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Além da Androginia: A distinção de gêneros está cada vez menor na moda

A androginia na moda pode não ser nenhuma novidade, principalmente no guarda-roupa das mulheres. Já em 1920 por exemplo, a estilista Coco Chanel investiu em suas coleções, roupas que até então, eram desenhadas exclusivamente para homens. (Falo mais disso no post: A volta da estética e do comportamento feminino dos anos 20). Já em 1940, a atriz Marlene Dietrich explorava o guarda-roupa masculino, usando calças compridas, terno e gravatas.

Garotas sempre garimparam na seção masculina e logo, esse estilo ganhou nome e ficou conhecido como tomboy, caracterizado por peças masculinas clássicas e sociais. Anos depois, o estilo ganhou um irmão, o boyish, com foco em peças masculinas de pegada street, mais modernas e despojadas.

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Mas quando essa distinção de gêneros começou a dar sinais que chegaria ao guarda-roupa masculino? Eu diria que os anos 70 teve e tem, um papel muito importante nessa história. Foi quando a roupa se consolidou como uma plataforma de manifestação contra o sistema, uma revolução cultural. A década de 1970 lançou o primeiro movimento antimoda, fazendo com que as tendências da rua, fossem assimiladas para a passarela e não mais ao contrário. Foi nos anos 70 que tivemos David Bowie, com seu personagem andrógino,  Ziggy Stardust, foi nos anos 70 que homens começaram a usar cor novamente e colocaram no armário peças amarelas, lilás, vermelhas…  algo que não era comum desde os anos 20. Foi nessa época também o início das peças unissex, ou seja, peças feitas para serem usadas pelos dois sexos, como por exemplo, a famosa calça boca de sino.  Hoje em dia está cada vez mais comum encontrarmos homens na seção feminina, atrás da calça skinny perfeita ou de peças mais ajustadas. Uma das pessoas nos dias de hoje que representa mais essa quebra de gêneros seria a cantora Conchita Wurst.

Mas passar de androginia, peças unissex para a anulação total do “para meninas” e “para meninos” é um longo caminho. Mas acredite, está sendo traçado. Setembro do ano passado, dei uma entrevista sobre isso para o site Delas, do IG, falando que cada vez mais eu observava que as pessoas não se importavam mais se era feito para o sexo masculino ou feminino, se elas gostavam, elas usavam.

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Esse movimento está ficando tão forte, que não foi surpresa quando em janeiro desse ano, na semana de moda de Milão, Miuccia Prada apresentou sua coleção de inverno masculina e pré-fall feminina juntas e colocou na passarela da Prada, elementos femininos e masculinos mesclados de forma nada óbvia e com um objetivo claro: Acabar com divisão de peças de homem e peças de mulher. Além disso, na cadeira dos convidados, um manifesto, pela discussão dos gêneros na moda. Well done Miuccia. Mas a Prada não foi a única grife a seguir esse caminho. De uma forma muito mais clichê, mas ainda sim levantando o mesmo tema, tivemos na mesma semana de moda masculina em Milão, Gucci e na Empório Armani, homens maquiados.

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Para quem acha que a mudança só está nas passarelas, a loja de departamento inglesa Selfridges anunciou semana passada que vai abolir o conceito de seção masculina e feminina, tornando todas as suas roupas, unissex. A novidade não para aí: Eles também vão abolir os manequins de homens e mulheres, e vão apresentar as peças na vitrine de uma forma diferente. A Selfridges sempre foi precursora. Em 1909, foi uma das primeiras lojas a reunir as mulheres de elite com as mulheres pobres. Além disso, também se posicionou a favor do voto feminino em 1910.

O que a gente espera é que seja um caminho sem volta, e que um dia, não seja possível determinar o que é “roupa de homem” e “roupa de mulher” e que a moda seja livre, como a vida deveria, para ser e vestir o que quiser, sem julgamentos.

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O movimento neo hippie e a volta das peças em crochê que são a aposta certeira para o verão 2015

Parece que tudo que a gente considerava coisa de “vovózinha” está ganhando uma nova cara. Vocês lembram que fiz um post falando sobre o novo bordado? E de como essa arte que parecia ultrapassada está sendo reinventada por uma nova geração de mulheres?

