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Sucesso e comparações

sucesso e comparações

Estamos em pleno vapor com as mudanças aqui no Chá de Autoestima. Depois que a quarentena começou, em março/20, tivemos que adaptar as aulas presenciais pra online e tivemos que parar a produção do blend que era totalmente artesanal. 

Resolvemos investir pra fazer mudanças na marca e também nas estruturas. Estamos loucas pra mostrar todas as novidades, mas já adianto que teremos nosso delicioso blend em sachês!

Esses meses loucos de isolamento social me renderam muitas reflexões, estudos, renovações em várias áreas da vida e eu andei pensando sobre sucesso esses dias e queria falar disso com vocês. Sobre sucesso e comparações.

Essa é a primeira vez na minha vida que eu não tenho outra fonte de renda além do Chá de Autoestima, que é um negócio em pleno crescimento, mas que ainda demanda muito investimento e o lucro não é significativo ao ponto de sustentar por completo a vida de suas duas sócias, eu e a Nuta.

Pois bem, nesse contexto, é fácil cair na armadilha das comparações, né? A gente olha pro lado e parece que tudo é mais fácil, que “com grana até eu”, que tem uma galera aí surfando onda sem fundamento nenhum e tem também aquelas que estão copiando descaradamente o que você faz.

Isso não é pessoal, isso serve pra você que está na batalha de empreender também ou pra você que está lutando pra se destacar numa empresa ou na sua carreira de autônoma. Quando você faz o seu com originalidade e qualidade, é normal que você vire uma espécie de referência.

E aqui entra aquela coisa de ser única, de ter a noção de que só você faz o que você faz, do jeito que você faz. Quando a gente diz que seu super poder é ser você mesma, é disso que falamos também. É saber que sempre que você se voltar pra si mesma, você vai encontrar o melhor caminho. E eu queria que vocês nunca esquecessem disso.

Então, pensando sobre tudo isso, eu comecei a tentar entender como EU acredito que o Universo funcione. E aqui você pode pensar no seu Deus, na sua força, nas energias… seja o que for que você acredite.

O lance é aquele: fazer o seu, ser grata e torcer sempre pra que todas as pessoas que te desafiam sejam felizes e conquistem mais e mais. De alguma forma que às vezes possa ser difícil para a nossa compreensão, o Universo retribui melhor assim do que quando alimentamos raiva e inveja e julgamentos.

Sabe aquelas pessoas que estão sempre de bem com a vida, não importa a merda que aconteça? Eu tenho pra mim que essas pessoas conseguiram virar essa chavinha da real gratidão (não aquele papo gratiluz falso), são pessoas mais felizes. E felicidade, você sabe, não tem a ver com o que você conquista na vida.

Vamos fazer o exercício de imaginar um “campo”, um círculo e que ali estão as pessoas que você admira, julga, se espelha… e é ali que está também o seu sucesso (o que isso significa pra você). 

O que te impede de entrar ou permanecer ali naquele campo, naquela vibração não são os outros, não é quem está ali também, não é quem sai dali, não é quem você julga que não deveria estar ali. 

Quem tem esse poder é só você mesma. Então, eu acho que a gente precisa mentalizar que lá é um lugar de prosperidade. Quanto mais a gente mentalizar que as pessoas que alcançaram o que a gente almeja sejam mais e mais bem sucedidas, mais esse campo vai se expandir. 

Se ficamos constantemente “preocupadas” com o sucesso e reconhecimento do outro, se a gente fica julgando que o outro está lá sem merecer, se a gente fica nesse lugar de pena de si mesma, então estamos enxergando somente esse campo encolher. Você acredita que alguém precisa sair pra você entrar. 

Mas eu acredito que essa é uma vibração de expansão e não de competição. Quanto mais a gente conquista e cresce, mais pessoas a gente carrega junto, mais espaço a gente abre, mais coisas positivas a gente é capaz de fazer pra si mesma, pro mundo, pro próximo. É um papo bem #gratiluz sim, mas pensa se não faz sentido?

É claro que não tô dizendo aqui que basta mentalizar! Nada é conquistado do dia pra noite. A maioria das vezes que você vê uma carreira “meteórica”, ela tem lá uma enorme bagagem de tentativas e erros que você não viu. É claro que é preciso trabalhar duro, se arriscar, não ter medo do fracasso, se aprimorar cada vez mais, investir tempo, energia e dinheiro. Mas estou trazendo aqui uma visão de mentalidade.

