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Quando mulheres são machistas.

Por Pollyana Assumpção:

Quem já ouviu por aí que mulher machista é pior que homem machista? Eu admito que me dá nos nervos ver mulheres ofendendo outras por nada ou reproduzindo valores que já deviam estar mortos e enterrados. Outro dia uma amiga minha postou no facebook que teve uma briga com uma mulher desconhecida na rua e ela não sabia o que fazer enquanto era chamada de piranha. Ela perguntou “sendo feminista, do que eu posso xingar uma mulher que está me ofendendo na rua?”. Acabou que a resposta veio em forma de post em outro site feminista maravilhoso que anda crescendo na internet: o Lugar de Mulher. O texto chamando de  “guia de xingamentos alternativos”  basicamente brinca de forma irônica que não importa o xingamento, devemos agir com inteligência e bom humor. Vale a pena xingar outra mulher apenas para não sair por baixo?

unnamedTirinha: dehecateebaco.blogspot.com.br

Semana retrasada falei um pouco sobre como a força do movimento feminista é apoiar outras mulheres e como nos falta empatia e atitude contra injustiças e agressões sofridas por outras pessoas. Falei também sobre como existem pessoas ruins em todos os gêneros e que vão sim existir mulheres que vão nos ofender, magoar, agredir, passar a perna e todas essas coisas chatas do dia a dia. Mas acho que podemos fazer um exercício diário de tentar identificar comportamentos nas mulheres que são apenas reprodução de um sistema patriarcal opressor que divide e conquista. Eu há pouco tempo mesmo gritei no twitter como ficava maluca com mulheres machistas e ainda é uma dificuldade diária pra mim fazer esse exercício. Mas o feminismo é isso, se reconstruir diariamente e identificar em nós e na outra e outro, comportamentos destrutivos que possam ser modificados.

O que nos leva a questão: somos culpadas mesmo por esses comportamentos? A gente liga a TV e a mídia nos diz o tempo todo para sermos perfeitas. Se a gente faz sexo, somos piranhas. Se não fazemos, somos reprimidas e frígidas. Moramos no país do carnaval onde é normal mulheres desfilarem com seios nus e usarem fio dental na praia ao mesmo tempo que as pessoas acreditam que nossas roupas são responsáveis por sermos estupradas ou não. Os machinhos adoram jogar em cima das mulheres a culpa pela sua própria agressão. Em todos os casos. Se ele falou alguma pornografia, a culpa é da mulher que queria. Se ele é um estorvo que trata as mulheres feito lixo, a culpa é da mamãe que “me criou assim”. Aquela velha história de criarmos os filhos meninos para serem garanhões e as filhas meninas para serem as santinhas.

Quem aqui que tem irmão e já se revoltou de ver que ele podia fazer mil coisas que vocês não podiam? O problema de você criar um garoto pra poder fazer tudo e a menina pra dizer sempre não, é aquele velho jogo da menina ter que fingir que não quer dar pra se fazer de difícil e o cara ter que insistir pra conseguir o que quer. Além de ser um saco esse maldito joguinho de conquista que não existiria se as pessoas em geral pudessem ser livres e fazer o que tem vontade sem julgamento de valor, é que as vezes as meninas dizem NÃO porque realmente não querem nada com o cara. Aí chegamos na velha e conhecida agressão que tantas mulheres sofrem diariamente porque ousaram dizer não pro machinho. Empurrão, ser chamada de piranha está das coisas mais leves que acontecem com mulheres diariamente porque dizem NÃO.

aspas2Quantas mulheres estão com amigos na balada e tem que usar o argumento de “ele é meu namorado” pra conseguir ser deixada em paz?  Parece que só quando “pertencemos” a um homem, o outro homem pode nos deixar em paz. Afinal, mulheres sozinhas são carne a ser pega na prateleira e se você tem um homem ao seu lado, então você merece respeito. As mulheres lésbicas sofrem ainda mais, porque além de não estarem a disposição dos homens ainda tem a cara de pau de preferir outra mulher e não o falo de ouro do rapaz cheio de autoestima.