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Agora, outra tradição das antigas está sendo repaginada e ganhando status fashion. As peças “handmade” são o que há de mais atual e desejo no momento. A moda sempre busca referências em outras épocas e dá uma repaginada em inspirações antigas. Nessa temporada, o clima de anos 70 ganhou as passarelas  e agora vão invadir seu guarda roupa: os biquínis, maiôs e tops cropped de crochê estão de volta neste verão!

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Na década de 70, o crochê fazia parte da cultura hippie, seguindo uma moda mais livre, natural e despreocupada. Em 2015, o crochê está representando a mesma coisa. A moda está resgatando esse desejo de liberdade, de natural, do feito a mão e acredito que por conta disso, as peças desse material estão ganhando destaque.

Esse revival já conquistou principalmente adeptas do estilo boho, cada vez mais confortável e despretensioso mas não menos estiloso. Eu sempre acredito que tendências de moda estão ligadas a movimentos sociais, mesmo que de forma sutil. A volta do crochê, pra mim, não representa só a volta de peças usadas nos anos 70. Acredito também que o espírito hippie dos anos 70 está cada vez mais forte nessa nova geração. O nome dado para esse movimento é “neo hippie” um movimento que vem crescendo desde 2008 dominando a cabeça dos jovens de nossa Geração Y. Esses jovens trazem consigo os valores e ideias do movimento hippie que aconteceu nas décadas de 60 e 70.

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O movimento neo-hippie tem muita criatividade musical, amor e comportamento livre, sendo que cada vez mais tem se manifestado através da moda. Ele recomeçou nos EUA por conta das guerras anunciadas pelo presidente Bush contra o Oriente Médio e o abuso dos poderes capitalistas e governamentais no país. Esse movimento que vem crescendo e se espalhando pelo mundo, ganhou uma definição do escritor argentino Alejandro Rozitchner: “Ser neo-hippie significa ser informal, aventureiro, esteticamente livre”.

Os jovens neo-hippies estão se mudando cada vez mais para o campo, junto com os amigos, saindo das cidades grandes e indo morar em casas ou condomínios sustentáveis, que já estão sendo construídos no Brasil em inúmeras cidades, com sistemas hidráulicos inteligentes que re-utilizam a água para regar a horta ou o pomar, com telhados de barro para plantar jardins suspensos, sensores de luz para economizar energia e placas de captação de energia. Uma pessoa que se considera neo-hippie procura utilizar meios de locomoção alternativos para poluir menos o ambiente como bicicletas e também procuram ter uma alimentação mais natural e orgânica. Quanto mais natural a origem do alimento for, melhor para a saúde e equilíbrio espiritual. Os neo-hippies também acreditam em uma moda mais justa e são adeptos do slow fashion.  Por conta desse novo movimento social que está ganhando cada vez mais força, podemos esperar grandes mudanças na moda: Principalmente um retorno aos materiais naturais e trabalhos manuais.

O que eles buscam é qualidade de vida, é encontrar a si mesmos através do que fazem, realizar um mundo melhor.

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Alfaiataria esportiva em alta!

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Calma, calma. Eu explico. E desde o começo! Vamos lá: O termo “alfaiataria” vem de “alfaiate” e antigamente era o nome dado ao local de trabalho desse profissional. Portanto, uma peça de alfaiataria era uma peça produzida por um alfaiate, com modelagem e corte específicos para o corpo do cliente, uma peça única e exclusiva.

Com o passar dos anos e o crescimento do comércio, essa exclusividade foi deixada de lado e hoje se encontram “peças de alfaiataria” em lojas de departamentos com numeração padronizada, o que alterou um pouco o significado da palavra. Atualmente o termo é empregado para determinar a confecção de peças estruturadas em tecidos planos, como os ternos por exemplo.

A alfaiataria, da forma comportada e careta como ela surge naturalmente na nossa mente não é mais a (única) realidade dessas peças faz tempo. Lá nos anos 80 seus pais provavelmente misturaram blazers com calças jeans surradas (e a gente achando que o hi low era novidade!). Mas a coisa ficou “ousada” mesmo foi nos anos 90. Uma época contrastante, onde o minimalismo de Calvin Klein e a ousadia de Gianni Versace tinham o mesmo destaque.