E aí, o que será que está impedindo seu sucesso? Comece a valorizar suas conquistas, comece a vibrar pelas conquistas alheias, comece a focar naquilo que transmite quem você é, comece a se colocar no mundo com a sua verdade e depois me diz se você não sentiu a diferença.

 

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Sobre perdoar minha mãe e enxergar o lado bom dela…

perdoar minha mãe

Eu tive uma relação muito conturbada com a minha mãe. A gente passou boa parte da vida se agredindo, se culpando e se magoando, mas não foi sempre assim.

Ela era uma menina muito livre, vivia em um lugar pobre, chamava atenção pela beleza e a aposta era que ela seria uma artista: tão bonita, tão extrovertida…

Seus sonhos eram grandes, mas sua realidade (e falta de alguma coisa que eu não saberia identificar – oportunidade? amor próprio? determinação?) sempre podaram a imensidão que cabia dentro dela.

perdoar minha mãe Como toda pessoa sensível demais, era dada às aventuras mundanas e aos prazeres da vida. Me teve com 18 anos, depois de já ter engravidado outras vezes (eu sou filha única, no entanto). Era uma menina, animada, que às vezes tinha muito senso de responsabilidade, mas às vezes só queria viver sua juventude.

Desde que eu me lembro as drogas estavam presente na vida dela. E com certeza esse foi o seu maior obstáculo na vida. E o que levou a nossa relação ao limite também.

Mas hoje seria o aniversário dela. 56 anos. Ela adorava festejar, comemorar e eu queria pensar e buscar dentro de mim todas as coisas boas que ela fez por mim ou que eu admirava nela.

Porque antes até dela ir embora eu já queria mudar nossa convivência. Então, agora que ela não tá aqui faz menos sentido ainda remoer tanto as coisas ruins.

Ela era extremamente carinhosa e eu tinha uma paixão cega por ela quando era pequenininha. Todas as crianças amavam ela, queriam estar perto dela e aquilo me consumia de ciúmes… Mas ela tinha carinho pra dar pra todo mundo.

Ela me ensinou e ser generosa, a ajudar os outros. Lembro quando teve o Tsunami e montaram um posto de recolher doações aqui do lado de casa. Ela me levou pra gente ficar lá ajudando a receber, separar e encaixotar tudo… foi meu primeiro trabalho voluntário e eu aprendi muito com aquilo.

Ela falava muito de caridade e era sempre a pessoa que pensava em agitar o “lanche das crianças” em qualquer oportunidade. Ela era louca por criança.

É difícil me lembrar da parte boa da adolescência quando penso nela, porque foi realmente difícil entre nós, ela era muito instável, mas nas horas melhores, ela me apoiou em ser uma Spice Girl (!) e em ter um relacionamento com outra menina.

Ou quando eu quis fazer faculdade de moda, ela mexeu todos os pauzinhos e conseguiu uma bolsa de 60% pra mim. Ela acreditava que a gente tinha que ir atrás do nosso sonho, da nossa independência e ser feliz. Ela só esqueceu de fazer isso por ela mesma.

O melhor amigo da minha mãe era um homem gay. Nos anos 80 era bem diferente, um verdadeiro tabu. Mas ela lutava pelo direito dele de existir e me ensinou sobre preconceito. Ela me defendia como uma leoa e isso foi bom e foi ruim porque quando eu era criança e outra criança brigava comigo, ela ia lá brigar com a criança pra me defender (!), mas quando um amigo mais velho dela insinuou dar em cima da filha dela adolescente, ela foi pra cima dele tão forte que o homem teve que mudar de cidade.perdoar minha mãe

Aliás, ela me ensinou educação sexual desde novinha. Uma coisa que eu não vi acontecer com outras muitas amigas da minha idade.

Eu tenho muito nítido na memória o quanto ela se esforçava e sentia prazer em me dar coisas que eu queria muito, o quanto ela era destemida e me levava pra todos os cantos com ela.

Lembro das viagens, da gente indo de carona pra praia, de lugares que provavelmente uma criança não deveria estar… Lembro dos namorados legais que ela teve, dos inúmeros apelidos que ela me dava e me chamava, de como se emocionava com a lua cheia. Da comida e do tempero que era só dela. Às vezes eu lembro do cheiro dela.

Ironicamente, o que eu mais lembro de bom dela era o cuidado e o carinho que ela tinha comigo. É irônico porque as agressões foram muitas também.

