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Solteira depois dos 30: É amor mesmo o que estamos buscando?

solteira depois dos 30

Eu tenho 35 anos e tive 5 namorados. Eu vivi o amor adolescente, vivi o amor que eu achei que seria casamento, namorei por conveniência, por diversão e namorei mais de uma vez pra fugir de mim mesma.

Hoje estou solteira depois dos 30 e pergunto: É amor mesmo o que estamos buscando?

Quando eu namorei o cara que eu achei que seria o amor da minha vida eu recebi tantos sinais que ele não era o cara certo… infinitos sinais e eu ignorei todos. “Por amor” eu aceitei ouvir coisas que detonavam a minha autoestima, eu sentia o tempo todo que não estava sendo boa o suficiente pra ele, me forçava a caber em um molde que não era meu.

Depois de 6 anos de namoro e alguns meses morando juntos, ele foi embora. Era carnaval e parecia cena de novela ele passando por uma multidão fantasiada com uma mochila indo embora da minha vida. Eu me sentei no chão da sala, olhei a minha volta e tive a sensação de que eu tinha perdido tudo, que ele levou naquela mochila minha alegria, minha dignidade, meus sonhos.

 

solteira depois dos 30

 

Eu ainda tinha eu mesma, eu ali, comigo naquela sala. Mas eu percebi que já tinha um tempo que eu mesma não era o suficiente. Tinha muito tempo que eu tinha me desconectado de mim. Afinal, quem eu era quando não queria ser perfeita pra ele? Quem eu era quando não tinha medo dele notar meus defeitos? Quem eu era quando não estava ansiosa esperando ele atender o telefone ou me ligar?

Eu estava tão envolvida em ser feliz com ele, em fazer ele feliz, que esqueci completamente como era ser feliz comigo. Enquanto eu estava no meio daquele campo de batalha do amor, eu estava tão preocupada em ser, viver pra ele que eu coloquei todas as minhas questões, problemas, inseguranças, medos, desejos, crenças em uma sacolinha no fundo do armário.

Quatro anos depois que esse relacionamento terminou, alguns rolos, namoros curtos, eu me vi novamente em um relacionamento que não fluía, eu estava novamente em um campo de batalha do amor. Jogando toda a minha energia ali, tentando fazer funcionar. Por que eu estava novamente forçando algo que claramente não teria futuro?

Comecei a me perguntar se eu não buscava amor por todas as razões erradas… amor como solução dos meus problemas, amor como sentido pra minha vida, amor como forma de aceitação, amor como forma de validação, amor como fuga, amor pelo medo de ficar sozinha. Eu não deveria estar mais focada em entender questões como: Por que eu repetia padrões? O que essa repetição tinha a dizer sobre mim?

Não me entenda mal, eu acho lindo o amor. Um casal apaixonado, o frio na barriga, o riso solto quando cai a ficha que estamos amando… Mas eu percebi que a nossa BUSCA pelo amor muitas vezes é uma forma de fugir de coisas que não queremos lidar. Uma forma de buscar validações e cumprir o manual da vida perfeita e nem nos damos conta disso, afinal não conseguimos nem lembrar a idade que começamos a sonhar com o príncipe encantado.

A busca pelo amor do outro pode ser muitas vezes a maior distração na nossa jornada de amor próprio o que (olha que louco!) nos deixa ainda mais distante de viver um relacionamento feliz e saudável. Será que não estamos distorcendo o que é o amor? É amor mesmo o que estamos buscando?

A vontade de se conectar, de compartilhar, de amar é humana e todos nós sentimos, mas não estamos enlouquecendo um pouco nessa busca? É saudável achar que ficar sem transar alguns meses é estranho? Que se você está solteira depois dos 30 ficou pra titia? É saudável acreditar que voltar pra casa sozinha e ter que passar a noite – PASMEM – com você mesma é coisa de perdedora?

Ao invés de ficar obcecada se ele respondeu ou não a última mensagem do whatsapp, virar a noite tentando entender o que ele quis dizer com emoji carinha feliz + coração amarelo, perguntando sem parar para sua amiga que namora há anos o que ela fez ou deixou de fazer para ter um relacionamento bem sucedido comparando sua trajetória com a dela, mandando perguntas em caixinha de perguntas para gurus de relacionamento na internet, você não deveria simplesmente ser você, apenas você? Você estará mais perto de fazer conexões reais.