Vivemos em ciclo e as coisas acontecem de uma forma tal porque situações levaram àquele resultado. Mulheres reproduzem sim discurso machista diariamente, mas todas nós fomos criadas nesse mundo e somos afogadas até o pescoço de referências sexistas que nos ensinam como nos comportar de acordo com a opinião dos homens sobre nós. O empoderamento é parte importantíssima do processo de ser feminista porque em grande parte ele te livra da obrigação de agir como os outros esperam que você aja e te prepara pra agir da forma que você acha certo. Na próxima vez que você encontrar uma mulher sendo machista e reproduzindo o preconceito, pense em todo o processo que ela sofreu de lavagem mental pra chegar até ali. Lembre-se sempre, do “apoie as irmã”. Um dia espero que todas as mulheres acordem desse sono profundo de opressão, mas enquanto isso não acontece eu planto uma semente por dia. Converso com as amigas, com as conhecidas, com as pessoas no trabalho, com a família, com desconhecidos na internet e escrevo textos como esse.

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Sobre meninos e meninas.

Por Pollyanna Assumpção:

princesspeachtumblr_by_littletde-d69f20eQual era o seu brinquedo favorito na infância? O meu era um carrinho vermelho de fricção que batia na parede e voltava pra mim que meu pai trouxe do Paraguai nos tempos de muambeiro. Mas meu sonho mesmo era ter um carrinho de controle remoto. Eu morria de inveja do irmão da minha amiga que tinha um e nem brincava com ele. Eu também amava jogar vôlei, brincar de queimado, pular elástico e qualquer brincadeira que me deixasse roxa na perna. Tenho uma cicatriz em cima da outra no joelho de tombos repetidos porque estava correndo pra cima e pra baixo. Correndo como um moleque, mamãe cansou de me dizer. Mas meninas não correm? Não posso dizer que tive uma mãe opressora. Tive bastante sorte com a minha (oi mãe, ela lê minha coluna) e nunca fui impedida de fazer nada nessa vida por conta de ser mulher.

Em mundo de Kinder Ovo para meninos e meninas, eu gostaria que todo mundo se perguntasse porque existem coisas para cada gênero. Aliás, eu abri um Kinder Ovo de cada gênero e no ovo dos meninos veio um papagaio azul que também é uma pulseira e fica preso no seu braço e no das meninas veio um joguinho de empilhar coisas. Não entendi muito bem porque meninos não podem empilhar coisas e meninas não podem curtir papagaios, mas quem sou eu perto da indústria alimentícia.

Como já contei antes, um dos meus trabalhos é ser DJ e produtora de festas. Existem casas que já toco há anos e por causa disso todo mundo me conhece, mas existem casas que quando vou tocar pela primeira vez sempre passo pela mesma situação: o técnico de som homem querer me ensinar a mexer no meu próprio equipamento. Já houve uma vez que o técnico se ofereceu pra montar meu equipamento pra mim caso eu “não soubesse mexer na mesa”. Não vi ele se oferecer pra montar o equipamento de nenhum homem nesse dia e eu vi vários DJs homens chegarem e montarem suas próprias coisas. Os machinhos vão dizer que ele quis ser gentil. Eu vou dizer que ele duvidou da minha capacidade. Nós, mulheres, sabemos diferenciar a gentileza da condescendência. A gente sabe quando o cara quer ser bacana e quando ele acha que você não é capaz.