Enfim, todo mundo tem seus momentos, seu lado bom e ruim. Ainda mais com vício norteando toda sua vida. Mas eu queria colocar em palavras a sensação boa de ter sido filha da Nayra, porque eu já falei muito sobre a parte ruim. Todo mundo sabe que perder ela foi a coisa mais difícil que eu já passei na vida. É uma saudade estranha, eterna, é um papel social que acabou pra mim: o de filha.

É um enorme clichê mas eu sei que apesar de todas as coisas, ela era a única pessoa que daria a vida por mim. E isso é imenso e carregado de significados, não só o literal, de morrer por outra pessoa. Não acho que isso seja inerente a todas às mães, não pretendo romantizar nada. Mas eu sei que com ela era assim.

Espero que hoje seja um dia de festa e alegria em alguma dimensão onde ela possa comemorar e se divertir.

— ♥ —

Por Marie Victorino

 

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Sobre poder feminino

poder feminino

Essa última semana não foi nada fácil pra mim e diante de tantos pensamentos conturbados acabei pensando muito sobre relações de poder e em especial sobre poder feminino.

Como eu disse, tive uma semana esquisitíssima, não conseguia me sentir disposta para colocar em prática nada que eu tinha planejado. Estava no deadline e não conseguia trabalhar, também não conseguia estudar, nem responder os e-mails, muito menos separar os documentos para o imposto de renda.

Então eu tentei relaxar. Assistir uma série, talvez? Terminar o livro que estou lendo? Dormir de tarde?Faxinar? Todas as opções não me pareciam boas opções porque elas só me lembravam do que eu deveria estar fazendo e não estava.

Cozinhar era a única coisa que eu conseguia fazer sem me sentir mal afinal, eu tinha que me alimentar. Mesmo assim… Se eu demorasse muito preparando a comida, já me culpava por não ter pensando em algo mais prático, rápido para fazer.

 

poder feminino

 

E você pode estar lendo isso e pensando: “é ansiedade”. E sim, é ansiedade. Sou diagnosticada com TAG (transtorno de ansiedade generalizada) o que significa que o nível de ansiedade é desproporcional aos acontecimentos reais e além disso, estamos vivendo uma pandemia em um governo desgovernado, o que vamos combinar? Não deixa ninguém mais tranquilo.

Mas a ansiedade não é exatamente o foco desse texto. E sim o que talvez cause essa estranha sensação de estar sempre perdendo tempo, que eu poderia fazer mais, ser mais, ser mais prática, rápida, melhor, estar sempre em movimento, em busca de… poder.

Colocamos todos os dias na nossa lista de afazeres tarefas que fazemos praticamente no automático, todos os dias, como se fossemos uma máquina, que funcionasse sempre da mesma forma todas as vezes que ligamos na tomada. E eu sei, que você mulher, assim como eu, tem dias que se sente inspirada para produzir, dias que prefere refletir, dias que quer explorar, dias que quer se recolher…

Isso porque somos cíclicas como a lua. Mas somos obrigadas a funcionar como o sol, energia masculina, sempre em movimento e em ação, apenas reproduzindo todos os dias o mesmo movimento. Se esse papo tá místico demais pra você, ok, vamos falar cientificamente: Os hormônios femininos por exemplo, sofrem variações constantes durante o dia. Alguns fatores que alteram a quantidade de hormônios femininos por exemplo são a hora do dia, o ciclo menstrual, menopausa, medicamentos, estresse, fatores emocionais, sem falar na gravidez. Já nos homens, os hormônios seguem praticamente da mesma forma durante toda a fase adulta.

É inquestionável que vivemos em uma sociedade construída pelos homens. Tudo que nos é “vendido” sobre ser produtiva, vencedora, ser ativa é masculino porque a construção social que vivemos é masculina. Nós nos desconectamos com a forma que realmente pensamos, produzimos e funcionamos muito antes das nossas bisavós nascerem.

No fundo, sentimos que não queremos produzir assim, que não é essa a forma que gostaríamos de nos expressar, de viver, de trabalhar, não é como gostaríamos de ver o mundo funcionar, mas esse é o único jeito que a gente conhece. O jeito dos homens que passou a ser somente o jeito certo.

Sentimos um incômodo que não passa, independe de estarmos cumprindo ou não, nossa lista de tarefas, se a semana foi produtiva ou não, seguimos enraizando mais ainda o jeito masculino de fazer as coisas, reproduzindo algo que não nos pertence.

