Publicado em 1 comentário

A história do animal print na moda

animal-print-1

Devo começar esse post confessando que sou uma fã assumida do animal print. Tem muita gente que define a estampa como “perua” mas eu acho uma das coisas mais rock star vibe já confeccionadas. E está aqui nesse post, a prova concreta disso.

Me peguei pensando em quanto eu gostava de animal print quando recebi de presente da Netshoes um tênis customizado pelo Diego Alcenso Lemos especialmente pra mim! E adivinhem? Um mix de zebra e leopardo. Daí bateu a vontade de fazer esse post, não sobre formas de usar animal print (como você quiser) nem sobre os tipos de corpo que podem usar animal print (o seu), mas um post de pesquisa. Quando será que passamos a achar legal usar estampas que imitam outros animais?

animal-print-história-2

O uso da pele de animais selvagens é tão antigo quanto nossa própria história. Usávamos pele para nos proteger desde os primórdios da humanidade, por conta disso, alguns psicólogos defendem a ideia de que a fascinação pelas imagens de animais está em nosso DNA.

Na civilização antiga, usar pele de animal era símbolo de status e poder, usada por reis, nobres e figuras religiosas. As estampas de animais, assim como suas peles, começaram a ter seu status fashion no século 18, por remeterem ao universo exótico da África, e seus animais selvagens, e viraram sinônimo de ousadia e luxo.

Até então, as estampas de animais estavam presentes no vestuário através do uso de peles, aos poucos as pessoas foram valorizando mais as formas e padronagem dos pelos dos animais do que sua pele em si. Foi o começo do “animal print”.

animal-print-história

Historicamente, pode-se dizer que o filme Tarzan, dos anos 30, foi um marco inicial e ajudou a promover no mundo da moda as estampas de inspiração africana. Um dos exemplos disso é o vestido criado em 1936 pela casa francesa Busvine, feito com estampa de leopardo. Na mesma época, a estilista francesa Jeanne Paquin usou peles de leopardo em suas coleções. Já na década de 40 Christian Dior foi o primeiro a usar a estampa de onça, e não a pele, em um vestido apropriadamente chamado África, para sua coleção primavera-verão. Por causa dele também o animal print ganhou forma em acessórios, bolsas e sapatos. Mas foi da estilista Elsa Schiaparelli um dos hits da época, o chapéu de leopardo.

animal-print-rock-stars

O cinema dos anos 50 e 60 ajudaram a transformar as estampas de animais em símbolos de elegância e sofisticação e assim, continuou pelos anos 70. Nos anos 80 época do exagero e que muita gente considera de gosto duvidoso, o animal print foi usado e abusado e pela primeira vez em algum tempo com uma novidade: usando somente a padronagem do animal mas com cores como pink e verde limão. Esse exagero de animal print dos anos 80 (exemplo: glam rock) fez com que na década de 90 a estampa de bicho fosse associada a roupas vulgares e de baixa qualidade, coisa que talvez só a Versace podia ousar a fazer.

Mas nos anos 00’s tudo mudou. Tudo é válido, tudo pode. Até então, somente os animais exóticos tinham vez. Mas agora  outros animais se misturam as estampas de onça, zebra e cobra, como por exemplo as vacas.

Fato é:  O animal print deve estar no nosso DNA mesmo. Já foi tendência, atemporal, clássico, cafona e chique. Mas estão por toda parte, seja na lojinha da esquina ou no desfile de Roberto Cavalli.

Publicado em Deixe um comentário

Conheça a história das roupas dos motoqueiros e onde comprar Bota Biker, o modelo da vez

Todo inverno elege a “bota da vez” e na temporada mais fria do ano passado, em 2012, quem teve destaque foram as Chelsea boots , modelo de origem da era vitoriana e auge nos anos 60, quando eram usadas pelos jovens modsO inverno 2013 acabou de chegar, teve seu início no dia 21 de junho e a bota queridinha da vez é o modelo Biker, originária da indumentária dos motoqueiros.