Será que não estamos dando muita importância pro título de solteira depois dos 30? Será que nossa busca está sendo realmente se conectar com alguém fisicamente, emocionalmente, espiritualmente ou será uma forma de fuga de questões que não queremos lidar? Medo da solidão? Antes de amar, não temos que nos conectar com o sentido de amar?

— ♥ —

texto sobre poder feminino

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Solteira sim, sozinha também: como ser feliz comigo mesma.

como ser feliz comigo mesma

Nunca fui uma pessoa de ficar com muita gente, ter vários casinhos ou sempre estar namorando… mas já tive 5 namorados, alguns ficantes e sempre tive uma vida social/sexual ativa (ou seja, aqueles beijos que damos por aí na noite) que me deram uma boa noção de que é possível ser solteira sim, sozinha também e de como ser feliz comigo mesma.

Eu decidi terminar meu último namoro porque eu estava passando por um turbilhão de coisas. Não estava me sentindo feliz dentro do relacionamento e comecei a me questionar de uma forma que nunca tinha feito antes.

Eu acredito que dentro de todo casal infeliz, existem pessoas infelizes e frustradas com questões muito particulares. Por isso, dentro de mim, eu sabia que precisava ficar solteira e sozinha, me conectando comigo mesma. Mas perceber isso foi um processo.

Confesso que foi no mínimo embaraçoso pra mim quando algumas fichas caíram e eu percebi que era a hora de tomar essa decisão. Embaraçoso porque caí na cilada que eu tinha certeza que eu nunca mais cairia, porque achava que eu estava atenta, que eu já sabia como eu funcionava, que eu já entedia a dinâmica da autoestima.

Então como assim eu estava negando minha própria vontade, não ouvindo minha intuição, ignorando sinais, fazendo o que esperavam de mim, o que a sociedade esperava de mim e não o que meu eu verdadeiro de fato desejava?

Eu falo sobre autoestima, leio tanto sobre as pressões da sociedade, feminismo, sobre ser fiel ao que você acredita… Como eu me deixei levar por crenças que não eram minhas? Como eu tinha parado ali, completamente desconectada de mim? Eu nem me reconhecia.

Minha ansiedade estava me consumindo, eu vivia mau humorada e tinha crises de choro. Inclusive, lembro que em uma discussão com meu ex eu disse: “Acho que você nem sabe como eu sou porque nossa relação me deixa ansiosa, nervosa e eu não sou assim.” 

Por que eu enfiei na minha cabeça que era a hora de fazer um relacionamento dar certo? Eu pensava: Eu tenho 30 anos, sempre quis casar com festa, vestido de noiva. E se eu quiser ter filhos? Até quando poderia tentar?

Quantos anos eu teria se aquele relacionamento fracassasse pra conhecer alguém de novo, namorar, ficar sério… Eu não tinha esse tempo. (Lembra da Rachel de Friends fazendo essa conta no aniversário dela de 30 anos?). Não era a hora de encaminhar minha vida pra isso?

Mas as perguntas que eu desviava e fingia que eu não tinha dentro de mim na verdade eram essas: Porque eu me envolvi em um processo tão superficial e automático e esqueci do mais importante: eu mesma? Eu estava feliz? Era com aquela pessoa que eu de fato  queria viver isso tudo?  Eu estava naquele relacionamento porque era o que eu queria e me fazia feliz ou eu estava tentando ser feliz, tentando fazer dar certo?

Como é difícil se fazer essas perguntas honestas né?  Perguntas diretas e se responder com toda verdade do seu ser. Sem desculpas e sem culpar o outro, com autorresponsabilidade. Por que mentimos tanto para nós mesmas? Por que inventamos desculpas e argumentos para nos autossabotar?

Além da insatisfação na relação e na sensação cada vez mais forte que eu estava me perdendo de mim, eu estava prestes a encarar o que seria o acontecimento mais difícil da minha vida até então.

2 cirurgias e 16 dias de internação para tratar uma infecção severa em uma parte do corpo tão importante e significativa para a mulher: os seios. Eu já tinha recebido a notícia da minha médica que minha cirurgia naquele momento não teria nenhum apelo estético, então eu poderia sair do hospital com um peito maior que o outro, com formato diferente, com cicatrizes grandes… tudo era possível, afinal o foco ali era me livrar do que tinha força suficiente para me matar.

