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Diário da Lua Vermelha: Como alinhar seu ciclo com a Lua

alinhar seu ciclo com diário da lua vermelha

Estudar os astros, as plantas, as práticas espirituais antigas e os sistemas de magia nos ajuda a encontrar uma antiga feiticeira que existe em todas as mulheres e a Lua é nossa grande aliada. É sob seus auspícios que saímos do domínio solar do consciente e adentramos o mundo interno, é ela quem revela as realidades ocultas, os mistérios cíclicos do sangue e da seiva.

A Lua, grande espelho das águas inconscientes rege nosso ciclo mensal. Aprender a entender e respeitar os próprios ciclos é um segredo que as mulheres antigas dominavam, e que reside ainda dentro de todas nós.

Henn Kim

Ilustração: Henn Kim

Adentrar os mistérios lunares é mergulhar no profundo feminino, é aprender que somos parte integrante do todo, espelho e reflexo da natureza em seus aspectos mais luminosos e belos, mas também em todos as suas faces sombrias.

Dançar com a lua e celebrar o eterno ciclo de vida, dentro e fora de si, entender nos ciclos da Terra e de si mesma, os movimentos de geração, nutrição, e destruição, e saber que a morte é tão necessária quanto o nascimento para a manutenção da vida.

Ao longo das eras, muitas crenças povoaram o mundo, e com elas as mais diversas ferramentas de cura foram descobertas, desde técnicas de cantos e toques de tambor, até a descoberta das propriedades físicas e energéticas de elementos naturais encontrados ao redor. Tudo isso constitui um legado ancestral que ainda pulsa dentro de cada mulher, aquela que traz a recordação, para que juntas possamos nos recordar de quem realmente somos, através das ervas, da lua, da magia.

Uma das ferramentas mais utilizadas pelas mulheres para entender e acompanhar o ciclo menstrual e a influência lunar é o “Diário da Lua Vermelha”, um diário onde a cada ciclo uma nova mandala lunar é desenhada, juntamente com anotações diárias sobre nossos humores, sonhos, sensações físicas e emocionais e respostas fisiológicas do corpo. Com o passar do tempo, a utilização desse diário serve como um guia pessoal sobre o corpo feminino e a lua.

Antes de fazer o diário é muito importante entender sobre as fases da lua e seus efeitos, assim como entender sobre as etapas do ciclo menstrual. Nesse primeiro texto vamos aprender a confeccionar o diário, para nos textos seguintes nos aprofundarmos na relação entre a lua e nosso sangue. A palavra “menstruação” tem origem na palavra latina “menstruum” que significa tanto mês, quanto um solvente alquímico com a capacidade tanto de dissolver quanto de coagular.

Desde os primórdios a menstruação e a passagem do tempo foram associados, e os primeiros calendários da humanidade seguiam o ciclo de 28 dias da lua, e entender como suas fases atuam na natureza é essencial para entendermos como ela influencia nossos corpos e emoções.

 

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Para fazer o diário é só imprimir o diagrama acima a cada menstruação e seguir as instruções!

  • A primeira fileira numerada de 1 a 32, representa o ciclo.
  • Na segunda fileira, você vai preencher com os dias do mês, começando pelo primeiro dia de menstruação. Então se menstruar no dia 18, comece do dia 18 daquele mês em diante.
  • Na terceira fileira, são as fases da lua. Preencha as bolinhas com a fase certa da lua, no dia que menstruou. Use as legendas como referência pra pintar a bolinha!
  • Na quarta fileira indique com o símbolo escolhido para cada etapa do ciclo, como menstruação, ovulação, tesão, sexo, alterações emocionais,
  • Estabeleça um dicionário de símbolos sobre os assuntos que deseja manter controle, é necessário pelo menos um símbolo para menstruação, um símbolo para ovulação e um símbolo para o fluxo de corrimento vaginal.