Quem aqui faz cursos ditos “de homem”? Tenho amigas em áreas de exatas que comem o pão que o diabo amassou. Todo mundo tem uma história de ter tido sua capacidade avaliada de forma diferente por ser mulher. Outro dia uma amiga minha no Twitter contou que uma amiga dela, advogada criminalista, não conseguiu um emprego porque a empresa achou que mulheres não tem o perfil pra direito criminal. Atualmente eu faço faculdade de produção fonográfica e a quantidade de mulheres é mínima. Numa turma de 40 aparecem 3 mulheres. Mulheres não podem trabalhar com música? Música é coisa de menino? Quantas bandas de mulheres você ouve? Eu por exemplo ouço pouquíssimas. Quantos homens fazem faculdade de pedagogia? Ser professorinha é trabalho de menina, né?

aspas2-menino-meninaOutro dia eu ouvi de uma mulher numa posição hierarquicamente superior a minha que eu era muito agressiva na minha forma de falar e que deveria ser mais suave. No caso dela foi uma crítica positiva a minha forma de trabalhar e não um julgamento moral. No meu outro trabalho eu preciso saber dosar gentileza e liderança, o que está sendo um novo mundo. Mas isso me lembrou quantas vezes mulheres tem suas opiniões invalidadas por “estarem de TPM” e porque uma mulher irritada é considerada histérica. Na maioria das vezes, uma mulher incisiva na sua forma de falar não é considerada uma líder nata, uma solucionadora de problemas. É uma bitch nervosinha e ainda gera comentários sobre sua sexualidade. Afinal, mulher muito macho só pode ser lésbica. Aliás, o que é ser macho? Por que um tipo de atitude é considerada coisa de homem?

Ser feminista é se reconstruir diariamente. Somos todos parte do jogo machista, seja no papel de opressor ou de oprimido. Nossa função para fazer um mundo melhor é diariamente se auto avaliar e ver o que podemos mudar com o objetivo de construir um mundo igualitário onde não existam ovos pra meninos e ovos para meninas. Que rosa seja apenas uma cor bonita para quem gosta de rosa, que mulheres e homens possam exercer a função que quiserem nessa vida, que existam mais mulheres taxistas, motoristas de ônibus, engenheiras, cientistas e membros de uma banda de rock.

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Sobre a pesquisa do IPEA e mansplaining

Por Pollyanna Assumpção:

Eu poderia facilmente dizer que pertenço a essa geração Y que faz de tudo, mas não faz nada profundamente e que por causa disso tem sempre mil projetos ao mesmo tempo. Pois um dos meus trabalhos é como DJ e produtora de festas aqui no Rio de Janeiro. Há duas semanas atrás uma pessoa conhecida no meio, resolveu dar sua opinião sobre uma das meninas que trabalha usando pouca roupa na minha festa Sex Tape como shot girl. É isso mesmo. Ela fica no palco da minha festa, usando o mínimo de roupa possível, jogando tequila no próprio corpo e deixando quem quiser lambê-la, fazê-lo.

Por causa dessa opinião controversa a internet virou um lugar interessante naquela noite de segunda e um bom lugar para análise de discurso. Li muitos homens e mulheres defendendo o direito da shot girl  fazer o que quiser com seu próprio corpo. Li muita gente falando que ela fazia um desserviço ao feminismo. Vi muita gente chamando ela de piranha mesmo. Vi muita gente falando de como se expor dessa forma é desnecessário. A confusão foi tamanha que caiu na imprensa tradicional. A história saiu em vários jornais, sites e ontem ela saiu em um mega ensaio de um famoso portal e tem recebido dezenas de convites pra trabalhar em outras festas.

feminismo-respeito-abuso

Há uns três dias, a shot girl, que também é minha amiga, me mandou um print de um inbox enviado por um rapaz onde ele dizia que queria chupar ela inteira. Ela perguntou por que ele estava enviando aquela mensagem pra ela e ele respondeu que da forma que ela agiu e se vestia, ela estava pedindo. ELA ESTAVA PEDINDO. Quem nunca ouviu ou leu alguém falar que alguém estava pedindo? Foi engraçado isso tudo acontecer tão próximo aos resultados da pesquisa sobre violência sexual divulgada pelo IPEA.