Como seria minha relação com meu corpo depois disso? Como eu me sentira com meu namorado? Como me sentiria nua em frente ao espelho? Como ficaria a minha sexualidade? Eu já vinha de um histórico longo e problemático com essa parte do meu corpo, se eu voltasse à estaca zero? Se eu voltasse a viver novamente coisas que achava que tinha superado?

Pra fechar esse “combo” de dúvidas e inseguranças, em um cenário que eu achava que depois que eu comecei a exercitar minha autoestima eu nunca mais voltaria, eu não parava de me questionar sobre uma coincidência: Por que apesar de tão diferentes, quase todos os meu ex namorados, ou pelo menos aqueles que fiquei mais tempo, apresentavam padrões tão parecidos de comportamento?

Padrões esses que me incomodavam muito e eram distantes do que eu sempre busquei pra mim? O que eu tinha que aprender com isso? Porque isso estava acontecendo? Por que eu estava repetindo esses padrões de personalidade? Qual lição eu não estava aprendendo?

Percebi que eu precisava desesperadamente, loucamente, me conectar comigo mesma e eu só poderia fazer isso sozinha. Me ouvir na essência, andar no meu próprio ritmo novamente. Eu sempre falo no Chá de Autoestima que amor próprio é exercício. Igual academia, igual matemática. Tem que praticar todo dia, ter disciplina e o principal: Temos que estar sempre, constantemente atentas.

Às vezes a gente se desconecta tanto da gente, perde de vista nosso caminho e nem se dá conta. Entra no automático do “eu já sei”, “já entendo amor próprio”, e vai caminhando sem perceber que estamos nos afastando da nossa essência. Aí a vida vem e te dá um  chacoalhão gritando ACORDAAAA no seu ouvido pra te alertar e te fazer voltar para os trilhos de novo.

E se você escolher ignorar, não se encarar de frente, não se fazer perguntas com honestidade e tomar decisões que podem até ser doloridas, porém honestas, pode ter certeza: nada vai se encaixar. Nada vai dar certo, nada vai funcionar.

Eu precisei passar por uma relação onde comecei a me sentir infeliz e um problema de saúde enorme pra finalmente perceber que eu não estava alinhada comigo mesma. Que era a minha vida e meu corpo mandando sinais desesperado de “Eiiii você não está sendo você! Está negando você!” E naquele momento da minha vida em que eu achava que já tinha tudo tão bem resolvido na minha cabeça, foi algo bem difícil de engolir.

Em algum momento no percurso eu tinha esquecido da importância de se apaixonar por mim mesma primeiro e da importância de manter o fogo dessa paixão aceso. O amor próprio também precisa de tudo que a gente sempre fala que precisa em uma relação romântica: Diálogo, tempo de qualidade, carinho, dedicação e o ingrediente principal: Respeito. E é isso que estou me dando agora, sozinha.

Eu não sei se vou ter tempo de fazer tudo que eu quero. Se vou casar, se vou ter filhos, se vou me apaixonar novamente. O que eu sei é que antes disso eu preciso estar me sentido completa, para quando o amor chegar, eu transbordar. Sei que tenho que pensar que o que vier desse amor, se esse amor vier, vai ser uma consequência leve e feliz. E eu preciso estar me sentido leve e feliz.

Preciso identificar o porque repito padrões em namorados e o que esses padrões dizem sobre mim, não sobre eles. O que preciso curar em mim, modificar em mim, crescer em mim para atrair o que de fato eu quero? É aqui que estou agora.

Não sei responder nesse momento se um dia vou fazer uma cirurgia pra melhorar as sequelas de um corpo que está machucado e esteticamente feio. O que sei é que primeiro quero conseguir amá-lo e celebrá-lo na totalidade por ter passado uma barra comigo e agora está curado, saudável, vivo.

Diz o ditado que se conselho fosse bom a gente não dava, a gente vendia. Mas eu recebi muitos bons conselhos ao longo da vida então acho válido compartilhar um: Não espere seu mundo desmoronar para se conectar com você mesma; não force nada que não esteja fluindo de forma natural pra você e quando sentir que está perdendo seu caminho, se volte pra dentro. O que atrapalha nossa jornada é a dificuldade de acalmar a mente, de ter um diálogo honesto com nós mesmas, de ouvir nossa intuição.