Lua Nova: O céu aparenta estar sem lua, somos convidadas a mergulhar no vazio profundo, onde a racionalidade fica em segundo plano e o inconsciente vem à tona, trazendo para o espectro visível coisas que ainda estavam sob a superfície.  Etapa inicial do ciclo lunar, é o momento ideal para o início de novos projetos e objetivos

Lua Crescente: Aquilo que foi plantado durante a Lua Nova começa a nascer, e é hora de revisar esses projetos, fazendo as modificações necessárias, e de se empenhar para colher bons frutos.

Lua Cheia: A lua apresenta seu vigor máximo, e aquilo que foi plantado se encontra em seu ápice. É tempo de transbordamento, e de se entrar em contato com os frutos daquilo que foi semeado na Lua Nova, privilegiando a clareza para uma boa compreensão.

Lua Minguante: O que a Lua Cheia trouxe deve agora ser analisado, independentemente dos resultados alcançados. Na Lua Minguante aquilo que não funcionou será revisado e alterado se necessário for, preparando o solo para a semeadura da próxima Lua Nova.

Pronto, ao logo dos meses você vai começar a perceber com mais clareza as influências da lua sobre si, e como utilizar a seu favor esse conhecimento. Nos próximos textos, já com os diários em mãos, nos aprofundaremos nos poderes de nosso sangue, nas influências das fases da lua e de nosso ciclo biológico e hormonal, e a como utilizar magicamente cada período desses.

“Recordar, del latín re cordis: volver a pasar por el corazón”

— ♥ —

Por: Fernanda Grizzo (SURATI)

Designer de joias formada no Intituto Europeo di Designe feiticeira por vocação, faço joias por poder, unindo pedras, metais e símbolos. Iniciada pela Escola de Saberes e Práticas Ancestrais Femininas – Xamanismo para mulheres e pela Tradição Bruxaria da Floresta, acredito que cada pessoa possui em si mesma a capacidade de se curar, e por isso dedica-se a resgatar o poder adormecido dentro de cada um trazendo de volta à vida e à consciência essa faceta antiga e curadora em cada ser.

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Chá de autoestima: Tudo que rolou no nosso primeiro workshop

O chá de autoestima é um workshop que eu elaborei com muito amor, para ajudar garotas a trabalharem seu amor próprio e confiança. Levei um ano separando vídeos, textos e elaborando um material físico que incluiu uma mini apostila interativa e até um blend de chá que eu mesma  fiz especialmente para o curso.

cha-autoestima-gws-cursoApostila para exercícios e mentalizações e o blend de chá com uma mistura para autoestima 

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Eu tenho um enorme carinho por esse workshop e foi muito mágico finalmente colocá-lo em prática no Espaço Criativo GWS no último dia 10 de março. Essa primeira edição do Chá de Autoestima foi gratuita, até porque, foi a minha primeira vez apresentando o material e eu sei que ainda tenho que treinar mais (virginiana, né gente) e teremos mais um nesse formato, que vai rolar em abril ou maio e será a última chance de participar do workshop na faixa. Assim que decidimos as datas é claro, a gente divulga na nossa newsletter (melhor jeito de saber de tudo em primeira mão, assina aí!) por aqui e nas redes sociais.

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Esse primeiro encontro foi maravilhoso. Bem intimista, com uma troca incrível e acho que todas as meninas conseguiram pensar e tentar enxergar elas mesmas e suas situações atuais por outra perspectiva e perceberam que autoestima é construção.

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O chá de Autoestima tem esse objetivo: Ser uma troca, uma catarse, em que você percebe que você conduz seus medos, inseguranças e oportunidades. Gravamos um videozinho só para registrar um pouquinho desse dia e algumas fotos para registrar o momento.

Espero vocês na próxima edição do Chá de Autoestima!