O pós-guerra, período de 1945-1953, trouxe mudanças no comportamento das pessoas, gerando novos estilos de vida, especialmente na forma de se vestir. Foi o início de uma revolução da moda, as tendências começaram a fazer o caminho contrário: Ao invés de saírem dos ateliês para as ruas, elas saíam das ruas para os ateliês, dando início ao street-style, onde pela primeira vez, a moda era introduzida pelos jovens e não mais pela alta costura.

Neste mesmo período, a motocicleta que começou a ficar em evidência a partir de 1942, devido a Segunda Guerra Mundial, passa a ser difundida através de filmes de Hollywood, criando um forte impacto de desejo na população. Tudo começou quando os soldados americanos retornaram ao país depois da guerra. Eles não queriam mais usar um terno, uma gravata e um corte de cabelo comportado. Não se sentiam mais representados por aquele modelo americano de vida. Era muito difícil para eles, a maioria da classe trabalhadora, aceitar a conformidade das coisas.

Essa mistura era o que precisava para dar origem ao estilo rebelde dos anos 50.“Wild One” de 1954, filme estrelado por Marlon Brando e as corridas de motocicleta em Hollister, na California, foram os elementos determinantes para o surgimento do street-style bikers: Perfecto preta, calça jeans – que até então era usada somente por operários –  e botas com solado pesado de borracha.

O estilo de vida e da moda bikers logo se estabeleceu na subcultura. Reunidos em gangues com nomes como “The Booze Fighters” – os precursores dos Hells’s Angels – Esses jovens foram seguidos por milhares de outros nos Estados Unidos e Europa. 

A origem de todas as peças especialmente feitas para os motoqueiros tinham a intenção inicial de proteção o corpo, no caso eventual de um acidente. A bota biker, não era diferente. A princípio o modelo em couro preto, com o cano nem curto, nem alto, apenas um pouco acima do tornozelo, tamanho ideal para proteger os pés e a perna sem perder a mobilidade, servia apenas para isso. Com o tempo os modelos foram ficando cada vez mais  estilizados e ganharam fivelas, recortes, rebites, tachas, spikes e também deixaram de ser exclusivo do universo dos motoqueiros, até então, masculino.

bota biker entrou no universo dos rockers nos anos 60, dos punks em 70 e 80, dos grunges dos anos 90. A década de 90, também foi quando a peça entrou de vez no universo feminino e ganhou status fashion.   

1- IMPORIUM – R$289,90

2- Agatha – R$469

3- Renner R$149,00

4- Schutz – R$490 

5- Sonho dos Pés – R$129,00

 

Publicado em Deixe um comentário

A estética e a influência dos anos 20

Todo mundo sabe que de tempos em tempos, uma década volta para nos inspirar. Na moda, no cinema, na música e tudo isso que envolve a nossa tão controversa e amada cultura pop. Eu também acredito que essa influência é comportamental. Quando nosso olhar se volta para uma década, estamos também buscando os valores da mesma.

Depois de toda a influência dos anos 90, agora vivemos toda adoração pela estética e pelo comportamento sessentista; que é a cara de uma garota original, cheia de personalidade e sem medo de se destacar, sem medo de se divertir.

 

estética anos 20

 

Mas engana-se quem acha que as primeiras “rebel girls” nasceram lá nos anos 60. Mesmo que as décadas de 30, 40 e 50 tenham sido um pouco sem graça quando o assunto é comportamento feminino, os anos 20 foram importantíssimos para a construção e evolução do que (a gente) acredita ser uma garota estilosa (pausa para refletir se você acha que estilo é sinônimo de roupa).

A mulher dos anos 20, foi fundamental para que as garotas dos anos 60 pudessem se divertir e principalmente, fundamental para que elas pudessem queimar o sutiã. Aliás, foi lá naquela década que surgiu a primeira it girl do mundo, Clara Bow, atriz de Hollywood. Naquele tempo também tínhamos Louise Brooks (uma das mulheres mais lindas do mundo na minha opinião) e com certeza, uma mulher a frente do seu tempo e Alice Paul ativista que lutou pela direito do voto das mulheres.