Não tenha medo da solidão, de sair de um relacionamento longo, de tirar da sua vida qualquer coisa que no fundo você sabe que não faz mais sentido. Não tenha medo de tomar uma decisão que as pessoas ficarão chocadas, que vai gerar perguntas, curiosidade, cobranças, um mundo desconhecido. Escuto o tempo todo: “quando vai sair pra dar uns beijos?”, “e o tinder, já baixou?”, “se não casar, pensa em ter filho mesmo assim?”, “congelar óvulos é super caro, né?”

Mas eu escolhi estar em paz com meu interior, fazer o que eu sinto que é o melhor pra mim e acreditar que jogando isso para o universo, vou chegar aonde quero chegar, conquistar o que quero conquistar, estar com quem eu devo estar, quando for a hora.

Todas as respostas estão dentro de você. Somos muito mais sábias do que a gente imagina, acredite. Tudo que precisamos é nos manter conectadas.

— ♥ —

Por Nuta Vasconcellos:

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Você está no seu relacionamento, ou quer estar em um, porque tem baixa autoestima?

relacionamento e baixa autoestima

Está em todo lugar: Nos livros infantis, nos filmes, nas novelas… Pra tudo terminar bem, você tem que encontrar um grande amor. Arrebatador, louco, que te faz sofrer, passar por provações, enfrentar vilões que tem como grande meta na vida, destruir um casal apaixonado.

Crescemos e percebemos que tudo bem, não é bem assim, mas será que toda essa lavagem cerebral que nos é feita desde muito cedo, que uma vida só é completa ao lado de um grande amor e que até o “felizes para sempre” vocês passarão por muitas provações, não fica ali, escondidinha no cérebro e faz a gente aceitar coisas que não deveríamos?

Você já parou para pensar se está com seu namorado, marido ou ficante ou se está na busca de um relacionamento na verdade, porque tem baixa autoestima?

 

Antes de tudo, não me entenda mal. Eu acredito no amor e sonho sim, em encontrar alguém especial, formar uma família. Mas para estar em um relacionamento precisamos estar felizes, seguras, completas. Precisamos sentir que aquele relacionamento agrega, na nossa saúde física e emocional.

Sabe aquela frase? “Nós aceitamos o amor que achamos que merecemos” ? É a mais pura verdade. Só que às vezes fazemos isso sem perceber por pura falta de autoconhecimento. Sem pensar que, na verdade, o que estamos buscando no outro, precisamos antes, encontrar em nós mesmas. Imagina que louco se todos os enredos dos contos de fadas ou das novelas da Globo, ao invés de ser em busca de um alguém, fossem na verdade, nossa trajetória de autodescobrimento?

Em todo lugar se fala sobre “encontrar o amor”, não só na mídia, mas também naquele papo de bar com as amigas. Mas por que falamos tão pouco sobre autoamor?

A real é: só estaremos prontas para viver um relacionamento pleno, quando aprendermos como ser felizes sozinhas, quando aprendermos nosso real valor, o que de fato buscamos e o que projetamos nos outros. Mas como saber se você está buscando um relacionamento por motivo de baixa autoestima?

Os sinais às vezes são sutis, mas quanto mais tempo você se dedicar para se conhecer, mais fácil vai percebê-los. Fiz uma listinha de 3 motivos que vejo com frequência. Pare pra ler e se pergunte se você não está em uma situação parecida:

1- Não entender como “aquela pessoa” não gosta de você.

Quando a gente não se ama de verdade tem a tendência de cobrar esse amor do outro e começamos a fazer de tudo, mesmo que aquilo machuque a gente, nos deixe ansiosas, tristes, compulsivas, em nome de “conquistar” aquela pessoa.

Nos submetemos a situações que não concordamos, fazemos de tudo para mostrar como somos imperdíveis, estamos sempre disponíveis, mesmo se o cara aparecer com um “oi sumida” depois de 3 meses sem responder sua última mensagem. Fica sem entender como apesar de você “ser tudo isso” aquela pessoa não quer estar com você.