— ♥ —

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Documentário GORDA, de Luiza Junqueira do ‘Tá Querida’

Se você ainda não conhece a Luiza Junqueira, pode ir se inscrevendo no canal dela o “Tá Querida“. Lá a Luiza faz os vídeos clássicos que você espera de uma youtuber, com dicas, um pouco sobre a vida pessoal, ’50 fatos sobre mim’ e temas importantes como masturbação feminina e gordofobia. O equilíbrio perfeito entre as futilidades que a gente ama e papo sério que podemos e devemos debater.

luiza junqueira Luiza Junqueira do canal ” Tá Querida” e diretora do documentário “GORDA”

Além de youtuber, Luiza é videomaker e juntando o útil ao agradável ela fez em 2013 o belíssimo e poético curta chamado “Espelho Torcido” (te desafio a assistir sem se emocionar). E agora, em 2016, lança hoje no seu canal do youtube o documentário “GORDA”, que ela mesma produziu, dirigiu, roteirizou, editou e fez a coloração, junto com Aline Rosa. Todo o resto, ela teve ajuda de uma equipe composta apenas por mulheres, 15 ao total, que doaram seu trabalho para o projeto.

GORDA

O Espelho torcido foi em 2013 minha tentativa de tentar iniciar meu processo de empoderamento. Na época o filme teve bastante repercussão e a partir disso comecei a aceitar melhor meu próprio corpo.” – conta Luiza.

Daí para o GORDA, foi um pulo: “Quando fui fazer meu TCC no curso de Rádio e TV decidi que faria um filme que proporcionasse a mesma experiência que tive a outras mulheres. E daí surgiu a ideia de fazer o GORDA.”

A intenção com seus trabalhos é dar voz  às mulheres gordas que, assim como ela, enfrentam preconceito diariamente: “Quero que as pessoas entendam que ser gorda é normal e pode ser belo. Quero mostrar que padrão de beleza é uma construção social e por isso pode ser ressignificado. A beleza é uma decisão pessoal.”

O documentário é sobre 3 mulheres gordas, todas com perspectivas diferentes em relação aos próprios corpos. Como essas mulheres foram escolhidas? “São mulheres que foram selecionadas em um formulário online com algumas perguntas acerca do tema do filme. O formulário teve mais de 550 inscrições em apenas uma semana no ar. Como a produção foi pequena, foram escolhidas apenas três mulheres que têm perspectivas diferentes em relação aos próprios corpos.”

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Sabemos que a autoestima das mulheres em geral é baixa e massacrada pela sociedade. Mas sabemos também que as mulheres gordas sofrem ainda mais com isso, a pressão é infinitamente maior. Vivemos em um tempo que a representatividade nunca esteve tão em alta. Mas a mulher gorda ainda assim é raramente vista na TV, em campanhas… Qual a melhor forma de lutar pra isso mudar?

“Acho que ainda não há representatividade gorda pois o capitalismo (sim terei que falar de capitalismo) cria necessidades impossíveis de serem supridas para gerar mais consumo. Então é colocado um corpo magro e quase impossível de se ter como padrão de sucesso e beleza. Quanto mais longe a pessoa estiver daquele corpo, mais indesejável e fracassada ela é. As pessoas continuam em uma busca infinita por um corpo perfeito e consomem produtos de dieta, programas de tv, revistas, cirurgias plásticas, roupas modeladoras, cosméticos, maquiagem… deve ser bem lucrativo, sabe? Mas eu acho que já tá na hora dessa galera cair na real que o público não é um robô de photoshop e as pessoas querem consumir sim e querem se ver representadas no que consomem. É uma pena pois eu acredito que seria muito mais lucrativo um consumo mais consciente e feliz que envolva amor próprio. Mas tenho esperanças que estamos caminhando pra isso. Cada vez mais pessoas estão tomando consciência de si e querendo se ver representadas. Por isso acho que o GORDA está repercutindo tão bem. Não sei qual a melhor forma de lutar pra mudar isso, mas a minha forma é produzindo conteúdo para tentar promover alguma representatividade e empoderar o maior número de pessoas possível.”

