentir dessa forma? O que ou quem fez com que você se sentisse assim? Qual primeiro passo para se libertar desse sentimento? 

É natural sentir medo e insegurança no trabalho. O problema é que algumas mulheres acabam paralisadas e com isso perdem muitas oportunidades. É clichê, mas é verdade: A maioria das pessoas continua com medo, só que vai com medo mesmo.

Falta de alinhamento entre expectativa e realidade 

 

Aqui podemos falar um pouco sobre propósito, né? Passamos muito tempo acreditando no príncipe encantado que seria a representação dos felizes para sempre (romanticamente falando) e a cada dia que passa, percebo que muitas de nós estamos desencanando dessa ideia nos relacionamentos, mas transferindo para nossas carreiras.

Muitas mulheres acreditam que encontrar o propósito no trabalho é sentir uma felicidade plena com o que faz, uma constante sensação de estar realizada. 

Mas vamos por partes: O que é  propósito de vida? É o que te motiva, o que você entende como sua missão, como você acha que deve se expressar no mundo, algo que faz você se sentir bem.

Você não precisa ver propósito no seu trabalho! Ele pode estar na sua vida familiar, social, hobbies… Tá tudo bem ter um trabalho só para pagar as contas. E mesmo que seu propósito esteja na sua profissão, ainda sim, existirá momentos de tristeza, cansaço, desânimo e questões chatas para resolver.

Lembre-se que a felicidade nem sempre é sobre amar o que se faz, mas fazer com amor o que se faz.

Para terminarmos esse texto, quero colocar aqui um trecho do livro “Indomável” da escritora americana Glennon Doyle (que recomendo demais a leitura se você sofre com insegurança no trabalho).

“Uma vez Oprah Winfrey me disse: Não seja modesta. A Dra. Maya Angelou me ensinou que modéstia é uma afetação adquirida. Você não quer ser modesta, quer ser humilde. A humildade vem de dentro para fora…

…Toda vez que você finge ser menos do que é, rouba a permissão de outras mulheres para existirem completamente. Não confunda modéstia com humildade. Modéstia é uma mentira, uma atuação, uma máscara. A palavra humildade vem do latim, humilitas, que significa “da terra”. Ser humilde, saber quem você é e ter os pés no chão por causa disso. Deixa implícita a responsabilidade de se tornar quem está destinada a ser. De crescer, expandir, florescer por completo, com a força e a grandeza com as quais você foi criada para ter.”

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Para resgatar a confiança e autoestima é preciso entender que você é única

Assim como você, cresci inserida numa realidade que prega a magreza a todo custo, sendo indiferente ao bem-estar do indivíduo e da sua própria originalidade. Quando você está fora desse padrão, passa anos da sua vida sem autoconfiança e acreditando piamente que tem algo de muito errado com você.

Acreditando nessa verdade absoluta, começamos a agredir nossos corpos e nossas mentes, entrando em dietas milagrosas e tomando remédios que prometiam a felicidade eterna; afinal, só dá pra ser feliz sendo magra, né? Errado. Cuidar da saúde é uma coisa. Viver numa nuvem de paranoia e preocupação é outra.

O que eu aprendi com as minhas experiências é que aceitar seu corpo e suas características físicas da maneira como elas são torna a caminhada da vida mais tranquila, menos estressante e atribulada. Ao invés de simplesmente nos apegarmos ao aspecto físico de partes do nosso corpo, que tal pensarmos no aspecto fisiológico do nosso corpo inteiro? Até porque ninguém é só um pedaço de bunda ou de nariz, né?

– A sua perna grossa é o que te faz andar por aí.

– As suas mãos pequenas demais são as mesmas que seguram sua comida, que fazem carinho no rosto de alguém que você ama, que digitam aquele relatório do trabalho.

– O seu nariz grande e largo é o que te faz respirar mais e melhor.

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Essa mentalidade de que só é possível ser feliz de uma única maneira, dentro de um padrão, não é errada. É inconcebível. Tentar se encaixar nele só causa sofrimento, ansiedade e frustração. Somos indivíduos. Únicos. Dentro das nossas tão diversas características e personalidades. Já parou pra pensar que devemos celebrar nossas diferenças, ao invés de padronizá-las?

Um pedaço de pano costurado e pendurado num armário não tem vida. A partir do momento que nós vestimos aquele pedaço de pano e saímos pra viver é que ele ganha significado e relevância. E pra isso acontecer, essa roupa tem que ser sustentada por um corpo.

E todos nós temos um corpo. Podemos não gostar de algumas características, mas viver para criticá-las e torná-las maiores do que efetivamente são com certeza não é o melhor caminho. Não é um pedaço de pano, uma numeração gravada na etiqueta de uma loja ou uma revista de moda que determina quem você é. Muito menos o tamanho do seu corpo.

Entender essa lógica é um dos primeiros passos pra gente conseguir resgatar nossa confiança e autoestima, que tem sido esmagada e enterrada todos esses anos por novos padrões impostos todo santo dia em todos os lugares. A resposta que a gente procura, na maioria das vezes, está dentro da nossa própria cabeça.

Vamos juntas repensar o consumo, a autoestima e moda? Afinal, o que queremos sentir, transmitir e pensar não está escrito em nenhuma revista. Está dentro de nós.

– ♥ –

 

Por Júlia Meirelles:

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