Temos a tendência de confundir essa vontade louca de agradar, de se SENTIR desejada e amada com o que de fato é amor. Mas nada mais é do que falta de autoamor. Quando temos consciência do nosso valor, não sentimos a necessidade de provar isso a todo custo para outra pessoa. Não nos machucamos fisicamente ou emocionalmente e muito menos, nos tornamos obsessivas com alguém.

Sabemos que pelos menos uma coisa Rupaul e Jesus têm em comum: a real essência do que é amar. A frase “Se você não consegue amar a si mesmo, como você vai amar outra pessoa?” de Mama Ru, tem muito a ver com a bíblica “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. Lida sem profundidade, podem até parecer frases egocentristas, mas pense de novo.

A verdade é que é simplesmente impossível doar algo que não se tem. Só conseguimos entregar amor real, quando sentimos esse amor antes em nós mesmas. Todo o resto é uma expectativa do outro te dar aquilo que não consegue encontrar em você.

2- Não conseguir ficar solteira.

A maioria de nós, de alguma forma, tem medo de ficar sozinha. Preferimos sempre ter uma pessoa para ser nossa companhia, ser um ombro amigo, pra ficar abraçadinho assistindo série. O que não podemos confundir é o fato de “preferir” com o não conseguir ficar solteira. Não pode significar que não nos sentirmos capazes de sermos felizes quando estamos solteiras.

Todas nós temos a capacidade de sermos felizes com ou sem alguém. Temos que entender que ninguém pode nos fazer mais feliz que nós mesmas. Só depois que conseguimos ser completamente felizes sozinhas, mesmo pensando que essa situação pode ser “pra sempre” é que de fato conseguimos estar em uma relação pelos motivos certos. É uma linha muito tênue que separa a vontade de estar com alguém da necessidade de estar com alguém.

E precisar de outra pessoa, de um relacionamento, pra ser feliz nada mais é que baixa autoestima. Pulando de namoro em namoro, você não tem tempo para escutar seu coração, entender suas reais necessidades e se conhecer. Solteira, se torturando pensando que você não é feliz porque não tem alguém é o que te afasta mais e mais do amor verdadeiro, o próprio.

3- Se culpar quando as coisas não dão certo.

Esse tópico, posso falar por experiência própria. Antes de começar a ter a consciência sobre a importância do autoamor eu me culpava muito dentro de alguns dos meus antigos relacionamentos. Com as coisas pequenas e com as coisas grandes. Se não estávamos transando como costumávamos, eu achava que não estava atraente o suficiente. Se ele estava de mau humor, achava que era minha responsabilidade fazer com que ele ficasse feliz…

Acho que toda garota se identifica muito com alguma música do Lemonade da Beyoncé. Eu não vejo o álbum somente como um disco que fala sobre traição, vejo muito mais como um álbum de como a mulher se sente quando um relacionamento não vai bem.

Em “Love Drought” acho que ela aborda com clareza essa questão da culpa que a gente carrega principalmente no trecho que diz mais ou menos assim: “Me diz, o que eu fiz de errado?(…) Eu sempre fui comprometida, focada. Eu sempre prestei atenção, fui dedicada. Me diz o que eu fiz de errado?”.

Respondendo você e respondendo a Beyoncé (que todo mundo sabe, acompanha o blog) você não fez nada de errado. Relacionamento é timing, relacionamento é estar conectado no mesmo momento. São os dois, comprometidos em fazer dar certo. Não sinta como se você tivesse que fazer mais do que você pode, consegue e quer, para fazer alguém feliz. Lembre-se sempre que você é sim, boa o suficiente.

O caminho do autoamor assim como todo amor é uma construção. É um exercício. Todo dia, você deve tentar praticar um pouco. Quando você verdadeiramente se ama, está pronto para ter um relacionamento de verdade, para atrair essa energia pra você.

E nunca se esqueça: seu relacionamento com você mesma, define todos os relacionamentos que você tem com os outros. Amor próprio deve ser sempre, sua prioridade.

— ♥ —

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Nem sempre seu amor será perfeito como os dos filmes

Quando a gente começa a crescer, logo alimenta a ideia de encontrar um grande amor.