A gordofobia é socialmente naturalizada de tal forma que, em muitos dos casos, as próprias vítimas fazem do seu corpo um alvo de desprezo. Somente a partir de um esclarecimento individual é que elas finalmente se amarão e conseguirão espalhar o conhecimento adiante para combater o preconceito. Colocar a gordofobia como pauta de uma forma única e pessoal como acontece em “GORDA” é uma maneira de sensibilizar quem assiste. Por isso, o filme conversa não só com as mulheres gordas, como também com quem promove os discursos de ódio que afetam essas mulheres.

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Você gostou do tema do documentário? Acha que gera um debate interessante? Pode ser gorda, magra, entendida do tema ou não,  que tal assistir o documentário com a gente e com a Luiza Junqueira no Espaço Criativo GWS? Vamos ter uma sessão de GORDA + debate sobre a autoestima da mulher gorda no dia 29/11, terça-feira, às 19h. As vagas são limitadas! Para se inscrever: bit.ly/GWSgorda

Luiza te inspirou? Segue ela no insta: @luizajunquerida!

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Para resgatar a confiança e autoestima é preciso entender que você é única

Assim como você, cresci inserida numa realidade que prega a magreza a todo custo, sendo indiferente ao bem-estar do indivíduo e da sua própria originalidade. Quando você está fora desse padrão, passa anos da sua vida sem autoconfiança e acreditando piamente que tem algo de muito errado com você.

Acreditando nessa verdade absoluta, começamos a agredir nossos corpos e nossas mentes, entrando em dietas milagrosas e tomando remédios que prometiam a felicidade eterna; afinal, só dá pra ser feliz sendo magra, né? Errado. Cuidar da saúde é uma coisa. Viver numa nuvem de paranoia e preocupação é outra.

O que eu aprendi com as minhas experiências é que aceitar seu corpo e suas características físicas da maneira como elas são torna a caminhada da vida mais tranquila, menos estressante e atribulada. Ao invés de simplesmente nos apegarmos ao aspecto físico de partes do nosso corpo, que tal pensarmos no aspecto fisiológico do nosso corpo inteiro? Até porque ninguém é só um pedaço de bunda ou de nariz, né?

– A sua perna grossa é o que te faz andar por aí.

– As suas mãos pequenas demais são as mesmas que seguram sua comida, que fazem carinho no rosto de alguém que você ama, que digitam aquele relatório do trabalho.

– O seu nariz grande e largo é o que te faz respirar mais e melhor.

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Essa mentalidade de que só é possível ser feliz de uma única maneira, dentro de um padrão, não é errada. É inconcebível. Tentar se encaixar nele só causa sofrimento, ansiedade e frustração. Somos indivíduos. Únicos. Dentro das nossas tão diversas características e personalidades. Já parou pra pensar que devemos celebrar nossas diferenças, ao invés de padronizá-las?

Um pedaço de pano costurado e pendurado num armário não tem vida. A partir do momento que nós vestimos aquele pedaço de pano e saímos pra viver é que ele ganha significado e relevância. E pra isso acontecer, essa roupa tem que ser sustentada por um corpo.

E todos nós temos um corpo. Podemos não gostar de algumas características, mas viver para criticá-las e torná-las maiores do que efetivamente são com certeza não é o melhor caminho. Não é um pedaço de pano, uma numeração gravada na etiqueta de uma loja ou uma revista de moda que determina quem você é. Muito menos o tamanho do seu corpo.

Entender essa lógica é um dos primeiros passos pra gente conseguir resgatar nossa confiança e autoestima, que tem sido esmagada e enterrada todos esses anos por novos padrões impostos todo santo dia em todos os lugares. A resposta que a gente procura, na maioria das vezes, está dentro da nossa própria cabeça.

Vamos juntas repensar o consumo, a autoestima e moda? Afinal, o que queremos sentir, transmitir e pensar não está escrito em nenhuma revista. Está dentro de nós.

– ♥ –

 

Por Júlia Meirelles:

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