Aos poucos, bem aos poucos, eu percebo que essa mulher anos 20, está dando as caras na estética e no comportamento atual. Até os anos 20, a mulher era educada para ser “fada do lar” (sim, isso mesmo que você leu) e era considerada incapaz, veja bem, INCAPAZ de fazer suas escolhas, e por isso, precisava, (eu disse PRECISAVA) de um “responsável”, fosse ele pai, irmão ou marido para fazer isso por ela.

Até os anos 20 mulher  não podia trabalhar, não podia votar. Tinha que usar espartilho. TINHA QUE. Mulher “direita” não usava batom vermelho, roupa que mostrava a pele. Não bebia, não fumava, não usava cabelo curto. Isso era coisa de homem.

Os anos 20 mudaram tudo isso. As mulheres se posicionaram e lutaram pelo que acreditavam. E se hoje em dia já é difícil ser uma garota, você imagina naquele tempo? Mas elas conseguiram o que realmente, parecia impossível. Elas se livraram do espartilho, colocaram as costas e braços de fora, maquiagem de “puta” na cara, cortaram os cabelos e foram dançar jazz.

 

estética anos 20

 

O filme “O Grande Gatsby” é baseado no livro de mesmo nome do autor F. Scott Fitzgerald que originalmente foi lançado em 1925. O livro é uma crítica ao “sonho americano” e toda a estrutura conhecida até então. A prova que a “geração anos 20” estava longe de ser uma geração conformada.

Na moda, desde o ano passado é visível o desejo pela volta da estética da década como vimos nos desfiles da Gucci, Ralph Lauren, Marc Jacobs e Etro. A garota dos anos 00’s assim como a garota dos anos 20 luta pelo direito de usar o que quiser, como quiser. Sem ser tachada de puta ou santa.

 

estética anos 20

 

Além da transformação estética a mulher dos anos 20 foi trabalhar, ganhou direito ao voto, bebia, fumava, dirigia, expressava seus desejos sexuais. A mulher dos anos 20 era um soco no estômago do machismo. Ela incomodava e quebrava todo o conceito de mulher princesa, da mulher delicada, frágil.

Ela era rock’n’roll e mostravam isso com seus decotes, com seu cabelos curtíssimos, com os vestidos de melindrosa. A silhueta era mais vertical e longilínea, com a cintura deslocada para baixo. Os tecidos eram leves, fluidos como a seda.

Foi o primeiro grito da androginia, com mulheres usando peças do guarda-roupa masculino. Hoje em dia com certeza usaria blusa de banda, calça jeans, all star preto e levaria seu cartaz para a marcha das vadias.

A luta de uma garota dos anos 20 não morreu, mas vamos dizer que ela passou um tempo adormecida. Foi difícil para as mulheres dos anos 30, 40 e 50 darem um passo tão grande e revolucionário como as da década anterior.

Tinha que ter muito peito, muita coragem, e elas que assistiram de perto, sabiam que não foi nada fácil. As garotas dos anos 60, 70, 80 e 90 aproveitaram essa liberdade, esse direito de ser livre que foi conquistado pela mulher dos anos 20 e viveram ali, sem grandes preocupações.

Mas a garota dos anos 00’s percebeu que o machismo foi “domado” mas não abolido. Ele está ali, nas entrelinhas, nas piadinhas do dia a dia, nos salários mais baixos mesmo exercendo a mesma função do homem. Que mesmo livre dos espartilhos, a mulher continua “escrava” da beleza e dos padrões pré – estabelecidos.

A mulher 00’s enxerga que doenças como a bulimia e  anorexia, que o estupro e que até as revistas femininas são ainda frutos do machismo incubado na nossa sociedade. A mulher 00’s também tem consciência de que ser feminista não é o oposto de ser feminina.

Aliás, a mulher 00’s sabe que feminismo não é o machismo invertido como nossa sociedade tenta pregar. A mulher 00’s enxerga que o machismo faz mal não só para as mulheres, mas para os homens também.

Com essa consciência a mulher dos anos 00’s busca inspiração na mulher dos anos 20. E é essa influência que vamos começar a ver nas vitrines, no cinema e no novo comportamento feminino que vem chegando de mansinho, assim como foi naquela época, mas vem chegando, para mais uma vez, revolucionar  o mundo.