Mas o quanto antes ficar claro que nem sempre seu amor será perfeito como os dos filmes, melhor! Claro, toda regra tem sua exceção, mas não me lembro de nenhuma amiga da escola que não sonhava em encontrar o príncipe encantado. Depois que a gente cresce, não demora muito pra gente perceber que “ele”, o tal príncipe encantado, não existe (até por que nem os encantados eram tão encantados assim se você analisar com outro ponto de vista).

Mas seguimos buscando aquele amor arrebatador, aquele que assim que você conhecer suas pernas vão tremer e vocês passarão segundos que parecerão horas olhando para os olhos um do outro e você saberá: “É ele!”

Assim como nos filmes, vocês terão encontros divertidíssimos, únicos e aventureiros. Assim como nos filmes, acontecerão encontros e desencontros, brigas absurdas que terminarão com ele na sua porta bêbado pedindo desculpas, até o grande momento do felizes para sempre. Por conta dessa cartilha do amor, ficamos presas em relacionamentos sem futuro e por conta dessa cartilha, não valorizamos garotos que podem não ser príncipes encantados, mas chegam bem perto disso.

 

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Todo mundo que encontra comigo e com meu namorado sempre diz: “Nossa, ele foi feito pra você” e quando ouvia isso no começo do nosso relacionamento eu sempre ficava surpresa com a afirmação porque não foi assim que eu me senti durante muito tempo. Eu não ouvi sinos tocando quando conheci meu namorado. Não ficava morrendo de ansiedade para encontrar com ele quando éramos ficantes e não estava contando os segundos para ele falar de namoro.

Eu gostava dele, mas sempre tinha o “mas”. O “mas” estava naquela falta de arrebatamento. Aonde estava aquele sentimento de “encontrei o amor”? Aquela vontade de cantar na rua e gritar aos 7 ventos que eu estava apaixonada? Eu não sentia.

Pra piorar, sempre tinha uma pulguinha atrás da minha orelha relembrando meu casinho anterior. Lembrando aquele frio na barriga, aquela ansiedade, aquele tal sentimento que faz você chegar em casa rindo a tôa do primeiro encontro. E eu me perguntava: Será que eu não deveria dar mais uma chance para aquele sentimento?

Ignorar as coisas negativas que ouvi, as sumidas, o fato que ele ficava com outras, a certeza que ele não sentiu a mesma coisa que eu no mesmo timing, ignorar que eu era a garota do intervalo dele e simplesmente dizer que eu queria tentar de novo.

O tempo passava e eu me sentia cada vez mais envolvida pelo meu namorado. Não tinha grandes rompantes de sentimento, mas eu ficava cada dia mais envolvida por uma pessoa que estava ali, de corpo e alma pra mim. Que fazia planos, que me fazia sentir linda, que fazia pequenas surpresas, que me elogiava, me colocava pra cima. Estava cada vez mais envolvida com um cara que estava seguro do que queria, que estava do meu lado, que estava afim de ser parceiro.

Eu não ouvi passarinhos cantarem quando conheci meu namorado. Eu não me senti em um filme. A forma que ele chegou, não é a forma que a gente espera que um grande amor chegue. Mas esse é o nosso grande erro. Esperar que as coisas aconteçam de uma forma específica. Sei lá por que eu dei uma chance pra esse relacionamento.

Mesmo sem tá assim muito afim, mesmo achando que eu deveria estar com outro, eu mergulhei. Eu decidi parar de repetir padrões que até então claramente não estavam funcionando pra mim e foi a melhor coisa que eu fiz.

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Meu amor não foi de cinema. Não teve entrega total desde o início, não foi construído em certezas absolutas. Mas hoje, um ano depois, eu posso dizer que encontrei o amor da minha vida.

E isso só aconteceu porque lá no começo, eu resolvi me desprender das ideias que eu tinha de amor. Nosso amor foi construído, dia após dia, com pequenos gestos, com pequenas lições de companheirismo, de carinho de cumplicidade.

Nem sempre o cara que faz seu coração parar é o cara que vai te fazer feliz. O amor não tem fórmulas e chega pra gente de formas diferentes, nem sempre como a gente sempre sonhou. Um grande amor não precisa chegar arrombando sua porta. Ele pode chegar de mansinho, pedindo licença. E esse  pode ser o começo de uma história incrível com seu príncipe que não precisa ser encantado.

O que eu sinto hoje é amor. Da forma mais completa. Desculpa, Hollywood.

 

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