Se você não esteve numa caverna sem 3G nos últimos dias está sabendo de toda a discussão sobre essa pesquisa. Inicialmente eles divulgaram afirmando que 65% das pessoas entrevistadas achavam que mulheres mereciam ser estupradas de acordo com a roupa que vestiam. Dias mais tarde o IPEA admitiu o erro e modificou o resultado afirmando que apenas 26% das pessoas concordavam com isso. Porém gostaria de lembrar a todos que os outros itens da pesquisa não foram modificados: a maioria de 58% ainda acredita que se as mulheres se comportassem melhor haveria menos estupros, 63% deles acredita que “roupa suja se lava em casa” e não devemos nos meter em brigas domésticas de outras famílias e 27% acha que as mulheres devem satisfazer todas as vontades sexuais de seus maridos. A pesquisa resultou no protesto online “Eu não mereço ser estuprada” onde várias mulheres deram seus depoimentos sobre experiências de violência.

Com o erro admitido pelo IPEA, rapidamente todos os machinhos foram pra internet gritar que essas vadias nuas mereciam era mesmo serem agredidas pra pararem de falar por aí. OPA MAS PERA O IPEA NÃO TAVA ERRADO?

Ontem eu estava fazendo meu rolé feminista pela internet olhando as novidades do dia e vi Felipe Neto, famoso por atacar feministas online, fazer vídeos falando mal do assunto, que já mandou seus milhares de seguidores atacar algumas ativistas, escrevendo um texto sobre como devemos respeitar as mulheres. A parte que mais me chamou a atenção foi a que ele disse que agora respeita mais as mulheres e sorri pra elas se sentirem aceitas. SORRINDO PRA ELAS. Olha Felipe, agradeço seu sorriso mas acho que não tem muita utilidade não. Agradeço sua gentileza patriarcal e sua benevolência de macho que enfim aceita as mulheres como elas são, mesmo que elas não sejam do seu agrado como você colocou no texto, mas acho que a luta é maior que um sorriso.

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Acho que a luta começa onde uma menina trabalhando em uma festa não receba um inbox escrito “te chupo toda” e termina em não achar que uma mulher tem que se comportar melhor pra não sofrer algum tipo de violência. Porque ela tá pedindo. Deixa eu falar Felipe, o que eu tô pedindo: igualdade. Não seu feminismo benevolente que surgiu assim DO NADA num momento onde aparentemente ser feminista virou modinha e aumenta seu público alvo.

Um recado pra todos os homens: Nós não precisamos de mansplaining. Pra quem não sabe, essa palavrinha é usada quando um homem tenta dizer qual é o melhor feminismo pra você. Normalmente ele acha que você está equivocada, que aquele feminismo não é correto ou tenta de forma incisiva mostrar o quão correto ele está e você não. Mansplaining é ter um site sobre cultura masculina mas um autor que está toda semana ensinando sobre como o feminismo deve ser. É sobre sequestro de discurso. Quando um homem te diz como deve ser o feminismo, ele não está sendo patriarcal? Quando um homem diz o que uma mulher diz desde sempre, por que ele é ouvido e não é chamado de histérico ou que está de TPM?

Eu poderia passar horas falando sobre a relação entre a garota dos shots ser chamada de piranha, entre a pesquisa do IPEA, entre o feminismo de modinha e o mansplaining, mas encerro apenas com uma frase que twittei semana passada: Não preciso de pesquisa do IPEA pra saber a violência que mulheres sofrem no dia a dia nas ruas.

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Garotas, lutem pela sua liberdade!