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O começo dos anos 90 também nos apresentou a uma nova leitura de alfaiataria. A estética considerada de “adulto” e até feita para o trabalho, foi parar no guarda-roupa adolescente e peças como blazers, calças, camisas e até tailleurs ganharam uma nova leitura. As meninas que investiam mais nesse tipo de look, eram conhecidas como “patricinhas”. Tá aí, “As Patricinhas de Beverly Hills”, que não me deixa mentir e assim seguiu até o começo dos anos 00’s.

Final de anos 90, começo de 00’s, uma outra tendência, de uma outra galera, ganhava força : O visual sporty, seguido a risca por  Mel C., também conhecida como Sporty Spice das Spice Girls e o visual clássico da minha girlband favorita, as All Saints. Nessa onda influenciada pelo esporte e também pela música, o legal era misturar calça jeans larga ou calças de esporte com micro tops (hoje conhecidos como cropped tops) e tênis Adidas.

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Mas a geração que começou a virar gente em meados dos anos 00’s e cresceu vendo esses adolescentes passarem, resolveu misturar todas essas referências e transformá-las em uma coisa só, e assim nasceu a tendência que eu batizei de alfaiataria esportiva! Então tá valendo calça social com cropped top, tênis Adidas com blazer, looks que ao mesmo tempo carregam o ar elegante da alfaiataria e são jovens. A maior entusiasta dessa mistura é a cantora Lorde, que também gosta de mesclar com referências do misticismo.

Mas não é só a Lorde que investe no conceito não. É só passear pelo tumblr (<- segue a gente) para ver garotas com as mesmas referências. Aliás quem deve andar olhando o tumblr é Karl Lagerfeld, que fez a coleção da Chanel de outono/inverno 14/15 toda nessa vibe alfaiataria esportiva.

O mais legal é que misturar, funcionou! Precisamos dar o braço a torcer quando o assunto é estilo e geração 00’s. Vocês sabem como fazer direitinho.

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Camisa xadrez é o truque de styling da vez! Vem saber a história da peça

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Não sabemos de onde veio… nem para onde vai… mas fato que de uma hora pra outra é impossível entrar em sites de street style e não achar pelo menos um look com esse detalhe: camisa xadrez amarrada na cintura!

E vale em qualquer tipo de visual, não só na boa e velha composição tênis + calça jeans. O truque também está rolando com saias, looks com mais cara de noite e até jardineiras (que voltaram com tudo e nós anunciamos que isso iria acontecer lá em 2012). Tá, sabemos que a primavera está bombando e que xadrez é uma vibe inverno, mas acredito mesmo que vamos ver esse truque rolando nos looks de verão.

Observar essa tendência me fez pensar na origem do xadrez e achei que vocês fossem gostar de saber um pouco mais sobre.

roupa-xadrez

O tecido xadrez foi criado por proprietários de terras na escócia, durante o século XIX, como alternativa para o tartã, considerado inadequado ao uso diário ou ao trabalho. Durante o século XX, foi usado, a princípio, somente em ternos e casacos masculinos, mas logo tornou-se popular para as mulheres em xales, saias e vestidos, com o xadrez vermelho e branco chamado “Medevi Square”considerado a marca registrada do xadrez sueco.

Mas foi nos anos 60 com a  padronagem branca e preta, conhecida como “Vichy”, que Mademoiselle Chanel  introduziu o xadrez ao mundo fashion. Isso tudo com uma ajudinha de Brigitte Bardot que começou a usar a padronagem um pouco antes, nos anos 50.

Nos anos 70, os punks na Inglaterra adotaram o xadrez e tinham a intenção de ironizar e romper com os ícones culturais, exigindo mudanças sociais e comportamentais. A estilista inglesa Vivienne Westwood foi uma das responsáveis por levar o punk pro fashion. Ela foi uma das primeiras a colocar nas passarelas o xadrez em versão street, algo bem longe do clima elegante proposto por Chanel.

Nos anos 80 o xadrez foi fortemente ligado ao movimento operário, principalmente nos Estados Unidos. Daí pra música foi um pulo, já que quase todo roqueiro antes de ser rock star, pertencia a classe trabalhadora. E assim nos anos 90 em Seattle, o grunge começa a tomar força e a camisa xadrez vira oficialmente, um elemento do rock.

Nos dias de hoje podemos considerar a camisa xadrez um clássico e ela funciona bem (devemos confessar) no estilo mais paty tanto quanto no alternativo. Mas é claro, pra gente, camisa xadrez vai ser sempre rock’n’roll.