Nossa energia feminina está em desequilíbrio há tanto tempo que é preciso reconhecer que nós mesmas não a conhecemos, não a vivemos. Tudo que temos é uma coisinha dentro de nós, uma semente que podemos chamar de intuição que tenta nos avisar diversas vezes que como todo o sistema funciona, não é a forma que queremos viver.

Mas isso não tem a ver com “pegar”o poder para nós, não é uma disputa por ele. Nós, mulheres, precisamos compreender que a questão não é sobre quem está no poder e sim, a importância de mudar a natureza do poder que se estabeleceu na nossa sociedade.

Como Starhawk, uma escritora americana disse no seu livro “Truth or Dare”. Existe o “poder sobre” que está relacionado com dominação e controle e o “poder de dentro” que despertam nossas habilidades e potencialidades profundas. O “poder sobre” trabalha como uma pirâmide, enquanto o poder de dentro, como um grande círculo, sempre disposto a expandir.

Sem perceber, justamente por termos sido nascidas e criadas dentro desse sistema de “poder sobre”, assim como nossas mães, nossas avós, nossas bisavós (e a lista poderia seguir mais longe) nós o reproduzimos e chamamos isso de independência, autonomia, profissionalismo, sucesso…

Competimos mesmo fazendo textão de empoderamento, vemos as outras como competidoras mesmo quando sabemos que podemos aprender e ensinar umas com as outras, falamos sobre autoestima, duvidando da nossa capacidade e nos odiando em frente ao espelho. Nos sentimos constantemente frustradas, porque estabelecemos um ritmo para nós que não é nosso.

Seguimos apoiando uma fórmula que não funciona pra gente e usando apenas a liberdade que nos foi dada, que nos foi permitida, porque verdade seja dita? Dentro da sociedade que nascemos e conhecemos, não fomos nós que conquistamos. Em alguns momentos da história, foi interessante pro sistema que ganhássemos pequenas liberdades. Até quando? Pra quais de nós? A que custo?

Ainda temos muito o que entender sobre nós mesmas. Inclusive a forma que produzimos, criamos, realizamos, existimos e se o que fazemos com “essa tal liberdade” realmente nos liberta ou estamos somente fortalecendo algo que no fundo, no fundo (nem tão no fundo assim) nos limita.

Afinal, nós fomos e somos reprimidas, estereotipadas, inferiorizadas e desacreditadas. A história da mulher na nossa sociedade é uma história de renuncias e tudo isso está enraizado no nosso subconsciente, na nossa criação e na forma que a sociedade funciona.

É nosso papel buscar o equilíbrio dessas forças. O primeiro passo é conhecer e reconhecer a nossa energia. Chegou o momento, mulheres, de recuperamos a consciência das nossas potencialidades e conhecer de verdade, nosso poder, o verdadeiro poder feminino.

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Insegurança e ego, o que uma coisa tem a ver com a outra?

Insegurança e ego

Desde que comecei a trabalhar minha autoestima, estou em constante processo de me entender com mais profundidade. De entender  a origem dos meus sentimentos, dos meus medos, das minhas questões; Afinal autoconhecimento é a chavinha pra gente começar a trabalhar nosso auto-amor.

Em uma das minhas sessões  recentes de autoanálise comecei a pensar nas minhas inseguranças. Sempre falo na palestra do Chá de Autoestima que identificar e entender a origem dos nossos sentimentos é o primeiro passo pra gente começar a mudar as coisas que nos incomodam, nos aprisionam e nos limitam.

Para ler: Estive pensando sobre: A importância do autoconhecimento 

Eu passei a maior parte da minha vida sendo extremamente insegura. Acho que a melhor forma de ilustrar o que significa extremamente insegura é contando um caso que hoje acho até engraçado: Na minha adolescência, início da juventude, eu tinha pânico de levantar do ônibus e puxar a cordinha para descer no meu ponto. Eu sempre pensava que aquele momento era o momento que todo mundo olharia pra mim, me julgaria, comentaria algo maldoso assim que eu saísse do ônibus.

E se eu caísse quando levantasse? Se eu pisasse no pé de alguém? Se eu deixasse alguma coisa cair? Se o motorista passasse direto do meu ponto? Eu ia gritar? Pediria pra ele parar? Eu chegava a suar frio com o “momento puxar a cordinha” e ficava praticamente o caminho todo ensaiando a melhor forma de fazer isso, pra que tudo desse certo, sem nenhum erro. Insegurança ou ego?