Por Pollyanna Assumpção:

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Essa semana se falou muito em abuso no transporte público e no BBB e fiquei pensando um pouco sobre o assunto e isso me remeteu a quando eu me descobri feminista. Minha família é a típica família de classe média baixíssima que teve que ensinar os seus filhos a se virarem muito cedo, e isso inclui aos 11 anos já pegar ônibus pra ir pra escola sozinha. E mamãe sempre mandava eu ter cuidado com os tarados e usar roupas comportadas e tentar ser o mais invisível possível. Cresci tentando ser invisível, usando roupas largas, não exercendo de forma alguma minha sensualidade e essas cicatrizes até hoje estão em mim e sou uma pessoa mega discreta e reservada na forma que me visto. Acabou que virou um hábito e não sei me vestir de outra forma, embora hoje já use calças justas, coisa que nunca fiz até 3 anos atrás, quando me dei conta que não importa sua calça, sua saia, sua blusa, sua maquiagem, somos todas iguais. Foi nesse momento que me descobri feminista.

Embora desde muito nova eu tenha notado que mulheres são tratadas de forma diferente e sempre lutei pra me impor nesse mundo como igual, sempre achei que as mulheres diferentes de mim faziam um desserviço a forma que somos vistas. Quem nunca chamou a coleguinha de piranha que atire a primeira pedra. A grande verdade é que nós mulheres somos produtos da nossa criação machista e nós também julgamos o diferente, numa tentativa de nos protegermos. Se eu não ando com short curto na rua, eu não vou sofrer nenhum tipo de violência. Se eu não encher a cara na balada, eu não vou ser agarrada. Se eu for diferente da vadia, eu não vou ter problemas. Acontece gente, que nós não somos diferentes em nada. Usar moletom e calça larga nunca me protegeu dos tarados que mamãe mandava eu tomar cuidado. Eu continuava ouvindo as mesmas imbecilidades que as meninas de roupa curta ouviam. Porque nós ouvimos essas coisas porque pra sociedade nosso corpo é público. É por isso que ele é avaliado diariamente por todos: se você é bonita, depilada, magra, cheirosa, faz as unhas e todas essas avaliações diárias que a sociedade nos faz.

Eu me tornei feminista no dia que entendi que a mulher ao meu lado, mesmo sendo completamente diferente de mim é tão vítima do abuso quanto eu.Você pode estar voltando do trabalho as 17h e sofrer alguma forma de abuso apenas porque estava na rua, vivendo sua vida. Essa semana vários homens foram presos em São Paulo por estarem encoxando mulheres no metrô. Um deles chegou a tirar a calça de uma moça que gritou e foi socorrida. A imprensa começou a falar sobre o assunto e descobriram páginas no Facebook de gangues de encoxadores. As mulheres começaram a falar e a gritar sobre o sofrimento que é andar no transporte público e 98% das mulheres dizem que já sofreram algum tipo de abuso ou abordagem indevida de homens. E enquanto isso a violência sexual é vista como algo feita por doentes, por tarados. Quem são esses tarados que conseguem abordar 98% das mulheres? Será que são tarados a margem da sociedade? Ou é o seu vizinho? O seu amigo? Seu professor? Seu porteiro? O homem comum?aspas

Outro dia li uma reportagem: a jornalista ficou na rua do Centro de São Paulo e apenas esperou as cantadas chegarem. E depois foi falar com esses homens “galanteadores” e as respostas eram “eu elogio mesmo, só não gosta quem é feia” ou “se ela estiver sozinha eu falo mesmo, só não falo se for casada porque o marido pode vir brigar comigo”. Somos pedaços de carne em exposição esperando quem nos comprem e depois que somos compradas, então merecemos respeito?

Nós fomos programadas pra ignorar o abuso, fingir que ele não existe, pensar que a culpa é nossa que demos mole  por algum motivo e quem sabe conseguir viver sem grandes traumas. Não usar roupa curta, não ficar bêbada, não dar mole, não ser fácil, não responder a agressões, não seja, não fale, não rebole, apenas sobreviva.

Mas eu te digo, VIVA. Lute pelo seus direitos, lute pela sua liberdade.

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