 

Insegurança e ego

 

Obviamente minha insegurança não parava por aí, até porque é um efeito dominó. Já percebeu que quando ficamos tímidas a gente bloqueia? A vergonha paralisa, deixa a gente trancada dentro de uma caixinha, a tal zona de conforto que de confortável não tem nada! E a gente se dá mil desculpas para ficar ali, tomada pela insegurança: Ainda tô me preparando, ainda não tá bom o suficiente, ando sem inspiração, sou perfeccionista…

Aquelas mentirinhas que a gente ama contar para nós mesmas. Aliás um passo importante para trabalhar a autoestima é ser sempre, 100% honesta com a gente. Nos damos tantas desculpas, inventamos tantas mentiras pra nós mesmas… tudo pra manter a gente ali: paralisada no mesmo lugar e sendo consumida por um estado mental em que não estamos felizes.

A vergonha leva a gente pro medo, para as autocríticas duras, para a falta de iniciativa, para a falta do prazer. O quanto louco é pensar que a insegurança nos torna até pessoas extremamente controladoras, sufocantes porque queremos nos certificar o tempo todo que absolutamente tudo, vai acontecer sem erros.

Se abrir para ser menos envergonhada é se abrir para ser mais segura. Quando a gente se sente mais segura, aproveitamos mais a vida, nos abrimos para mais oportunidades, nos tornamos menos ansiosas, mais produtivas, mais relaxadas. A gente finalmente se permite apenas SER. Quando a gente se permite apenas ser e não ser perfeita, ser incrível, ser a melhor, a mais bonita, a mais estilosa… apenas SER é quando começamos a viver a vida com verdade.

Vamos pensar na insegurança com um outro ponto de vista? Será que não se permitir SER não tem a ver com humildade? E eu não estou falando aqui dessa humildade que é vendida pra gente o tempo todo, essa de valorizar escassez, estou falando da humildade que faz a gente entender que estamos aqui em constante aprendizado, que a felicidade é uma jornada, que ninguém nasce sabendo tudo, que é se jogando no mundo que a gente aprende, evolui, melhora, vence.

E vencer aqui também não é essa ideia de se tornar invencível. Vencer é conseguir “puxar a cordinha” sabendo que precisa ser feito, para você seguir a sua jornada.

No fundo, no fundo, talvez a insegurança tenha muito a ver com a importância que a gente se dá. É achar que a gente não pode falhar, que temos em nós toda a responsabilidade de fazer tudo dar certo, de ser perfeita, irretocável. É não aceitar que pode não dar certo, que pode não ser tão bom, que alguém pode perceber que você não sabe tudo.

Como se você tivesse obrigação de saber tudo, como se você não precisasse passar por processos que todo mundo passa. É achar sempre que todos os olhos estão te observando, te julgando, esperando o momento em que você erre para apontar o quanto você não é tão boa assim. Pergunta dura mas que vale ser feita: O quanto sua insegurança pode estar, na verdade, ligada com um ego infladíssimo? Ou até mesmo com uma necessidade enorme de atenção?

Foi só quando eu percebi isso em mim e comecei a trabalhar esse sentimento que eu comecei a me jogar mais no mundo. Comecei a postar meus textos, fiz a primeira palestra do Chá de Autoestima extremamente nervosa, me candidatei e consegui trabalhos que minha síndrome de impostora dizia que eu não conseguiria, saí de relacionamentos que não faziam bem pra mim.

A insegurança faz com que a gente não lapide nossos talentos, faz com que a gente pare de evoluir, de crescer de expandir nossa mente, nossa energia. Nos torna mais distante das pessoas, das conexões reais e cada vez mais afundadas na zona de conforto e em construções irreais da nossa existência. Faz com que a gente se perca dos nossos sonhos, faz com que a gente perca o nosso brilho.

Exemplo cafoninha, mas necessário: Talvez a melhor forma de brilhar seja perceber e aceitar que você não é o sol. É somente mais uma estrelinha no céu. Mas que ser somente essa estrelinha é mágico, único. Afinal essa estrelinha é tão necessária para aquele céu lindo, estrelado e faz parte de uma conjunto tão forte e poderoso. Toda mudança começa com a nossa permissão, permita a sua estrelinha brilhar.